
tem uma senhora de olhos puxados e filho pequeno, aqui no meu prédio, com quem quase tive o prazer de compartilhar o silêncio à espera do elevador. mas porque crianças orientais são irresistíveis, tirei o olhar do local reservado ao constrangimento e me pus, leve sorriso nos lábios, a observar o menino. então a senhora virou para mim e perguntou se eu tinha um daqueles.
hmm.
nos minutos seguintes, travamos um diálogo que misturava inglês, uma outra língua que o puxado dos olhos não identificava e gestos que remetiam à crianças, barrigas, número de filhos, etc. ela cismou que eu deveria ter - e logo - meu próprio filho. hurry up, repetia, a cada fim de frase multi étnica.
eu juro que tentei. disse que, sim, quero ter um dia. "tenha agora, hurry up". disse que não tinha filhos, mas tinha sobrinhos. "você tem que ter SEUS filhos, hurry up". disse que ainda não tinha marido. "procura na internet, hurry up". disse que tinha 34 anos". ainda dá tempo, hurry up". consenti, já que não tinha mais nada a dizer. "minha irmã acabou de ter o terceiro, hurry up".
já no meu andar (o segundo), a conversa que deveria chegar ao fim, chegou ao ápice. enquanto a miniatura oriental mantinha a porta do elevador aberta, a senhora olhou para mim e disse: quer ajuda?
o que, na verdade, ela estava me oferecendo?
1. conexão de internet, computador, sites de relacionamento
2. o filho dela
3. uma noite com o marido dela
4. um dos filhos da irmã dela
[e, assim, uma senhora maluca, que mora no quarto andar do flat 7, caliban tower, purcell street, inaugurou o primeiro post de uma série de muitos sobre londres. 16 days later. it was about time. hurry up]