20.6.09

CANELA


em canela eu ando descobrindo que o brasil é sim, como disse um chef em entrevista ao paladar uma vez, um continente e não país. "é muita cultura e diversidade", ele falava. eu nunca imaginei que uma simples viagem à canela, no sul, ia mexer com a minha cabecinha desse jeito. porque a gente sai por aí e percebe tantas influências de outros estados... mas aqui a coisa é diferente, tradicional demais, tão brasileira que chega a ser gringa. isso que eu nem cheguei na parte dos bonecos, o festival de teatro mais encantador da minha vida. em apenas dois dias eu já vi de tudo, conversei de tudo e provei o gostinho de uma cidade pouco menos charmosa que sua vizinha gramado (até porque aqui a fiação não é subterrânea como a grama ao lado), casei com um buquê de hortência, que é a flor da cidade, e tô em lua-de-mel. e na modalidade teatro de sombras, que é pra entrar mais no clima.
os canelenses tomam chimarrão até nos teatros, colocam queijo em tudo, lotam os restaurantes, praças e parques. têm pizza de coraçãozinho, o mesmo que na churrascaria já sai da grelha com farinha. chamam loja de carros de garagem e repórter de noticioso. o diego, do carrinho de cachorro quente, batizou sua empresa de digão. claro! aqui não há flanelinha, nem sequer estacionamento. à noite não dá para pedir nada quente na pousada, pois eles só acendem a lenheira no começo do dia e tchau. os jovens são meio emos, casam-se cedo, dizem veredito em vez de verdade e 'são chico' quando se referem à são francisco do sul. mas só os jovens. os mais velhos não tiram o capaz da boca. qualquer coisa que você diz, mesmo quando está se desculpando, eles rebatem com capaz. aqui eu provei o melhor creme de milho do mundo. e sabe o que eles jogam na sopa, além de queijo? azeitona triturada e ovos cozido. e é maravilhoso. os canelenses param o carro pra você atravessar, como se estivéssemos na europa. na panqueca também vai ovo, além de passas. quase uma empanada. quando querem dizer blusa canelada e de gola alta, falam básica de malha. e não malha básica. invertem também a hora da sobremesa, pois a coisa mais comum é ter abacaxi com canela ou doce de laranja com calda junto às refeições. eles espalham bonecos pela plateia enquanto a peça está no palco, são bairristas pacas, mas sabem, como poucos, ser gentis, atenciosos, uns queridos. bahhh, os homens olham bem no fundo do seus olhos quando falam. e são bunitos, minina... os canelenses são muito mais o grêmio que o colorado. e insistem em dizer que a cidade está crescendo e te acham uma doida ao saber que você cruzou ponta a ponta a pé. têm a coisa mais gostosa do café da manhã, que se chama nata, um tipo de requeijão dos deuses. e misturam no pão de beterraba a nata e a geleia de amora, que eu não sei como definir. são pontuais por demais e cantam as palavras com um doce e empolgado sotaque gaúcho, tchê!

4 comentários:

Camila disse...

O prefeito da cidade precisava te dar um dinheirinho muito justo por esse texto, porque me deu muuuita vontade de ir pra lá agora!

isabela disse...

minina, eles são bunitos mesmo? capaz...
mas eu queria era comer tudo isso aí. dá até pra trabalhar duas vezes e fazer tb matéria pro paladar, bah!

thais disse...

ahaha. imaginei vc comendo de tudo e arregalando o olho daquele jeito...

nana disse...

ai, meu deus, que texto saboroso! quero experimentar tudo isso!!!