27.9.16

200 MILILITROS



Estava me incomodando demais voltar a escrever aqui embora, a princípio, tenha sido justamente o contrário. Não consegui primeiro criar uma nova plataforma, isso me travava. Ao me fazer sentir em casa, confortável e segura, abri aqui uma janela e postei. E postei de novo e de novo.

Mas ao longo das postagens senti, novamente, vontade de criar outro espaço. Não que nunca tivesse feito isso: tenho 5 blogs (abertos mas fechados) pouco ou nada usados no Wordpress (desde Londres). Hoje, entrei lá de novo pra criar mais um, mas não rolou. Acho que preciso, ainda, de algo familiar.

Talvez, também, a escolha do nome — 200mililitros.com —  venha desse quentinho conhecido. Pensei em outros bem legais e até mais a ver mas, de novo, travava.

"E se eu não posso dançar esta não é minha revolução" (essa frase tão boa atribuída a Emma Goldman).

Fecho, neste espaço, mais um ciclo. E dificilmente voltarei a escrever no 100militros. Eu agora eu aumentei de volume. E os volumes.

[solta o som]

14.12.13

2x2 COM VANTAGEM PRA GENTE


Trecho de "Pirocas ao Vento", post de despedida do Inácio Araújo no UOL



De ontem, 1,
escrevi o post anterior, sobre Divórcio, do Ricardo Lísias. Que, entre outras críticas à grande imprensa, fala sobre alguns jornalistas comentarem o livro sem ter lido . Então, coincidência ou não, achei um texto, na Folha, com um erro crasso logo ali no primeiro parágrafo. Uma informação - que pelo estilo narrativo de Divórcio, que usa da repetição de fatos e frases - não passaria nunca desapercebida pelo LEITOR.

De ontem, 2,
mas só vi hoje (num post da Giovana no Facebook), um texto do Mario Sergio Conti, na Folha, que pretende fazer uma comparação entre filmes que têm muitas cenas de sexo. Pretende - e não chega lá - porque faz uma resenha errada de Tatuagem. Ou seja, ele fala de um filme sem ter assistido! Ele provavelmente (porque agora duvido de tudo) viu Azul, que é o filme mais falado, e ouviu o galo cantar que tinha alguns outros filmes com cenas de sexo. E pra que assistir aos outros, né? Pra que se dar ao trabalho de pesquisar? Até porque ele deixou de fora da "crítica"o também francês "Um Estranho no Lago" que se encaixaria perfeitamente ali no montinho de palavras que ele juntou num espaço da Folha…

De ontem, 3,
várias pessoas compartilharam, no Facebook, o post de despedida do Inácio Araújo do UOL (que é do grupo Folha). E que post! Eu pus um trecho na imagem mas vai lá e lê inteiro. "Pirocas ao Vento" vale cada palavra.  Haha, sim, é esse o título.

De ontem, 4,
- vejo que houve empate no "fomos bem/fomos mal" (quem foi do JT/Estadão das antigas sabe o que é isso) deste post - a Fórum é a segunda revista com maior engajamento do Brasil no Facebook, de acordo com um levantamento da Revista Imprensa. A Veja é a sétima colocada. Yay!

De hoje, 1,
leva tempo, mas as coisas mudam.



[eu voto para que mario sergio conti entre no lugar de inácio araújo para crítico de cinema do uol. acho que tem tudo a ver. acho também que ele mente a idade hahaha essa coisa tão cafona da geração dele. 58 anos? sei]

13.12.13

"MEU CORPO FERIDO, POR MAIS QUE EU AINDA PERCA ENERGIA, PRECISA PORTANTO VIRAR LITERATURA"



Li Divórcio, do Ricardo Lísias, numa tarde.

Depois, fui procurar as resenhas e críticas na internet, principalmente nos grandes jornais - se você conhece a história, sabe o porquê. E fiquei com um sorrisinho irônico de satisfação ao perceber que todas eram positivas - não teria como não ser, é um livro ótimo.

Esqueça apenas um textinho ordinário, na Folha, que começa dizendo que o divórcio em questão se deu três meses após o casamento. Oi? Um jornalista que não se dá ao trabalho de ler o livro antes de escrever sobre ele… ouch!


O Ricardo Lísias, escritor, deve ter dado risada.

O Ricardo Lísias, personagem, diria (e disse) que muito jornalista falou do romance sem ler. E que falar mal da grande imprensa é chutar cachorro morto.


Algumas resenhas falam lindamente da forma, da repetição proposital, do arranjo das palavras. Outras da ironia deliciosa, da delicadeza da perda e da reconstrução da pele e da vida. Da morte.

Lê o livro.



[eu fiquei com preguiça de entrar no mérito de 'divórcio' ser ou não verídico]

[até porque isso é óbvio]

8.12.13

A VIDA DE ADELE E O BAQUE DE HEROÍNA



Fiz uma cagada ontem. Logo depois das três horas de "Azul é a Cor Mais Quente", eu fui pra uma festa. Fui, porque queria prestigiar uma amiga (o que foi legal) mas, putz, eu tinha acabado de assistir a uma porrada de filme e tudo o que pensava era

quero ir pra casa digerir o que vi. Mas não fui.

E foi uma perda. Porque, por mais que eu assista de novo, algumas coisas são que nem brown sugar, babe - você só vai sentir aquilo da primeira vez. As outras vão ser tentativas inúteis de repeti-la.

E depois de "Azul…" você sai do cinema meio atordoado.

Ainda tive uma segunda chance - fico repisando o fato porque meu arrependimento é realmente grande (e me massacra) - quando, indo pra festa, precisei parar pra abastecer. Eu, que já estava dirigindo de forma estranha, falei toda confusa com o frentista. Então racionalizei

caramba, eu tô realmente tocada pelo filme. Mas segui no caminho inverso do que eu sentia.

E foi uma pena. Que isso tenha acontecido bem ontem. Porque, ultimamente, tenho tomado a decisão certa.



Durante a semana, li algumas coisas a respeito de "Azul…". Além das matérias de jornal e críticas de amigos, li um post bem legal do Thiago Stivalleti. Entre outras coisas, ele fala sobre a polêmica do filme em Cannes (onde ganhou a Palma de Ouro) e sobre o grupo de lésbicas que criticou as cenas de sexo - elas dizem que aquilo não existe, que mulheres gays não transam daquele jeito. Sobre isso, Thiago escreve:

"(…) fico com a frase do Michel Ciment este ano na Mostra: 'as pessoas continuam acreditando que um artista só pode falar daquilo que conhece. Se fosse assim, Kubrick nunca teria feito 2001 porque não viveu no tempo dos primatas e nunca viajou numa nave espacial'. O importante aqui não é 'corresponder à realidade', mas criar uma obra coerente em seus próprios sentidos".

No post dele não tem, mas, aqui, um link pro vídeo da reação desse grupo (não sei se teve outro) de lésbicas às cenas de sexo do filme (a maior tem sete minutos).

E o Jotabê fez um post sobre o recém-lançado gibi, de Julie Maroh, no qual o filme foi inspirado.

"DANCE AND FLY"



Anelis Assumpção acabou de postar no Facebook o vídeo acima e a letra da música.


"Not Falling"

Babilon wants to eat someone
I'm not falling
Babilon wants to tweet someone
I'm not following
A cada corpo que padece prece
Ao destino extinto de uma espécie
Ao que não se esquece
Quem é vivo sempre aparece
A humildade é relativa no ar
We can't breath
Can't rewind
Just go away
Dance and fly
I'm gonna give birth
I bear in my womb the hope
Peace says the pace
For the blessed mass
The river comes down
And takes what we don't feel like
The sea hugs my soul
And everything back to your place
O coração leve
Como uma pluma se eleva
Eu não estou caindo

Eu já disse aqui que (a musa) Anelis foi minha trilha este ano. Que tá no finzinho e foi tão bom! Ela, agora, tão certeira neste dia vem cantar o que eu tava sentindo: o coração leve.


[eu não estou caindo]

[mas eu já sabia disso]


4.12.13

CHICAS




Domingo à tarde, terminei de ler Todos Nós Adorávamos Caubóis, da Carol Bensimon.

Putz, não gostei muito. Apesar de ser um livro curto (tem 190 páginas) li ao longo de toda semana passada. E sei que só mais perto do fim, talvez em 3/4 de livro - seria na quinta-feira? - quando a tensão da relação entre as personagens se exacerbou (e não na estrada - embora a tensão estivesse ali todo tempo), passei a achar o livro mais interessante. O negócio é que em 2009 eu li Pó de Parede, primeiro livro da Carol e amei. Achei incrível, ainda mais pra uma iniciante. Talvez a expectativa fosse grande demais, enfim.

Leia Pó de Parede. Além de tudo é de uma editora chamada Não Editora.

[né?]

Ouça Todos Nós Adorávamos Caubóis. Na verdade, uma playlist feita pela autora com as bandas que ela ouvia enquanto escrevia o livro. Eu curti.

Já o booktrailer, se você não leu o livro, não assista. Pelo amor de deus, como é que rosto e voz das personagens de um livro podem ser definidos por alguém que não o leitor, que não sua imaginação? É herético.

Mas se você quiser uma resenha detalhada (boa) e positiva, tem aqui.



Ontem, comecei a ler o primeiro livro da Tatiana Salem Levy, a Chave da Casa. Óbvio, não tenho ainda nada pra falar. Mas, ano passado, li Dois Rios e pirei. Me tocou demais. Influenciou muito o fato de ser uma história de irmãos e eu estar num momento muito tenso com um dos meus. Percebi isso quando reli, quase na sequência, Manuelzão e Miguilim. Em diversas passagens, e principalmente no fim, chorei alto, de soluçar.

É claro que a literatura, assim como o cinema autoral, funcionam como espelho. E quanto maior a identificação, mais a chance do bicho pegar (pro bem e pro mal - quem nunca odiou um filme ou livro porque de alguma forma se "viu" ali?). Mas não é só isso. Pra citar um, gostei demais de As Correções, do Jonathan Franzen - e, putz, nada mais distante de mim.



As duas tão entre os 20 brasileiros da Granta


[as imagens são do booktrailer do caubóis. daria pra fazer ele todo assim, sem matar a fantasia do leitor]

3.12.13

"A PRÁXIS DO IMPROVÁVEL JUNTO À EPIFANIA DA DESORDEM"







Que lindo é Tatuagem! A frase do cartaz acima mais essa frase (do título do post) falada pela personagem Clecio, definem bem. E estética kitsch regional '70 recifence  (não achei fotos) iluminava os meus olhos cena a cena - eu tinha vontade de fotografar a tela, ai, se isso fosse possível…

O mais louco é que, domingo de manhã, eu pensei: nossa, duas pessoas, na mesma semana, disseram que tiveram epifanias. E pensei também: acho que não sei exatamente o que epifania significa.

Então, horas depois, na praia, Clecio disse a Paulete,

…epifania é dar vazão ao desejo.



[adoro a vida!]

1.12.13

'E NO MUNDO DIZEM QUE SÃO TANTOS SALTIMBANCOS COMO SOMOS NÓS'

Foto da querida Bárbara Castro











Tem um montão de gente se organizando pra melhorar SP.
É trabalho de formiga.

São 459 anos de erros (é domingo de manhã, meu corpo pede leveza e eu preciso de eufemismos para isso) - 8 anos de PSDB com Serra e Kassab; 4 de Pitta, cria de Maluf, que destruiu a cidade em dois mandatos de 4 anos anos cada e que, por sua vez, era cúmplice do Reynaldo de Barros, que comandou a prefeitura por 4 anos durante a ditadura e a roubalheira com as empreiteiras por décadas (ambos). E, claro, 4 anos de Covas, e a fraude nos transportes públicos.

Tem um montão de gente se organizando pra melhorar SP.
É corajoso. E incrível.



[…junte um bico com dez unhas, quatro patas, trinta dentes e o valente dos valentes ainda vai te repeitar…]

[…e mais dia menos dia a lei da selva vai mudar…]