29.12.09

THUMBS UP, TEETH (FALLING) DOWN


o que pensar de uma matéria do guardian que começa com "The British Institution of dentures sitting in a glass of water beside the bed..."?

que é, na verdade, uma crônica, certo?

mas é mesmo uma matéria, e das editorias science/news/health, que conta sobre uma descoberta na área odontológica: células implantadas na gengiva podem crescer e dar origem a um novo dente, dispensando o uso de falsos.

o que eu pensei é que nem adiantaria ter outra profissão: se não dá para disputar (com um lead fantástico desse, não, não dá) com jornalistas ingleses do guardian, muito menos entrar na briga por uma vaguinha no serviço odontológico. porque o repórter nem entra no mérito do dado assustador (e verdade absoluta) que coloca no texto: the average of briton over 50 has lost 12 teeth from a set of 32.

frente à falta de profilaxia dental, resta aos jornalistas fazerem os ingleses abrirem a boca. nem que seja pra dar risada do seu bizarro hábito cultural. é o humor britânico.


[e a foto antiga do noel gallagher é do site... british teeth. indeed!]

28.12.09

VELOCIDADE CRUZEIRO, CÉU DE BRIGADEIRO


antes de ir pra praia, não posso deixar de me despedir aqui deste ano de energia estranha, constatada por pelo menos todos os que me circundam. não podemos dizer que coisas importantes não aconteceram nele, mas a muito custo e esforço. eu, não posso. parecia que tentava acelerar com o freio de mão puxado - o ano andava, mas a duras penas. e nada de sair de segunda. talvez fosse só cautela, vai saber, porque em segunda cheguei a londres. mas tive que dar ré e volto pra lá só ano que vem. muito provavelmente numa versão automática e mais sofisticada de mim mesma, pra não precisar trocar de marcha e andar só no d, sempre pra frente.
adeus ano velho. deixo a vida agora seguir seu rumo, como deveria ter deixado sempre. mas só a idade traz a sabedoria - por isso só mais velha abro mão do câmbio manual. continuo acelerando, agora apenas com os pés; quando antevejo a curva, breco de leve, sem precisar pegar com as mãos para reduzir. feliz ano novo e suas retas londrinas planas, frias e ensolaradas. que tudo se realize no ano que vai nascer e que eu possa aproveitar os dias que vão até às 22h porque não para sempre anoitece às 16h. (ah, a bike...)
muito dinheiro no bolso, em libras, reais e, quem sabe, dólares, já que o desejo de ny ainda está vivo e cada vez mais perto. mas, o mais importante - e não pela beleza da frase, mas porque encaro uma cirurgia em janeiro - saúde pra dar e vender.

23.12.09

WANNA DRAMA?



existem diferentes possibilidades de começo deste post dentro do tema proposto pelo título. por exemplo, ainda em alusão à não-feita-mal-feita retrospectiva, os maiores 'maiores' da minha vida de adulta - mais condizentes à vida de criança - aconteceram este ano: chuva em sp e tombo em londres. nunca fiquei tão ensopada por tanto tempo andando na rua pela falta de um lugar coberto nem com os joelhos tão machucados por causa de um tropeção em slow motion com direito a pensamentos entre o chão-o ar-o chão. foi. embora já tenha começado o ano topando o dedão, quase furando o tímpano, fazendo galo na cabeça e sendo picada por abelhas - tudo em três ou quatro dias. mas já faz quase 12 meses entre isso e uma outra forma de começar este post - ainda em concordância com o título. só que pra contar preciso pular uma linha.
parágrafo. travessão.

- putz, isabela, vamos ter que te operar. se este cisto não sumiu até agora, ele é diferente do outro. é um cisto cirúrgico.

se a poucos dias de ir pra londres ouvi que tinha dois cistos grandes no ovário esquerdo e que teria que tomar o mais forte dos hormônios para que eles sumissem, a quatro dias de voltar pra agora minha casa em londres, ouço que... ouço a frase acima. isso no dia seguinte à minha avó ter passado a noite no hospital por episódio agressivo em razão do alzheimer, ou seja, em um dia familiar não muito propício a notícias negativas de saúde.

aí voltei do médico, (espaço de um episódio bem desagradável no meio) e fui fazer massagem. já mais relaxada, pensei num outro tipo de retrospectiva que, dadas as festas de fim de ano (meaning: a cirurgia fica só pro ano que vem), não vou poder fazer. mas que daria uma terceira forma de começar este post. novas marcas no meu corpo que não são tatuagem: um amassado permanente na coxa esquerda (atrofia muscular) por tentar amaciar a queda de uma televisão com a perna e três furinhos na barriga depois de uma laparoscopia. como janeiro já é 2010, as cicatrizes no abdôme pertencerão a ele. e se não dá uma boa frase pro início, fecha o post com tesoura de ouro (a da cirurgia custa seis mil reais e é descartável).

2010, venga con salud. pero venga con platita también, if you please.

e londres, me aguarde, que ano que vem tô aí. nova e bronzeada. porque não faço limonada nem caipirinha com limão. jogo fora pra não dar queimadura de grau sob o sol, if you know what i mean.

MOLESKINE


acabo de descobrir que vai chegar uma hora em que não vou precisar de mais nada para escrever além de pensamentos que querem sair, papel e caneta. porque a evolução do homem trouxe a psicanálise, a tecnologia e muita complicação: tinha de ser o meu computador, no jeito tal, com o cigarro aceso, ninguém por perto. aí que mudei de máquina, depois de país, não podia fumar e por isso os pensamentos não fluíam. então (de novo) reeduquei todos eles, a duras penas. e como avó deseduca, posso fumar de novo aqui, mas não tem silêncio e fui parar no único quarto da casa que não pega o wi-fi - como pensar sobre uma tela que não fica no meu colo? santo deus. e voltar logo logo por lugar quieto, aconchegante, em que não se pensa com fumaça.

mas no fim tudo funciona. e funciona porque, como disse pavlov, é só mesmo uma questão de condicionamento. e isso, muito antes da invenção do notebook, quando o cigarro estava na moda e fazia bem.

daí que da evolução, a gente involui pra depois evoluir de novo. e chegar num tempo, longe no passado e perto no futuro, em que para escrever nada mais é preciso do que pensamentos que querem sair, uma caneta, um papel.

18.12.09

CARTÃO DE NATAL ONLINE, SEM SER PIEGAS?




na ordem: johnsonbanks ; whilelowelondon; fallon e bless. via cr.

PÕE MEIA DÚZIA DE PINT PRA GELAR QUE EU TÔ VOLTANDO



porque réveillon é época de usar branco, londres tá assim!
e sabe o que eu fiz com meu medo do frio depois de ver essas fotos gostosas, né? yeap, isso mesmo!
e eu tô voltando!

e, ó, roubei tudo lá do blog da ju!

QUERO CASAR COM ELE

ele = max, o fotógrafo que eu e o ricardo vamos contratar para a maior festa do ano x, em algum parque de diversão por aí.
#fotosdecasamentosembalões / dica:@re

AO ÚLTIMO ANO DA PRIMEIRA DÉCADA


eu não sou de fazer retrospectivas porque sempre acho que meus acontecimentos ficam aquém assim como a forma como eu os escreveria ou as duas coisas juntas. insegurança boba, eu sei. e nos momentos em que estou feliz penso no quanto sou feliz no geral e tudo isso passa. e volta. e passa e volta. tipo a roda gigante que não sei se vou encarar no domingo.
mas então, pensando nisso tudo, pensei também - lembrei, na verdade - no quanto 2009 foi um ano de preparação. sim, já dediquei horas tristes e felizes a desvendar este ano de check list - não pro ano que vem, mas pra toda vida. que já começou, embora muito sem programação eu tenha voltado para fechar uma portinha importante, que nem imaginava estar tão aberta e precisar tanto ser resolvida. checked.
e aí, escrevendo isto ontem (com outras palavras porque não me convenci de nenhuma e deletei todas), me dei conta de que estou mais para perspectiva do que para retrospectiva. porque adoro jogo de palavras, mesmo que infames. assim como trocadilhos idem, do tipo: pode não ter sido um dois mil inove mas vai ser um dois mil é dez. :P

[pensando de novo, talvez eu faça, sim uma retrospectiva. será que posso copiar o estilo que a nana usou tão lindamente ano passado? a ver...]

17.12.09

POR QUE O PLANETA TERRA FOI MUITO BOM?

montanha russa from luorvat on Vimeo.

DO GÊNIO


christoph niemann

FOTOS DE CASAMENTO - SEM BALÕES!!!!!

2009 foi o ano das fotos de casamento vintage e com balões. foi tanto link, tanto site, tanto blog e tanto balão que espero que pelo menos tenham tido o bom senso de brincar de pato donald entre um balão e outro com gás hélio. enjoou no primeiro semestre.
aqui, fotos bacanas de casamento. no balloons added.

"CAN'T KISS"








uma das coisas mais fofas deste ano.

ALREADY KISSING



t and kissing, de pavel bolo.
pra anteceder (apesar de que blog se lê ao contrário) o próximo post, também dele, também de beijo. mas que desperta outro tipo de emoção. não, sensação é uma palavra mais apropriada.

HUMAN FLIES










instructions:

1. kill some flies, but with caution;
2. death flies need sun. 1 hour to dry;
3. take a pencil and paper... and... let the imagination flow.

do elastika, inclusive as instruções.

[fantástico, vai]

"SOMETIMES I JUST WISHED THAT..."

sometimes i just wished that i could have a hole in my tummy so i would never feel full.

sometimes i just wished that i could travel around the world in a hot air balloon.

sometimes i just wished that i could be that super girl.

sometimes i just wished that i could have all the money in the world.

sometimes i just wished that i could blast all my pimples away.

this work seeks to portray desires and wishes that can only be fulfilled in the subconcious mind. they are surreal and are often treated as impractical and silly in reality.

tudo, imagem + texto, daqui.

[pra agradar a adolescente que também mora dentro de mim].

15.12.09

DAS MÃES


hoje eu decidi que vou fazer um caderno de anotações chamado "lembretes de antes de ser mãe para quando eu for mãe - frases que não devo dizer a meus filhos e que tenderei a fazer pela alteração cerebral causada pela maternidade".
explico: mães costumam contar vantagens sobre seus filhos. vantagens essas que, na maioria das vezes são mentira. e elas o fazem para outras mães que, por sua vez, dão continuidade ao processo. não apenas mentindo de volta como, ao chegar em casa, dizendo para as pobres vítimas que saíram das suas barrigas: "mas os filhos dos meus amigos não fazem isso (de errado)". existem milhares de variações sobre o tema (inclusive já fiz um post sobre o assunto, tamanho é meu incômodo pessoal). sim, ouvi muito isso quando era criança e adolescente, principalmente pelo fato de que minha mãe não se convence - até hoje, transferida a coisa para os netos - de que as amigas dela mentem. e, pior, ela não mente de volta. não porque seja perfeita, mas por causa de uma inocência mezzo idiota cujo raciocínio é a "verdade": meus filhos são uns horrores, ferrou.
mas, hoje, peguei uma amiga dela no flagra. perguntei sobre os netos, que são primos. a resposta imediata foi "nossa, eles se amam, sentem loucura um pelo outro". então fui além na conversa até conseguir um lapso e... bingo: outro dia eles me deixaram louca no shopping. o maior, que tem quase cinco anos, quer cuidar do menor (de dois), que fica puto da vida, começa a gritar "pála" e sai uma briga. opa, mas eles não se amam?
é claro que eles podem se amar e brigar, inclusive é assim que funciona. a questão é a ênfase no que é considerado perfeição e o tom de escapada no que é considerado imperfeição.

pra não cometer desatinos assim, nem deixar meus filhos traumatizados como sou, começarei já meu caderno. ainda mais depois do que a rita me contou ontem, quando falávamos exatamente sobre isso. o tomás ainda não tinha começado a andar. "e quando fulana falou pra mim que o filho dela tinha andado com 9 meses? eu respondi: nossa, coitado, começou cedo, vai cansar cedo"

hahahahaha
mães são doidinhas.
mas quem mandou provocar, né, não?

FIU FIU (PRONOUNCED, NÃO POR ACASO - NO MEU CASO, "FEW-FEW")


lomo diana mini: 35 pounds

oyster para uma semana nas zonas 1 e 2: 25 pounds

tubinho de colman's original english mustard: 59 pence

ser altamente paquerada nas ruas de são paulo (e não tô falando de pedreiro): não tem preço.

tem coisas que o dinheiro não compra. fazer sucesso nas ruas de londres é uma delas. buááá


14.12.09

A PRIMEIRA CRÍTICA


saiu no guia da folha:

"novo francês resgata o espírito dos bistrôs
josimar melo

o novo cinco, em pinheiros, tem um espírito bem convidativo, mesmo que suas instalações pareçam um pouco precárias, quase inacabadas. mas o que fica no ar é salutar: vê-se que é um local imbuído mais de ideias do que de dinheiro, um restaurante impulsionado pelo empenho dos proprietários, que estão ali com a mão na massa.

não por acaso, o chef e sócio é francês e sua sócia (brasileira) é também sua mulher. e , como na tradição dos bistrôs franceses, em que a família se divide entre cozinha e salão, ambos cuidam da freguesia.

assim fazem nicolas barbé (que trabalhou na sua frança natal, na inglaterra e, no brasil, passou pelo charlô) e a jornalista manuela aquino, ambos de 32 anos. em seu negócio, oferecem um cardápio curto com clássicos de bistrô (boeuf bourguignon, steak au poivre, crepe suzette) e novidades que podem ser um pastel de foie gras, uma coxinha de lagosta ou um filé de tamboril guarnecido com polenta de erva-doce.

ainda falta um acabamento mais convincente nos pratos e uma oferta mais variada de vinhos, mas há simpatia e boa intenção por todo lado, temperando a refeição.

r. mourato coelho, 575, pinheiros, tel. 2308-4753. 80 lugares. qua. a sex.: 12h às 15h e 19h às 24h. sáb. e dom.: 13h às 24h. cc: v. estac. c/ manob. (r$ 12, no nº 502 - convênio). $$$$ c r n l"

12.12.09

NOVAS DIRETRIZES EM TEMPOS DE TECNOLOGIA (OU HOMEPAGE SWEET HOME)


minha primeira sensação ao chegar e arrumar minhas coisas em londres foi uma angústia traduzida na seguinte frase: "do quarto viemos, ao quarto voltaremos". não porque eu tivesse saído do meu apartamento em são paulo, no qual morei sozinha por quase 10 anos, para me enfiar num quartinho de estudante na inglaterra. pelo contrário: uma das condições da minha ida foi arrumar um lugar legal para morar, com sala grande, cozinha, banheiro e dividi-lo apenas com uma pessoa, adulta como eu - e cada uma no seu quarto. quando achei isso, a varandinha veio de prêmio. mas na primeira noite, ao deitar na cama, depois de ter guardado os 64 kg das duas malas grandes + os 20 kg da mala extra que meu irmão levou pra mim e tudo o que ainda coube na mala gigante de mão e na bolsa (fora a mochila do computador), a sensação foi essa. "por mais que esteja em londres, regredi". mas com o passar dos dias (por enquanto 50, porque vim por três semanas pro brasil), com a convivência e a adaptação, a sensação de ter novamente uma casa voltou. só que então descobri que, talvez, tudo isso não passe de hábito - ou ilusão. porque, hoje, minha casa, é meu computador. é para ele que volto toda vez que saio, é nele que me refugio e me sinto segura.
sem ele, faz tempo, eu seria homeless. fosse no meu apartamento em sp, no de londres ou aqui no dos meus pais agora. meu computador é minha home, independentemente da house em que esteja morando (e o jogo de palavras, apesar de infame, irresistível).