28.2.10

QUANTO MAIS MEDO EM ME PERDER, MAIS PRAZER AO ME ACHAR


naquelas de organizar o google docs, ontem eu fiquei meio impressionada com um texto meu absolutamente depressivo. mesmo que muito antigo, mexeu comigo. porque sempre tem alguma coisa na essência. então fiquei meio pra baixo e em vez de fazer tudo o que eu tinha me programado pra fazer (cinema), fui até a casa da marina, em notting hill gate. o que eu não sabia era que levaria exatamente duas horas e trezentos e cinquenta vagões para chegar lá porque várias linhas estavam fechadas. era tanta muvuca, tanta troca de itinerário e tanto delay que eu pensei várias vezes em desistir, e uma em chorar. cheguei lá, comemos, bebemos, fumamos, conheci o ótimo flatmate dela (que foi um gentleman e me acompanhou até o ponto do ônibus depois) e passou.

mas, hoje, o ICA não me escapou. cheguei nele procurando um filme - she, a chinese. aí descobri que não era só um cinema e sim um instituto de arte contemporânea, lindo, perto de trafalgar square. mas tudo isso ainda virtualmente. quando eu olhei no site o 'como chegar ', tinha aquele tipo de explicação literal para desorientados como eu: to reach the ICA from charing cross exit the station and follow de signs for trafalgar square. at the square head through admiralty arch near the south west corner. this brings you on to the mall. the ICA is approximately 50 metres on the right hand side.
ainda assim, me perdi. andei pra lá e pra cá, fui e voltei e perguntei pra quatro pessoas, até achar.
achei. comprei o ticket e comi, antes do filme, o melhor cheesburger vegetariano do mundo (beringela e queijo de cabra com sei lá mais o que - me dá água na boca até agora) e depois sentei na minúscula salinha de cadeiras de veludo vermelho pra assistir ao filme. eu tava tão realizada por estar naquele micro cinema retrô que, de felicidade, abraçava o casaco no meu colo. mas tudo bem contido e só enquanto passava o trailer.
quando eu saí do ICA, já era noite. virei a direita, me deparei com os degraus e o obelisco da the mall e pensei: preciso fumar um cigarro pra comemorar essa cena linda. dois tragos e a maior e mais curta chuva do mundo caiu  sobre mim naquele momento. do tamanho exato do toldo que eu não encontrei até que virasse chuvisco. pode não ser o tipo de grand finale que se espera. mas não dá pra negar que foi um grand finale. então resolvi achar lindo, como tudo hoje - incluindo o filme, antes que eu me esqueça de dizer.

25.2.10

EL SI FUE Y YO ME QUIEDO ACÁ

ano: 2003
quando: fim de manhã, depois da terapia
onde: franz café da fradique coutinho
assunto da não-conversa: trabalho numa editora
onde eu escrevia: num caderno de pensamentos
o que eu fazia além de ouvir, pensar e escrever: fumava um cigarro
o que eu senti quando o homem levantou: um sentimento familiar de frustração
por quem meu coração batia: pelo sandro, claro

se eu lembro de tudo isso porque anotei no caderno e depois digitei no computador? não.
eu lembro de tudo isso porque minha memória é freak. simplesmente freak.

HAVE YOU NOTICED THAT THERE'S A NEW MOOD AROUND IN 2010?



esse é um trecho do último (embora não explicitado na revista) editorial da finada the face. foi em maio de 2004 e eu ia fazer 29 anos. copiei esse parágrafo do meu exemplar (course que eu tenho até hoje o derradeiro issue) num arquivo de word para confrontar parte das ideias do neil stevenson, editor chefe, com o que eu andava lendo sobre balzaquianas e pré-balzaquianas: uma babaquice cafona sem tamanho.
descontextualizando do meu foco inicial - já que tenho 34 e as revistas femininas nem tem como me classificar agora - e trazendo pra londres, o lugar em que as palavras dele nasceram... parece mágica, tamanho o encaixe.

mas tem mais. é de verdade.

[organizar o google docs tá sendo incrivelmente prazeroso]

COEXISTIR



pouco ou nada importa o que você faz entre quatro paredes. o que quer dizer que pouco ou nada importa o que você faz na cama. tampouco se você faz na cama ou prefere o chão, o sofá, a tampa da máquina de lavar roupa. se não faz. se faz com alguém do mesmo sexo ou com alguéns.

e nada, absolutamente nada disso seria tabu se pessoas que não lidam bem com seus desejos, um dia, não tivessem tido o poder de determinar regras.


[o nome do texto acima, escrito faz tempo, é originalmente 'i don't give a shit'. porque um dia eu quis fazer uma revista que tivesse como premissa todos os tipos de intolerância (a gays, velhos, deficientes, pobres...) refletida do editorial de moda à música, passando por colunas e matérias legais (não rasas que nem a tpm, que finge fazer). falando nisso, na vogue deste mês: "poo: the last taboo". vou comprar e depois posto, dizendo: não, absolutamente, a tpm não deu antes. if you know what i mean - e isto não é um trocadilho]

- isabela, o parêntese-travessão não pode ser maior que o texto.
- yeah... i don't give a shit.

imagem: coexistence, de shira sela


24.2.10

MAS COMO É QUE A GENTE VOA QUANDO COMEÇA A PENSAR


encontrei esse pequeno post num blog do blog roll da dri. não conheço a dona dessas palavras. mas ela poderia tanto ser eu que me dá até arrepio.

23.2.10

NÃO ERA VINTAGE, ERA VELHO MESMO



naquela primeira volta que dei com a claudia em covent garden, logo que voltei pra londres, entramos na urban outfiters e eu saí de lá com o relógio da casio que postei aqui em junho do ano passado. na verdade, o que comprei não foi o de calculadora - não tinha - mas sim o igualzinho ao meu primeiro relógio (com luz verde e tudo), só que dourado. sonho de consumo, anyway.
mas a tatuagem no braço ainda saindo casquinha e o frio que obriga a usar só manga comprida deixaram o relógio na gaveta, assim como a falta de um fato como o de hoje deixaram a novidade fora do blog.
é que, por sorte, moramos na divisa entre um lugar muito cool e outro muito furreba. neste último, tem o iceland, o supermercado tosco em que compramos água, papel higiênico, papel toalha e outras cositas assim beeeem baratas. o que vem a ser um luxo. eis que o caixa que me atendeu hoje estava usando um igualzinho, prateado já descasacado, da idade provavelmente do que ganhei quando tinha 9 anos.

e assim se foi, pela segunda vez nesta semana, meu glamour.

19.2.10

MELHOR DORMIR E SONHAR, ENTÃO


falando em assopro, eu levantei a gola da minha blusa e joguei um bafo quentinho aqui dentro. faz frio fora. até o aquecedor alcançar o peito, já morri de calor nas extremidades.
nunca funciona tudo ao mesmo tempo.

tempo é o verbo que mais conjugo. dá uma busca dentro de mim pra você ver.

...

tem três homens e um cachorro passeando na rua. um deles tem uma barba grande. eles não congelam porque estão acostumados, eu acho. os quatro e a barba que fuma. eu gosto de barbas que fumam. mas minha barba não passeia no frio. e minha barba também não é minha. já sou grande para entender isso - e  de novo o tempo, que passou. mas não deveria ser para sempre?

na história que me contaram quando criança, o pai era o primeiro e grande amor na vida da filha. vai ver, era só para eu dormir.

COULD BE YOU


could be me é um projeto coletivo de vários (mas vários) artistas que transformaram uma única frase em diferentes obras. para você morrer com a maioria delas e se lançar imediatamente para o site/tumblr/flickr de cada um dos caras.

EU QUERO TE FILMAR


só em julho, saco.

(I'M A) GIRL, INTERRUPTED



você acorda empolgada e faz nada. culpa a insônia, o pesadelo, a falta de cobertor, embora nada disso tenha acontecido.
uma hora a menos desde que você saiu da cama.
o café esfriou, amargou, acabou e você credita o sono a ele, embora nada disso seja verdade.
duas horas desde que você decidiu mudar a vida.
fuma um cigarro pela metade, apaga, joga fora. acende o próximo café, traga a frase derradeira, conclui escrevendo fumaça.

e assompra. embora tudo isso faça sentido.

17.2.10

O REGIME DO PAU DE MACARRÃO


"já te falei que minha cabeleireira é doida, né? agora ela veio com uma... disse que todo dia passa pau de macarrão na barriga, na perna e no quadril, pra emagrecer."

(erva? simpatia? surra?)

"e o pior é que funciona mesmo. a cintura dela tá fininha e até o professor de ginástica notou que ela perdeu medida."

não é erva nem simpatia, mas surra não fica muito longe da ideia elaborada pela cabeleireira da nilda. que consiste, segundo minha massagista (no brasil, claro, porque só me faltava fazer massagem aqui, em pounds), em drenagem linfática com utilização de bambu. o mesmo que ela usava em mim no fim da sessão com as mãos. "opa, já que dá certo, me diz onde compro um bambu, pra levar pra londres.". "que bambu que nada, usa pau de macarrão mesmo. é mais fácil pra fazer em si mesma".

e assim se foi meu glamour...

NOIR, NO AR - II


(same: de algum tumblr)

16.2.10

NOIR, NO AR - I



(de algum tumblr)

'ADOBE PHOTOSHOP COOK'



muito muito bom!
via likecool

UMA CALCINHA CHAMADA ESPERANÇA


podia ser qualquer outra marca brasileira de calcinha com nome internacional (valisére, nu-luxe, hering, puket). mas era hope. e porque nossos ouvidos estão acostumados, não traduzimos nome de marca.

agora, imagina um cara de língua inglesa lendo, do lado de fora de sua calcinha, na parte de trás, a palavra "esperança"...

é, ele leu. pra minha sorte, em voz alta, dando risada.

[saint clumsy's day (valentine's as well) - the tiny detail]

"BEGINNER"


de squeak carnwath

DE BERGMAN A BALA, SMILE!


dei um google no 'smiley face' e olha que interessante o que achei na wikipedia:

"the first smiley face recorded on film can be seen being drawn in ingmar bergman's film "hamnstad", released in 1984. the film is a drama about a depressed and suicidal young woman named berit and in one scene she draws an unhappy face on the bathroom mirror using her lipstick."

e o que a maioria sabe, mas com detalhes e nomes (que já li e já esqueci):

"in the uk, the smiley is associated with psychedelic culture since ubi dwyer and 'windsor free festival' in the 1970s and the acid house dance music culture emerged during the 'second summer of love' in the late 1980s. the face was used as an engraved logo on ecstasy tablets at the time. the association was cemented when the band 'bomb the bass' used an extracted smiley from 'watchmen' on the centre of its 'beat dis' hit single."

"LAUGHTER IS...



...the second-best medicine. the best medicine is medicine", de peter serafinowicz, numa das revistas do times de domingo retrasado.

gênio.

15.2.10

SAINT CLUMSY'S DAY (AND VALENTINE'S AS WELL) - PARTE II


eu poderia ser muito ingênua, não fosse na verdade a clumsy mor do mundo vivo falante. depois de um jantar com vinho, massa e profiteroles e de um café da manhã com os melhores eggs benedict do mundo + pancakes, eu ainda achei que fosse continuar londrinamente constipada. mas passeando depois do breakfast, ai jesus, meu deus, senhor...
lá fui eu pro lavabo já íntimo da noite anterior. mínimo e sem janela. mas distante do quarto porque nem tudo na vida é desastre. ou é, já que na hora de dar a descarga, nada... desespero, drama, pavor... tentei o potinho de pout pourri pra jogar água no vaso e, nada... fiz isso umas vinte vezes. tentei a descarga umas vinte mil. desencanei e comecei a escovar os dentes. tentei de novo, de novo e de novo. tocou o telefone, era minha mãe. "onde vc tá?". "ah, mãe, isso é pergunta que se faça?". enquanto ela contava sobre as últimas estripolias do tomás, eu tentava em vão a descarga mais outras vezes e decidi que devia voltar pro quarto. com minha mãe no celular, falando sem parar.

sento na cama e ele:
i'm going to the toilette.

eu
no! wait, no!

tentava a difícil missão de desligar com ela enquanto pensava no que dizer pra ele que tentou mais uma vez o razoável "vou no banheiro enquanto você fala no telefone" e eu no "peloamordedeus espera" até que, o inevitável:

"ai, então, é que eu acho que a descarga tá quebrada... eu tô lá há meia hora fazendo tentar funcionar". "pois é, achei que você tivesse trombado com alguém no corredor e começado a conversar" (eu achando que ele estava achando coisas muito piores embora eu mesma tivesse que falar a coisa pior pra ele, enfim...) ele foi comigo até o mini lavabo sem janela, a meu pedido, me mostrar como funcionava a descarga. e eu "mas não abre a tampa!" hahahahaha, porque aí já tinha virado pataquada de novo. e pra compensar a meia hora de aperto desnecessário no cubículo eu dei mais meia hora de risada ininterrupta. e mandei uma mensagem londres-brasil pra thais. porque esse é o tipo de coisa que você precisa dividir com uma amiga :P

SAINT CLUMSY'S DAY (AND VALENTINE'S AS WELL) - PARTE I


quarenta minutos de metrô depois - e a constatação de que tinha esquecido de passar perfume + uma inglesa cara de pau pedindo pra usar meu hidratante da victoria's secret - a continuação da conversa acima foi:

entre isabela e isabela, via pensamento
que falta de cavalheirismo. eu chego e ele não tá aqui me esperando... vou fumar um cigarro pra esperar e disfarçar... hmmm, melhor mandar uma mensagem, vai que ele tá em outra saída. ok, ele disse que só tinha uma e que ia me esperar na... manda logo, saco

de isabela para martin, via txt
i'm here

de martin para isabela, via txt
me too... ??? where are you?

entre isabela e a realidade, via nenhuma, já que não havia ninguém
(ferrou)

entre isabela e isabela, via pensamento
viu, ele tava esperando, claro...

de isabela para martin, via txt
how can i tell? there's nobody here to ask

de martin para isabela, via voz
where are you?

de isabela para martin, via pensamento usualmente sarcástico
at the station we planned to meet?

de isabela para martin, via voz
at high barnet station

de martin para isabela, via voz
hahahaha it was highgate station, like 5 stations before!

de isabela para martin, via voz
are you really laughing at me?

de martin para isabela, via voz
(hahahaha) NO!

claro que já não tinha mais crédito no meu oyster. como 99% do ingleses até hoje, o cara do metrô (que surgiu depois) foi super gentil ao me ajudar a recarregar meu cartão. quando trocou as bolas e me disse pra colocar o oyster no lugar do cartão de crédito, disse, diante da minha cara de ãhn?
- desculpa, é a idade.
no que eu:
- eu entendo. era pra eu estar em highgate.

sentei no banquinho, no frio, pra pegar o trem de volta, anunciado pra dali a 4 minutos.

de isabela para martin, via txt
four minutes to get the next train and a life to get to the right place. at least i smoked a cigarette while i was "waiting for you" hahahaha

de martin para isabela, via txt
sorry, i probably confused you with my second text... you smoke??? :-)

de isabela para isabela, via pensamento 1
ai, que fofo, tá se sentindo responsável pelas minhas pataquadas...

de isabela para isabela, via pensamento 2
hmm, agora virou piadinha essa coisa de perguntar se eu fumo... yes, i do

de isabela para martin, via txt
(i did) a cigarette, even though it feels like it was a joint :P

11.2.10

I'M BACK, YOUR MAJ



first of all preciso dizer que ganhei a mini necessaire 'i heart london' da tharuga - aka thais caramico. and 'i heart tharuga'.

second of all london since i've got here:

três dias consecutivos de sol. sol mesmo, dourado, que brilha, esquenta. vento que assobia e um frio que fez nevar micro floquinhos ontem à noite. sounds perfect? it is.

tá bom, eu tiraria o vento. mas não mexeria na temperatura. tá uma média de 4 graus e é o último mês de frio.

aí que eu, picada pelo tsetse (aka lexotan) antes de embarcar, dormia até em pé no aeroporto. e no avião até paris, e na conexão pra londres, e no táxi até em casa e na cama por mais sei lá quantas horas até o dia seguinte. que foi ontem e decidi que se eu não saísse, nunca mais acordaria na vida.

vendo uma propaganda de comida chinesa, a claudia sugeriu que fôssemos num novo vietnamita e me deu vontade de comida belga. então a gente passou a tarde em covent garden, depois de comer no belgo. voltamos mais da metade dos 5km até em casa a pé - quando entramos no ônibus (eu pedi arrego), começou a nevar. lucky bitches.

10.2.10

1980

vocô joga o ano em que nasceu e vê coisas incríveis: que não sabia, já não lembrava mais, ou nem se dava conta. fica sabendo também de coisas estúpidas, como por exemplo, o aniversário de christina aguilera. eu adorei isso aqui.
dica do matias, em seu novo blog, dentro do estadão.

(só uma parte)
...in 1980, the year of your birth, the top selling movie was star wars episode v: the empire strikes back.
the 1980s were indeed a special decade. the soviet-afghan war goes on. eastern europe sees the collapse of communism. policies like perestroika and glasnost in the soviet union lead to a wave of reforms.
...the a-team and seinfeld are popular on tv. us basketball player michael jordan bursts on the scene. super mario bros, zelda's link, and pac-man gain fame in video games. people wear leggings, shoulder pads and ray-ban sunglasses.
6, 5, 4, 3, 2, 1... it's 1980. there's tv noise coming from the second floor. someone turned up the volume way too high. the sun is burning from above. these were different times.
do you know what was invented in the year you were born? the compact disc. flash memory.
...that's from the song i just shot john lennon by the cranberries.
in 1980, a new character entered the world of comic books: bananaman. bang! boom! but that's just fiction, right? in the real world, in 1980, christina aguilera was born. and christina ricci. venus williams, too. and you, of course. everyone an individual. everyone special. everyone taking a different path through life.
it's 2010.
the world is a different place.
what path have you taken?

7.2.10

"E A CIDADE TODA VEIO VER O TOMÁS"


comentário da mãe do filho quando mandei a foto tirada pela tia do sobrinho:

"meu deus! não é que esse neném deu certo?!!!!"

'BAIÃO DO TOMÁS



[obrigada, chico saraiva e luiz tatit por terem também um tomás e, por isso, fazerem a música mais linda do mundo que um nenê pode ter]


quando o filho do pai
nasceu tão bem
o avô que era o pai do seu pai
foi ver o neném
ele viu que seu filho sorria
isso já lhe agradou
era o filho que o filho queria
e que agora chegou
tinha um pouco do pai
e mais um pouco do avô

quando a mãe desse filho do pai
teve o neném
a avó que era a mãe dessa mãe
não passou bem
ela via que a filha sofria
isso lhe dava dó
mas o filho da filha trazia
uma alegria só
tinha um pouco da mãe
e mais um pouco da avó

muitos tios e tias
já davam sinais
que queriam ser os padrinhos
só falam desse sobrinho
muitos outros filhos
dos irmãos dos pais
os maiores e os pequeninos
não tiravam os olhos do primo
que dormia em paz
sonhava com os pais
avós dos pais
e todos ancestrais

era tanta gente
não acabava mais
uns pediam passinho à frente
tio do tio também é parente
e a cidade toda
veio ver o tomás
que nascera, que maravilha
o menino, filho da filha
que dormia em paz
sonhava que juntou
os tios os pais
com todos os demais

EXPRESSÕES ERRADAS 2: FIM DE FEIRA


crianças não são puras, nem anjos, nem maldade free. elas talvez sejam ingênuas e, com certeza, sua escala de valores é bem diferente da dos adultos. o que provavelmente faça com que muita gente acredite na primeira frase deste parágrafo.
por exemplo, quando eu era pequena, meus avós tiveram que ir trabalhar na feira. foi uma queda violenta no padrão de vida deles, praticamente uma vergonha travestida de "temos saúde e isto é trabalho honesto". mas dos meus cinquenta centímetros de existência, aquilo era tanto encantador quanto glamuroso: eu era íntima dos donos de uma barraca, eu, que adorava ir à feira do meu bairro para comprar fivelas tic-tac, roupas de boneca e ganhar pedacinhos de frios e frutas. na feira do bairro dos meus avós, eu fazia parte do grupo de amigos do rei.
um dia, na escola, a professora contou que era dia do feirante. meu orgulho era tanto que, mesmo tímida, levantei da carteira, enchi a boca e contei dos meus avós! só muitos anos depois entendi sua  expressão de espanto e constrangimento. num colégio daqueles, realmente, não fazia o menor sentido.
mas essa coisa de sentido é bem relativa. "fim de feira", para mim, já foi o momento mais legal do dia. era quando meu avô levava a mim e aos meus irmãos para dar uma volta na boléia do caminhão. e acho que conseguíamos, naquele curto espaço de tempo, transformar a vergonha dele em satisfação. nos sentíamos os súditos mais felizes do mundo sentados no trono ao lado do rei.

imagem

EXPRESSÕES ERRADAS 1: FIM DE FESTA



ontem, no aniversário da rita, sobramos em pouco mais de meia dúzia de gatos pinguços. fazendo música, porque assim são as festas na casa do meu irmão. rolou a tradicional suruba de instrumentos musicais e desafinamos cantando o mesmo que cantávamos quando tínhamos pelo menos dez anos a menos. a gente já se conhecia naquela época. como é bom ficar velho, putaqueopariu!

DE HOJE A UM DIA


beatles de hoje:

good morning good morning

[porque só dormi três horas desta noite de festa da ri]

6.2.10

"COLEÇÃO: CHUVA, LÁGRIMAS OU COXINHAS CAINDO DO CÉU"



outro dia achei uma imagem linda na internet - sem crédito. postei aqui, perguntei se alguém conhecia o/a artista e a manu contou, nos comentários, se tratar de luiza pannunzio, dona da loja balls. fiquei um tempão navegando e me deliciando pelo flickr, pelo site e pelo blog dela até que, hoje, sem querer, estou eu lá na loja, falando com a própria - e sem me dar conta! então bati o olho nas gravurinhas lindas e perguntei: quem é que faz? eu, disse ela. "peraí, você é a luiza?"
eu compraria todas, pra colocar nas paredes (por enquanto) vazias do meu quarto lá de londres. mas minha grana tá curta, por motivos óbvios, e levei uma só. e não pensem que custa caro (eu que tô paupérrima mesmo): 15 reais! 
o mais legal é que ela não só faz vestidos lindos e desenhos incríveis, ela também escreve bem. então é arte completa. tá parecendo rasgação de seda? tem mais: ela é uma fofa! 
passa lá, é no terceiro andar da galeria ouro fino!

(não resisti a postar também o cartão de visita. no verso, a frase de "poesia de bolso"que dá título a este post!)

[ando conhecendo pessoas incríveis antes de voltar pra ldn. dri super incluída nessa e minha companheiraça nas compras de hoje!]

DE HOJE A DOIS DIAS


beatles de hoje:

every little thing

5.2.10

SEPARADAS NO NASCIMENTO

gente, que sucesso. um programa dedicado a geisy no papel de lady gaga. sim, você pode ver no tv fama toda a transformação até chegar no momento mais esperado: geisy gaga canta bad romance. ahahahahaha. amanhã, 19h45. não vou perder!!! e a keila matou a pau!

NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA


aprendi duas expressões de sábado pra cá muito boas. gracias que não tenho como contextualizá-las agora, mas vale o post:

"vai atormentar o cão com reza" - da ana belizário

"fulano vai me quebrar o patuá" - do meu tio molino