
este ano experimentei a introspecção quase completa. li como nunca, fiquei comigo o mais que pude, dormi à beça, me retirei voluntariamente. observei de fora, me senti inteira como não fazia há tempos, fiz só o que quis, praticamente. não cedi à insegurança, à angústia ou à ansiedade e as poucos elas foram se esvaindo, no limite do humano.mudei de trabalho acreditando no novo e vi que não era. olhei ao redor, dei uma ou duas risadas meio altas (que repito vez ou outra quando lembro) e sartei de banda. percebi o chacoalhão, agradeci ao meu deus pela rapidez e segui o rumo da mudança, de novo. não tive medo nem me deixei tentar pelo aconchego sem graça do seguro. quero sentir frio, não calor.
a expectativa do resultado da minha pré-ação me deixa calma, muito. e isso é tão contraditório que reforça minha certeza (já desisti faz tempo da coerência).
um dia, bem lá atrás, abri mão das facilidades que a vida podia me trazer se eu me balizasse pela média. o que me trouxe muito sofrimento até que entendi que tinha sido essa uma escolha. minha. mas hoje entendo ainda além: não valeu, sempre deixei um pé no confortável, just in case. nem lá, nem cá, fiquei perdida. toda vez que encontrei uma bifurcação eu segui por uma direção olhando para a outra. peguei diversas vezes a via mediana que tanto criticava. por isso tanto criticava.
agora eu parto de vez para o tudo ou nada, para o mundo todo, fora da província. o que eu desejo não cabe aqui. e agora é hora de voltar, de sair da introspecção. e essa é a única certeza que tenho. não sei por quanto tempo, não sei exatamente para onde, não sei direito quando.
só sei que vou e para um continente frio. porque a metáfora meteorológica do segundo parágrafo não é apenas uma figura de linguagem.
Um comentário:
Adorei esse texto, muito bacana.
Vou visitar sempre que puder.
[]'s
Renata
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