17.7.09

SER MULHER



um dia, sentada no sofá com o computador no colo, levantei o olhar para a parede e escaneei mentalmente meu corpo sem roupa. dos pés - sem fazer há tempos - , passando pelas pernas brancas, desidratadas e peludas, à cabeça: sobrancelhas à espera de crescimento suficiente para reparar a cagada da última tirada, cabelo com três dedos de raiz ondulada gritando pelo retoque da escova definitiva, pontas maltratadas pelo abuso do secador. sem contar a virilha, que nem ouso descrever (por respeito ao leitor) e a consequência da falta de ginástica num corpo viciado em caloria. 

um monstro.

no outro dia, ignorei os pés (no frio, como calçar chinelos na volta da pedicure?), mas depilei as pernas. hidratei todo o corpo, como que polindo o branco da falta de sol. me dei por satisfeita, esforço demais para um dia só. e apenas na semana seguinte marquei (e desmarquei três vezes) a designer de sobrancelhas. até que finalmente pus fim às taturanas que me pesavam o olhar. 
hoje, decidi encarar os cabeleireiros - no plural, porque o melhor corte e a melhor definitiva acontecem de ser em salões diferentes. marquei ambos, fui no primeiro e desmarquei o segundo. não dá, fica pra semana que vem. mês que vem. ano que vem. ou, quem sabe, pro dia que eu decidir fazer o pé, voltar pra ginástica, comer menos, ter um filho, plantar uma árvore. escrever um livro? work in progress!

in progress também esta pelagem constante que me aproxima tanto do macaco. porque o mais complicado disso tudo é que o crescimento nunca para. e quando o cabelo ficar bom, a sobrancelha tá grande de novo e já dá pra fazer trancinha nos pelos da perna.

por isso que nem perco tempo depilando a virilha. masoquismo dessa grandeza precisa de um estímulo à altura (largura, profundidade). aos mentes sujas, que fique claro, estou me referindo ao sol de verão.
(hã hã)

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