9.11.09

HAIR TRENDS: (NOT A) BALLERINA

hoje, só hoje, eu queria ter cabelo bem comprido pra fazer um coque baixo e de lado, igualzinho o da menina linda que esperava o ônibus em frente à gazeta.
p.s: a foto da princesa léia é mera alegoria. é que quando tentei explicar pro ricardo como era o coque, ele logo disse: já sei! que nem a princesa léia.

ahã... igualzinho, ri.

6.11.09

A TONTA QUE ANDA ATRÁS

devem existir zilhões de explicações sobre o medo. a que eu mais gosto foi dita pela minha mãe semana passada - mas só porque se aplicava exatamente ao meu caso. "algumas pessoas se deixam dominar pelo medo, outras, atacam". eu estou no primeiro seguimento de pessoas. quer ver?

- oi, onde eu pergunto?
- pergunta o que?
- sobre comida.
- ah, vai no caixa.

escrevi em português que é pra dar a dimensão do ridículo. a diferença entre ask e order é uma coisa simples e óbvia pra quem... come. e eu como, desde que me conheço por gente. só que o fato de entrar sozinha num pub cheio de ingleses descolex me deixou tão travada, tão sem jeito, tão desengonçada, que não deu outra. 
algumas vezes isso rende umas boas risadas - como hoje, toda vez que lembro. noutras, vira uma bola de neve (quanto mais medo, mais tontería, quanto mais tontería, mais medo). 'a tonta que anda atrás', na ótima imagem da tha. tipo o joão bobo. não, tipo aquela personagem do popeye, alice the goon. yeap, that's me when my afrai... oops fear is around. [come on, goon, cut it out]

SEGURA A ESTATUETA

as estátuas mais pornográficas do mundo. vi na @regianeteixeira, que viu no pophangover.

TALKING TO PAUL AUSTER

ontem fui ver 'talking to strangers', da sophie calle na whitechapel gallery. eu não tinha visto 'take care of yourself', anotei um monte de coisa, amei. mas quando subi e vi 'gotham handbook', de 1994, que ela fez em parceria com paul auster... 

'gotham handbook - personal instructions for s.c. on how to improve life on nyc (because she asked...)' é a condição do escritor para aceitar a um pedido de sophie. e quatro passos explicativos do que ela tem que fazer - em textos simples, irônicos e divertidos. 

1. ajudar mendigos dando sanduíches levados de casa e cigarros
2. sorrir para pessoas na rua
3. manter conversações com estranhos
4. eleger um lugar público, decorá-lo e frenquentá-lo durante alguns dias (ela elegeu a cabine telefônica da foto acima).

[mas não foi só porque achei legal, criativo e dei risada que gostei da exposição. 'da mão para a boca' foi um livro de que gostei muito, fez um sentido enorme na minha vida e tinha uma frase escrita especialmente para mim. e então, ontem, bingo!, aconteceu de novo. paul auster me escreveu outra frase:

"i'm not asking you to reinvent the world. i just want you to pay attention to it, to think about the things around you more than you think about yourself. at least while you are outside walking down the street on your way from here to there"]


CINCO BISTRÔ NO PALADAR


sair no caderno que você lê todas as quintas, religiosamente, foi muito bom. não dá para acreditar que aquele lugar que até a semana passada estava todo bagunçado, com resto de massa corrida e cimento nos cantos, ficou lindo e limpo. ontem, na inauguração, eu não estava acreditando. agora, é hora de ralar muito e ter uma rotina totalmente diferente de todos, com fim de semana na segunda e na terça, mas vamo que vamo.

nega, ontem você fez muita falta. para rir, miar, torcer. mas você estava aqui, naquele lugar de sempre, do lado esquerdo.

5.11.09

SAUDADE.CO.UK - PILOTO

hoje é um dia muito importante pra manu. thais tá lá, sei que tem um monte de gente amiga, mas eu queria estar também. e ficarmos as três bem juntas, nem que fosse só pra tirar uma foto. nem que fosse uma sem abraço (como essa aí da festa), que o que vale é o cariño.
merda!

[não se enganem, a saudade é grande, mas não me deixa reclamar. desejo merda porque meu piloto tem final feliz: muitas pessoas vão prestigiar a manu e o restaurante vai lotar, assim como as peças de teatro do século... (não sei o século), que deram origem à expressão. 

que desejar merda não era diretamente desejar sorte e, sim, público. cavalos eram o meio de locomoção das pessoas. muitas pessoas no teatro, muito cavalo na rua e... merda!]

PREMISSA (OU ARGUMENTO?)


não é porque aqui é londres e lá brasil que não vai rolar saudade. ir ao banheiro todo dia, por exemplo, é do que eu mais sinto falta além mar. o raio do actívia é internacional, mas meu trânsito intestinal, local.
aí tem pessoas e minipessoas (que vão crescer rápido e não vão lembrar de você). tem aquelas comidas que, só por não estarem ao alcance, parecem as melhores do mundo. tem as comidas boas mesmo (coxinha, pizza da esquina de casa). tem a casa, que já não tem e sabe-se lá se vai ter um dia de volta. sabe-se lá se vai querer ter. tem a praia, o verão, as lembranças que, já disse alguém, são sempre mais felizes do que foram quando eram fatos. e tem mais um monte de coisa que se eu fosse capaz de nomear agora nem teria vindo, tal seria o apego. e não é. assim como não sou roteirista, nem aspirante a. cada um com seu cada qual. eu sou escrivinhadora. de matéria, post, bobagem, carta de amor (é!).

4.11.09

CORREIO ELEGANTE

leo, 11 anos, procura uma namorada. tem o focinho da baleia - que é castrada, coitada, mas topa conhecer o amigo. a cantada fina chegou na caixa da madrinha luorvat. coisa mais fofa. aprovei o genro.

3.11.09

HURRY UP

tem uma senhora de olhos puxados e filho pequeno, aqui no meu prédio, com quem quase tive o prazer de compartilhar o silêncio à espera do elevador. mas porque crianças orientais são irresistíveis, tirei o olhar do local reservado ao constrangimento e me pus, leve sorriso nos lábios, a observar o menino. então a senhora virou para mim e perguntou se eu tinha um daqueles. 
hmm.
nos minutos seguintes, travamos um diálogo que misturava inglês, uma outra língua que o puxado dos olhos não identificava e gestos que remetiam à crianças, barrigas, número de filhos, etc. ela cismou que eu deveria ter - e logo - meu próprio filho. hurry up, repetia, a cada fim de frase multi étnica. 
eu juro que tentei. disse que, sim, quero ter um dia. "tenha agora, hurry up". disse que não tinha filhos, mas tinha sobrinhos. "você tem que ter SEUS filhos, hurry up". disse que ainda não tinha marido. "procura na internet, hurry up". disse que tinha 34 anos". ainda dá tempo, hurry up". consenti, já que não tinha mais nada a dizer. "minha irmã acabou de ter o terceiro, hurry up".

já no meu andar (o segundo), a conversa que deveria chegar ao fim, chegou ao ápice. enquanto a miniatura oriental mantinha a porta do elevador aberta, a senhora olhou para mim e disse: quer ajuda?

o que, na verdade, ela estava me oferecendo?

1. conexão de internet, computador, sites de relacionamento
2. o filho dela
3. uma noite com o marido dela
4. um dos filhos da irmã dela

[e, assim, uma senhora maluca, que mora no quarto andar do flat 7, caliban tower, purcell street, inaugurou o primeiro post de uma série de muitos sobre londres. 16 days later. it was about time. hurry up]

31.10.09

PROJETO FRESCOBOL


ontem, no telefone, minha divertida amiga marcela soltou

- adivinha o bafo!
- o que? me conta!
- estou fazendo personal!
- e aí? gatinho? vai pegar?
- não, menina, é uma prima de uma amiga...
- quanto a aula?
- nada. ela queria uma consultoria de moda e eu fiz uma permuta. eu arrumo o armário dela e ela arruma minha bunda.
- hahahahah
- é gata... projeto "jogando frescobol na praia de biquíni branco".

achei muito bom projeto frescobol. afinal, projeto verão ano tal já esta batido. porque não tem nada pior do que você deitada na canga, para disfarçar a barriga, e uma durinha bem na sua frente jogando frescobol.

29.10.09

PEQUENOS DESEJOS

pornconfetti via cup of jo.

OWWW


dirty blonde

CONFISSÃO DE ADOLESCENTE

que quando a menina tropeçava, voltava ao exato ponto e batia o pé com força dizendo: não dou, não dou, não dou, é meu, é meu, é meu. se via um avião, atirava os braços pra cima e catava no vento a imagem que, em seguida, se transformava num puxão de rabo de cavalo - que toda esperança de o cabelo crescer mais rápido era válida. também procurava o verde se trombava a mesma palavra com alguém. e nunca bateu três vezes na madeira, de cima para baixo, pra afastar o azar, pois sempre pensava na escala positiva de elevar o pensamento. até hoje faz pedido pros cílios que pulam dos olhos. mas no fundo acredita que só os olhos sabem o que se quer: ver, sentir, lembrar, chorar, doar, sorrir.

a tavi da foto, cheia de personalidade, só ilustra o que uma menina de 13 anos é capaz.