4.4.13
AMOR DE CORES, LÍQUIDOS
O título não faz nenhuma referência ao Bauman. E eu não poria a palavra amor ali não tivesse meu irmão, outro dia, ao me mostrar uns desenhos absurdamente lindos que ele vem fazendo, me falado que desenhar tem sido uma de suas formas de sentir e expressar amor. Temos conversado muito sobre um amor constitucional que, acreditamos, em certa medida nos falta. E ido atrás dele, cada qual à sua maneira.
Mas, sem que saibamos, essas maneiras às vezes são as mesmas. Não por acaso. E ainda bem. Porque, conscientemente, eu não sabia que minhas expressões artísticas (transformei minha casa num ateliê com tudo o que isso implica - bagunça, mancha de tinta, pedaço de linha e rascunhos pra sempre inacabados) podem ser um caminho de, como ele disse, expressar e sentir amor. Constitucional. Fundamental. Amor.
31.3.13
MARILENA CHAUÍ E MEU ESPAÇO EM BRANCO
Já faz bastante tempo que a Kátia Mello postou esse vídeo no FB. Posto aqui agora porque:
1. Acabei de lembrar (quis postar na época mas esqueci)
2. Quero guardá-lo (esta é a função mais básica deste blog)
3. Pelo óbvio: a abominação à classe média paulistana.
E pelo não tão óbvio: não tenho tido a mínima vontade de escrever. E eu até postaria o que tenho feito no lugar mas só se desse pra bloquear uma pessoa de vir aqui e xeretar. Ô menina chata do cão. Não leio nem uma vírgula do que ela escreve. Mas ela, afe, não. Sai da minha aba? Para de me ler?
Agradecida!
23.12.12
18.12.12
17.12.12
"A LINGUAGEM SOBE ESCADAS, DO MAIS MOÇO AO MAIS VELHO E SEU CASTELO DE IMPORTÂNCIA"
Gostar sempre parece menos que amar mas, de certa forma (e pra mim) amar tem aquela coisa do amor que já vem nascido, tipo de pai e de mãe, que gostam sem que necessite de porque. Gostar, não. Gostar tem a ver com gosto, afinidade, especialidades especiais. Se você juntar o amar-família com o gostar-gosto você tem o que eu sinto pelo meu irmão. Talvez essa definição chegue perto.
E, olha, a gente vem se estranhando de uns anos pra cá. E teve uma briga tão feia ano passado que virou ruptura longa. E silêncio. E choro (meu). E emails desencontrados e um encontro estranho. Mais emails. Nada que abalasse sequer um grama de quanto eu amo-gosto do meu irmão.
Hoje, como já aconteceu muitas outras vezes, eu precisei dele pra entender o que acontecia comigo. E, como muitas outras vezes, ele foi capaz de traduzir minha confusão, de acolher minha dor sem deixar de expor meu erro. De me acalmar.
Então, 100 quilos mais leve, eu fiquei pensando. Se era o tom de voz. Se era a incrível capacidade de compreensão dele. Se era o silêncio entre um raciocínio e outro. Se eu já nasci gostando ou aprendi por ser a irmã dois anos mais nova. Se é de outras vidas.
A acho que minha cunhada tem razão quando diz pro Tomás, filho mais velho deles, que seu irmão, o Mateus, vai ser a pessoa que ele mais vai amar na vida.
Amar-gostar, torço eu.
***
Do título: trecho de Irmão, Irmãos - Carlos Drummond de Andrade
14.12.12
CHIQUITAS BACANAS
Yes, nós temos bananas. Mas foi Londres que me apresentou a fruta como doce, sobremesa açucarada, misturada com caramelo e sob a alcunha de banoffee pie. Pra sorte do meu corpo, só descobri o crime dois meses antes de ir embora, o que não me impediu de comer a torta dia e noite, noite e dia, inclusive em forma de sorvete.
De volta, e banoffee pieless, voltei minha atenção pro que eu outrora considerava doce (chocolate) e rebaixei a banana ao posto de fruta rica em potássio. Nada más.
Até um fatídico pós-almoço com a Ju no Mercearia, mês e meio atrás. Fomos para o café do lado e ela pediu um doce de banana. Hmmm. Não era a banoffee pie. Nem sequer uma torta. Mas devolvia à banana o status de sobremesa, de ingrediente perfeito pra misturas que levam açúcar, creme, baba, cobertura, suspiros reais e metafóricos.
Bastou pra minha obsessão. E incorporei a banana ao meu vocabulário diário, atrás de receitas. Não demorou muito pra me falarem de um clássico brasileiro, o manezinho. Nem pra que eu "inventasse" a tradicional larica de banana assada coberta com açúcar, canela e leite condensado, ultradoce. Deliciosa.
O que eu não imaginava era que, praticamente no mesmo espaço de tempo, a Nana estivesse em busca do bolo de banana perfeito, encontrado em sua própria cozinha, sete tentativas (e, imagino, muitas bananas) depois.
Lendo o post dela eu fiquei com água na boca e nos olhos. Porque a escrivinhação da Nana sempre emociona. Mas também porque sincronias, sintonias me dão a sensação de pertencimento.
E isso me faz mais feliz.
imagem
UPDATE: Trocando emails com a Nana depois que publiquei este post ela me mandou uma receita de purê de banana da terra e lembrei que tive uma outra fase banana no começo do ano, justamente com esse prato. E fiquei enlouquecida com as mil variações de receita. Fiz as mais fáceis. E ficaram divinas!
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