30.9.09

E ZILDA TAMBÉM É FAVELA

pra lembrar 

* de todas as vezes que eu fui pro guarujá com o sandro (e não foram poucas, e foram todas ótimas e vão ficar guardadas num espaço de tempo que posso dizer agora que já foi)

* do meu apelido mais querido que, espero, não fique por aqui, nem por agora. e se ficar, que seja só porque foi substituído por outro, mas dado pela mesma pessoa. tharuga.

[foto da última dessas viagens ao guarujá, agosto/09]

VOU MORRER DE SAUDADE


quem é que vai me chamar de zilda? zilds? zildinha? quem? quem? quem?

[e falando nisso, acabei de lembrar que... post acima, djá]

O MESMO


quando começou a reforma dos elevadores do meu prédio, eu torci o nariz. no de serviço, a "embelezura" a mais o deixou com seis centímetros a menos, ou seja, projeto funcionalidade zero. no social, quando começaram a colocar umas placas de fórmica imitando madeira, quase morri pensando que iam encapar também as portas de madeira maciças -  mas não foram tão longe na viagem. então relaxei e comecei a me divertir. tem umas placas de aço escovado que aumentam a silhueta, tipo espelho que deixa a pessoa mais gorda. minha bunda fica gigante, parece elefantíase. o espelho novo e a luz  forte são tão bons pra detectar cabelinho branco que uma madrugada de insônia eu levantei da cama, peguei uma pinça, prendi a porta e fiquei lá arrancando os putos. hoje me dei conta de que colocaram uma barra de apoio (pra pessoas idosas) igualzinha à barra de academia de balé.

[e o que a foto do val kilmer de jim morrison tem a ver com tudo isso? aquela ceninha do go down on him no elevador...]

DIA #18. OS 12 TRABALHOS DE ISABELA


eu não ia mais pegar frila, pra poder me concentrar apenas na viagem e no esvaziamento do apartamento. mas então achei que uma graninha extra cairia bem e peguei duas matérias ontem. hoje, contatei umas fontes de manhã e fui pra casa dos meus pais arrumar uma das malas, que vai pro rio. fiquei entre o quarto, a mesa de passar roupa e o computador, fazendo rodízio, de lá pra cá. no que vira minha mãe e diz que já que eu tava de bobeira... ma cuma? pessoas hiperativas passam a ideia de que não fazem nada porque,  sem parar quietas (nem parar de falar), fazem tudoaomesmotempoagora. 

é injusto. injustíssimo.

FRIO E GAROA NA ESCURIDÃO



ao lembrar do episódio da música do ira!, veio junto 'são paulo'. e se eu não gosto muito do país, o mesmo não posso dizer da cidade. me siento 100% paulistana.

DANCINHA SUJA


uma amiga comentou que viu no fantàstico casais que ensaiam a danca final do dirty dancing para a festa de casamento. isso mesmo, os pombinhos e alguns convidados fazem a coreografia inteira com direto a pulo da noiva com vestido bolo e tudo. tem ate um professor de danca brasileiro especialista no assunto. vale a pena rever a cena final para lembrar e ver a materia para comparar.

nao reparem nos erros. teclado francés.

29.9.09

DIA #19. A CIDADE IDEAL




"(...) só que, à medida que a gente ia caminhando,
quando começamos a falar dessa cidade, 
fui percebendo que os meus amigos 
tinham umas ideias bem esquisitas sobre o que é uma cidade.
umas ideias bem atrapalhadas, cada ilusão!
negócio de louco"

"mas não, mas não, o sonho é meu e eu sonho que...
deve ter alamedas verdes a cidade dos meus amores"

[chico, te lovo]

28.9.09

MINHA FOLHINHA DE PAPEL

eu penei e penei e penei pra fazer um cabeçalho pro meu blog de memórias. então tive uma ideia, tentei executar e morri na praia. desisti e pedi pra alguém que realmente manja fazer pra mim. mas não apenas sem quase dar coordenadas como sem contar o que tinha em mente. e eis que a lu orvat, a designer ultra delicada que é também master of the universe em estilo, (e leitora de pensamentos) adivinhou! lindo, lindo, lindo, amei. e é a cara do blog!
mais feliz impossível!

DIA #20. EIRAS E EIROS

costureira, cabeleireiro, sapateiro. e brigadeiro, porque eu não sou de ferro. agora, red bull pra ajudar os trabalhos na... esteira. que, como disse, não sou de ferro. tô mais pra gelatina.

[mas hoje não teve choradeira]

27.9.09

EXOCET, CALCINHA - VI



+ liseuse

DIA #21. NO CAMINHO CERTO

o post inteiro, da carta com cd que o luiz me mandou da bélgica, eu escrevi no abre o fundo. mas então, relendo, vi que aos 30 (ele é dois anos mais velho que eu), meu irmão tinha toda a sabedoria que preciso hoje. talvez por estar morando na europa na época - e sentindo um pouco do que sinto agora. faz 6 anos que ele escreveu as palavras abaixo. guardadas, não por acaso, para me lembrarem que estou no meu caminho - e por isso certo. a verdade é que são palavras atemporais. o timing da leitura é que as transporta tão adequadamente para o já.

"então é isso: parabéns pelos seus 28 anos (você prestou atenção à capa, espero!)! a vida não pára, não é assim? e como diria raul seixas, "não sei pronde tô indo, mas sei que tô no meu caminho". pode parecer babaca, mas é extremamente profundo isso, meio budismo, meio filosofia ocidental. por que? porque a gente sempre está no nosso próprio caminho, a gente nunca desvia dele. desde que a gente começou a andar, a gente começou a percorrer um caminho, que é o nosso. é o nosso porque é a gente que caminha. e pensar assim tranquiliza um pouco nossas angústias pós-modernas, porque a gente para de pensar que a gente deveria estar fazendo outras coisas, percorrendo outros caminhos, caminhos dos outros, caminhos universais. não, a gente sempre está no nosso próprio caminho, por mais difícil e insensato que ele possa parecer. e por ele ser o nosso caminho, a gente precisa aprender a tomar consciência disso, e tomá-lo nas mãos, ser sujeito de nossas próprias escolhas."

[amanhã, dia #20, número redondo, pânico em sp]

26.9.09

DIA #22. BREAKDOWN



eu devia era ter ido pro clube virar lagartixa debaixo do sol. mas minha cabeça exagera agora no que já é de costume: pensar a milhão. e se fosse só isso, ainda vá lá. mas meu corpo acompanha essa mania de fazer mil coisas, pensar outras quinhentas e ir interlacando até que o corpo grite de tanta dor. são detalhes. se deito pra relaxar, meu olhar continua panorâmico percebendo que as plantas precisam de água, que vale a pena mudar elas de lugar, que tem um quadro torto, uns papéis para guardar. se sento na frente do computador e levanto para ir ao banheiro (uma constante fisiológica) descubro roupas a guardar no escritório, que é do lado do quarto, onde ficam algumas gavetas que ainda não foram esvaziadas. então algumas roupas precisam ser dadas, outras encaixotadas, outras lavadas e lembro da roupa limpa dentro da máquina - preciso colocar no varal. na área, mais um monte de outras pendências que precisam ser feitas naquele minuto e que me lembram que preciso comprar uma tomada. vou pro computador atualizar a lista do que falta. então faço um post e descubro uns blogs, que não consigo ler por causa da súbita lentidão da internet. enquanto isso, fumo um cigarro, abro uma lata de coca e tenho vontade de fazer xixi de novo. descubro, no banheiro, que o armário precisa ser esvaziado pra daqui uns dias, mas o papel higiênico comprado até amanhã. hoje, ainda, teria que prestigiar uma amiga, mas corpo moído, falta de carro e tanto trabalho em casa... me sinto culpada. há algumas noites durmo no sofá da sala, porque ir ao quarto parece relaxo. e quando deito, lá vem os olhos observadores do que está errado. sigo assim sem parar, sem parágrafos, sem respiro. e, pior, a sensação é de que não adianta fazer, tudo falta.
melhor seria se eu tivesse aproveitado o sol, com ipod espantando o pensamento obsessivo e com o corpo deitado. mas tinha a culpa de não ver a amiga, a encanação de estar gorda pra colocar biquíni.  lembro que ainda dá tempo de fazer uma esteira, uns pesinhos, mas não me permito porque há outras coisas mais urgentes. e meu corpo dói. penso se doeria menos se eu me exercitasse ou se dói tanto que não vale a pena me exercitar.
hoje, pela primeira vez, me deu vontade de chorar por essas coisas. mas só consegui uma lagriminha e, ainda assim, por causa da internet lenta que não acompanha a rapidez dos meus cliques desperados. que chorar pelas beiradas é menos nocivo às questões inerentes à escolha de viajar, a um superego excessivo (em busca da perfeição) e à dificuldade de delegar. 
porque no meio disso tudo fiz questão de comprar humus, terra adubada, adubo líquido e deixar minhas plantas nos trinques pra thais. ela sabe fazer, mas quem disse que eu me permito deixar alguma coisa fora do lugar? me permito um quintana, though:

todos estes [pensamentos] que aí estão 
atravancando o meu caminho
eles passarão.
eu passarinho!

A MELHOR IDADE


excesso de doçura no sangue, mas não de açúcar
ossos leves e aerados, mas sem osteoporose
nostalgia, mas só para escrever
rugas de rir e chorar, mas que não marcam a pele
dor de cabeça, mas só de ressaca
cansaço nas pernas, mas de tanto andar
insônia, para aproveitar todas as horas da noite
solidão, mas só nos momentos de leitura
cabelos brancos, mas só para evitar filas
diminuição de audição, apenas para palavras desagradáveis
colesterol alto, mas só como desculpa para comidas mal feitas
excesso de frio, do tipo que ajuda a manter a elegância
pressão alta, mas só para colorir emoções sem graça
incontinência urinária, apenas durante ataques de riso
teimosia, só como disfarce para se conseguir o que quer
taquicardia, mas só para chamar de batedeira
consultar o médico regularmente, mas só porque ele é bonitão. um colírio para a diminuição da visão, que só acontece quando há imagens feias.


25.9.09

"CONFORTO"


"o que me conforta é uma vizinha que se casou pela segunda vez aos 70 anos e disse que nunca havia sido tão feliz, uma colega de trabalho com gravidez saudável aos 43, sebastião salgado ter começado a fotografar depois dos 40, grupos de naturistas cinquentões (não vão jovens, sabia?), saber que toda escola de samba tem sua velha guarda.

então, enquanto houver pernas, haverá carnaval."

pedacinho lindo de um post idem de um blog chamado 'em obras', escrito pela lena. e que me faz ter mais e mais vontade de viver tudo o que eu nem imagino que existe, seja no lado claro ou escuro da vida. que a mistura, olhando em perspectiva, dá um degradê incrível. mas tem que exercitar o olhar.

LEMBREI!

antes de mais nada e em minha defesa, esclareço que lembrei do cara da foto antes mesmo do comentário infame do marsiglia (", não se lembrar de uma encoxada é o fim. nem mesmo se fosse num busão, ô dama do lotação"). isto posto, aos fatos:

*encafifadíssima, fui andando pela rua (agora que sem carro e, não, marsiglia, não ando de busão, prefiro ir a pé) analisando a foto, praticamente pedindo que me contasse a história daquele dia. então, fiz uma conexão: câmera manual, foto de filme, capovilla, luciana figueiredo e bingo: foi o cara que conheci no dia em que fui com a ju, amiga da lu, no quitandinha. então lembrei até dos detalhes. 

* o cara sentado no balcão, olhando pra mim, sentada na mesa

* eu na fila do banheiro, depois de unas cervezitas, do lado do balcão, indignada porque o cara continuava olhando apesar de conversar com a garçonete.

* meu momento louca bêbada de ficar indignada, dar ouvidos e voz à tal indignação (non sense), ir até o cara e dizer "como é que você fica me olhando e xavecando a menina ao mesmo tempo? 

* o cara ir até a mesa se explicar (?)

* ficando com o cara e morrendo de vergonha porque ele colocou a mão na minha perna (no bar, sem baixaria, hein, marsiglia?) que parecia um cactus com os pelos pinicando

* eu numa fase lou reed, o cd tocando no carro e ele cantando e dando risada "shave her leg and then he was a she/ she says, hey babe, take a walk on the wild side")

* aí a gente veio aqui, tirou uma foto. mas pouco mais do que isso. se muito mais do que isso, eu não teria tido amnésia. é que apesar de lindo, ele era uns dois anos mais novo do que eu. e não rola. 

[este post é muito mais a cara do abre o fundo. mas dadas as circunstâncias...]

DIA #23. DERMATOOOOO


me conhece bem? se sim, sabe que eu ainda tenho mais duas consultas antes de viajar. 

PEGA ESSE AVIÃO



essa encaixa perfeitamente na contagem regressiva, mas não só de hoje, de todos os dias.
vou pegar esse avião, eu tenho razão de correr assim, mas não do frio e sim pra ele. só não vai dar tempo de beijar o rio, nem meu carioquinha, mas deixo os aventureiros lançarem mão, o theo merece.
peço perdão pela duração ainda não sabida dessa temporada e pode dizer que me viu chorando, ainda muito eu vou chorar. e pros da pesada, opa, eu vou levando, eu mesma digo. que anda é muito boa a vida, à toa ou não, aqui ou lá. e nem preciso dizer pra me mandar notícia boa porque eu sei que farão. meus queridos que ficam e vão comigo no coração.
mas ainda falta. ainda faltam 23 dias.

[acho que já ouvi essa música 780 vezes hoje]

SOBRE ONTEM À NOITE - EDIÇÃO EXTRA


este não é um post convencional da série "sobre ontem à noite" porque nem a thais nem o marsiglia estavam comigo na festinha (e também por isso mudei o nome de 'special edition' - que sem eles não é especial - pra edição extra). mas é que álcool + scanner (sua mente pode destruir) fizeram surgir um novo tipo de don't drink and _____. o don't drink and post - a não ser que você queira abalar sua reputação de jornalista no quesito "eu sei escrever direito, tanto ortográfica como formalmente"; sua reputação de mulher direita (não saber quem é um cara que tirou uma foto com você na sua própria casa é fueda); a reputação de terceiros (vai que o cara agora é casado, tem filhos...).
é claro que, diferentemente dos don't drink and dial/email/text, o post não leva à ressaca moral (se bem que nem ao prazer imediato, mas chega de slutices escritas por esta semana) e, no máximo, vai te divertir no futuro. 
e olha que o futuro é hoje!

[da péssima construção alcoólica do texto não vou nem falar. mas dos erros de ortografia, sim, tenho uma observação. que bom que desta vez posso usar o teor etílico pra me escusar. difícil é, ao fazer uma busca nos outros "sobre ontem à noite", encontrar um trás no lugar de traz. e lembrar que não foi a primeira palavra indecentemente escrita]

[do título, afe maria, procura-se ainda vai. mas s.o.s. soa algo como desesperador... "vai isabela, pega esse avião, você tem razão de correr assim..."]

S.O.S. PROCURA-SE

tá bom, vou aproveitar que eu tô bebada pra fazer um post que não tive coragem mais cedo (será que deixo os erros de digitação que tão rolando ou corrijo? vou continuar corrijingo)
enfim, oje, escaneando fotos mil do passado, encontro essa foto acima. vejo, pelos quadros na parede, que é aqui em casa (eram assim, já não são mais), enfim, NÃO SEI QUEM É ESSE CARA AÍ DO MEU LADO. eu sei que a gente não usa caixa alta no blog, mas gente, é muito bizarro isso, como é que um cara pode ter vindo aqui na minha casa, tirado uma foto comigo numa câmera manual (é minha pulseira ali, ó, uma pulseira que minha mãe trouxe de viagem há trocentos anos, só eu tenho - quer dizer,tinha, porque eu perdi. ai, será que alguém achou e invandiu minha casa e tirou um foto manual com um cara bonito? acho que não)
enfim, é minha pulseira e sou eu e um cara bonito que veio na minha casa e tirou foto manual comigo e eu sou uma slut e eu não sei quem é.
enfim, quem é você? cara bonito, se você souber quem é você nessa foto comigo, se comunica porque eu não lembro e juro, não sou slut, mas parece foto fantasma, não lembro de você, nem desse momento,tá, tchau, vou dormir,tô beba. beijo, se liga.
fui.

24.9.09

I'M SO SORRY



passei o dia com essa música na cabeça, no special reason.
reminiscências...

COM O FRIOZINHO DE HOJE



se eu fosse uma gatinha, ao invés de estar resolvendo problemas com a comgás, queria estar como na primeira foto. e se eu fosse um gatinho, como na segunda.

DIA #24. SAUDADE À VISTA

100mililitros.strongfriendship.com
since nov 2006
teen cork wall for grown up girls

[sim, é teen pra cacete. mas é bom pra caralho]

* brinde no guatón em noite de nada
* casa da tati
* abraço aerodinâmico
* peitões de almofada e slut face
* caretas de barbooosa
* meu aniversário na mercearia
* meu aniversário em casa
* "trabalhando" na trip
* before party na casa da manu
* aniversário da manu no guatón
* casa do meiguins na era meiguetes
* meu aniversário no gigio
* aniversário do rildo com feijuca na lapa
* squeezing little dogs numa petshop

23.9.09

DIA #25. GRIPE

é, gripe. são as águas da 25 de março (compras com chuva, really?)
agora é rezar pra passar logo e ligar de novo no 220 w. 

[começou a insônia]

21.9.09

DIA #27. EXOCET, CALCINHAS!

25 de março. a lojona de sempre (ótima), preço bom, zilhões de marcas. 15 calcinhas novas, oito meias e três camisetes fofas. delícia. mas não acabou. quero dar um pulo na siricutico. pulinho, porque já falida.

18.9.09

PERFEIÇÃO EM FORMA DE BEBÊS

assim são meus sobrinhos. dois menininhos que despertaram um sentimento que eu não sabia existir dentro de mim. o maior amor do mundo.

(tão grande que me permito postar uma foto em que meu nariz está gigantesco. mas e a boquinha de luiz do tomás?)

JEANS COM JEANS

quando um é mais claro e outro mais escuro, gosto muito do jeans com jeans. claro que, como todo mundo diz, tem que tomar cuidado pra não parecer sertanejo. por isso coloco aqui uns links do povo blogueiro da moda e suas dicas preciosas.

agora que sou rica, que também linka pra um vídeo da mtv e pra dois (um e um ) editoriais do chic. e descolex.

DIA #30. MUDANÇAS


"um dia a gente acorda e percebe que mudou, depois de levar muita porrada e ter os ossos moídos junto aos sonhos.

um dia a gente acorda e percebe que nem toda mudança precisa ser amarga, 
embora o que nos mova seja sempre a dor, esta parceira do imprevisto.

um dia a gente acorda e descobre do lado do avesso um espaço zen, uma espécie de paz interior que nos adula e acaricia, como se a mãe voltasse a nos pegar no colo.

neste dia, inexplicavelmente,
decidimos que o melhor a fazer
numa manhã é plantar um girassol
só para ver, dali a um tempo,
sem angústia, dilema ou rejeição, 
que a vida dança a dança dos dervixes...
e que a nossa entrega à vida
é um ritual sem hoje nem amanhã.

a felicidade pode ser o ato de movimentar-se
como os girassóis, para lá e para cá,
só para ver onde começa e onde termina o dia...
sem pressa. 

os acontecimentos não nos pertencem."

hoje eu acordei e me dei conta de que é o dia do primeiro dia da contagem regressiva.
e em busca de algo que me inspirasse, achei, como vira e mexe acontece, no blog da nana. mas desta vez não foram palavras dela, foram de célia musilli. o que me dá uma quase certeza de que as tais as 7 pessoas pelas quais estamos conectadas (ou algo que o valha) nas redes sociais podem pegar um atalho no viés do sentimento - serem só três e fazer todo o sentido do mundo.

(que se a nana me incluísse na lista de pessoas para as quais ela manda emails lindos, eu também responderia agradecida. agradecidíssima)

imagem de knittingunderway, na cor de saint germain, da transmutação

16.9.09

LONDON, LONDON

eu li o texto abaixo em junho, quando foi publicado (no dusinfernos) e achei muito engraçado. mas só tem graça se for lido até o fim. comprido (e olha que eu editei), mas juro que vale a pena! 

"nos idos dos anos 80, eu tinha um sobretudo de lã preto que comprei em um brechó e simplesmente era um sucesso. todo mundo, até no satã, o templo do sobretudo da época, elogiava meu sobretudo. era incrível como, ao colocar aquele sobretudo preto, me tornava uma pessoa automaticamente elegante. 
no final dessa mesma década ganhei meu presente de cinderela, meu sapatinho de cristal (ou rubi), o sonho de toda uma geração: uma viagem a londres, a cidade do sobretudo preto (pelo menos no meu imaginário).
naquela época não eram coisas simples assim viagens internacionais - tudo bem que já tinha avião. mas notícias de deportação de estrangeiros do terceiro mundo, de desconfiança por parte da imigração, me fizeram pagar um curso de inglês meio caro (para mim, à época) e meio a contragosto. bom, essa política de portas fechadas não mudou nada, aliás, piorou.
também não se ia direto para londres, quer dizer, gente de classe média, como eu, pagava mais barato indo até barajas, em madri (esse lance de bruxelas é muito anos 90) e ali era a primeira fronteira. você podia (pode) ficar por ali, como tinha acontecido com um grande amigo meu (por isso o curso de inglês, por isso o europass, por isso um gasto absurdo... para conhecer uma cidade como turista).
ufa, passei sem problemas, disse que ia para londres e eles, acho, pensaram que a aduana de lá me colocaria nos eixos se eu estivesse tentando entrar como imigrante ilegal.
lembro de pegar um trem e ir direto para paris. passado, nos dois sentidos, o meu primeiro fim de semana em paris, parto para a meca da modernidade: londres. era inverno e, como todos dizem que temos que nos apresentar bem vestidos na imigração, vesti meu sobretudo. mas na imigração não pararam de me fazer perguntas. mostrei o curso, mostrei o lugar em que ia ficar, mas eles olhavam muito desconfiados - e eu sem entender muito. depois de um bom tempo em dover, me liberaram, com visto de um mês - o normal seria um de seis. fiquei intrigado com o tratamento, além de achar absurdo todos os mecanismos e jogos para entrar em um país (e de ter aceitado o jogo). me senti diminuído. 
no segundo dia, passeando pela cidade, vejo que meu sobretudo é idêntico ao de muitos mendigos. 
me apresentei como mendigo para as autoridades da imigração, apesar de jurar que vestia um glamuroso look de algum filme dos anos 20."

EM CARNE, TECIDO E OSSO






na próxima (outubro) harper's bazaar américa, tim burton inspira e participa de editorial. luxor.