30.6.10

CONSTATAÇÕES



eu vou morrer.
você também, todo mundo. esperamos que de velhice e eu, de preferência, dormindo.

eu vou ficar careca.
se eu continuar arrancando cabelos brancos todo dia com a pinça.

cheiro de cigarro é indisfarçável.
não adianta acender incenso pros meus flatmates não perceberem. eles ainda vão reclamar.

dois sneakers por dia engordam.
mentira quando escrevi que não engordo comendo chocolate. foi licença poética.

a palavra licença se escreve com c cedilha.
mesmo que o 's' tenha ficado ali antes do 'a' por apenas um segundo, mesmo que ninguém tenha visto, é uma vergonha.

vírgulas não são o meu forte.
são o meu fraco, entre outros muitos.

o mundo conspira contra mim.
não, ele conspira a favor, está mais do que provado. quando sinto isso, eu é que estou conspirando contra ele.

[e que imagem perfeita essa da ilustra...]

REGENT'S CANAL DAS 7PM ÀS 9PM


dois meses depois da última vez, do broadway market em direção ao victoria park. fotos tiradas com o iphone-tijolão pela péssima fotógrafa que vos escreve.

[nem eu sabia eu tamanho da saudade que eu estava sentindo]

29.6.10

ESPELHO MEU - II


as outras fotos do auto ensaio deste blog (de auto moda, mais um hoho) achei mezzo toscas. mas essa aí de cima, lindíssima. lembra desta, alejandra guerrero, que postei uma vez? não sei se bate...

MEU IRMÃO SUPER-HERÓI


ontem, voltando sozinha do pub lá pelas 11 da noite, entrei na única rua que me dá medo perto de casa e lembrei de você. lembrei de você com raiva, lembrei de quando você me chamou de mimada porque eu andava de carro e suas amigas da usp pegavam ônibus, à noite, em são paulo. e, mais: sugeriu que eu fizesse o mesmo, para que eu crescesse.
a gente era muito mais jovem. você fazia faculdade, tinha acabado de sair de casa e um abismo pareceu abrir entre a gente. senti muito a sua falta. porque você sempre, desde criança, foi meu irmão herói. mesmo quando entrava no meu quarto só para soltar o pum mais fedido do mundo e sair dando risada. até por isso.
então, nós crescemos, viramos adultos, retomamos nossa relação. você, bem mais sério do que a criança capeta, o adolescente maloqueiro, o universitário bicho-grilo. mas ainda meu super herói, mais ainda meu super-herói. e eu via assim, literalmente: working hours, o psicanalista, mestre, que trabalhou numa instituição na bélgica. mas era só tirar a camisa, o sapato e os óculos que apareciam as tatuagens. então era o skatista, o surfista, principalmente o músico. disse isso para tantas amigas, que meu irmão era o homem ideal, que sem sabermos ouviu também aquela com quem você casou. e ela, tagarela, contou para você. mais tagarela ainda, me contou que contou para você. fiquei com vergonha.

então, ontem, que pensei em você com raiva, quase torcendo para que alguma coisa de ruim me acontecesse e você sentisse remorso (mas, muito provavelmente, você nem lembre mais da frase sobre meninas e ônibus) foi só porque desejei muito conversar com você nestes últimos dias. você era a única pessoa para quem eu queria ter contado uma coisa que me aconteceu, mas não pude. queria ter conversado longas horas por telefone, como já fizemos outras vezes em que te liguei e você, do outro lado da linha, pacientemente, me ouviu chorar e disse coisas que só você, como homem, psicanalista e meu irmão super herói poderia dizer. e diria desta vez. e teria minorado o peso, a dor, a angústia que eu estava sentindo. e teria iluminado uns tantos buracos negros que eu mesma criei - e você já conhece. mas não pude.

então, fiz tudo sozinha. você teria se orgulhado de mim. como na vez em que não pude contar com você por um motivo menos dolorido do que agora (era só a distância geográfica), você diria que eu cresci, que nossa separação tinha sido proveitosa e importante pra mim. entendo. acredito. aceito. e até concordo. mas sinto sua falta pra caralho. o que me assusta, às vezes, é pensar que talvez não possamos contornar o abismo pela segunda vez.

mas isso é porque eu realmente amadureci. e, agora, consigo te ver mais humano, menos herói. e seres humanos tem problemas, são falíveis e limitados.

FASHION WORLD, YOU LOST ME


como vocês podem ler na legenda acima (ambas as fotos são da style do último domingo), flying jacket é o casaco da próxima temporada. but what the hell is flying jacket? ela mais parece a perfecto (biker jacket), mas procurando no google só achei a definição de flight jacket, ou seja, da bomber (estas duas últimas, neste post, que fiz dias atrás). ou seja, a burberry prorsum, na verdade, é uma flying jacket. ou seja, não entendi bulhufas.

olhando no site da burberry, deu pra ver que tudo tem um quê de militarismo. talvez eu pergunte pra uma das duas amigas ultra fashionistas que tenho aqui, mas, na verdade, acho que não tem muito mistério. esse povo da moda faz o que bem entende, mistura tudo, dá um nome x e você usa, porque é bonito. dentre as duas jaquetas do post, a que mais gostei foi a da primeira foto. também é da whistles e custa 100 pounds a menos que de baixo (eu tenho os 25 pounds. agora só faltam os 200).

mãs... tcharam! de que valem mesmo as amigas fashionistas se não para te contar as tendências de antemão? quando voltei pra cá, em fevereiro, encontrei a marina. ela não só me contou da prorsum (porque tinha visto o desfile da burberry na london fashion week) como estava vestindo uma flying jacket toda preta, de suede. perguntei de onde era, ela disse que era da top shop, mas antiga. eu não falei em outro post que acredito em milagres? umas duas semanas depois, voltando do planetário com o fabiano, passamos por uma feirinha de rua, ali em greenwich mesmo. e então meus olhos vêem a mesma jaqueta, por cinquenta pounds. usada, mas nova (juro)! de pele de carneiro!
foi meu casaco do inverno. será meu casaco do inverno.

[so, i have a flying jacket. and maybe, but just maybe, i'll have another one]

28.6.10

'WHY DID YOU COME TO LONDON?'


por que eu decidi mudar pra londres foi a pergunta que hoje respondi três vezes a três sotaques em língua inglesa diferentes. um original (inglês), um australiano e um francês. o primeiro, é o único que às vezes me deixa perdida - o  que transforma o número de perguntadores em quatro: acrescente aí um sotaque brasileiro, o meu.

e, então, estou aqui pensando na resposta verdadeira. não que eu minta para as pessoas (agora, voltando pra casa, pensei que, talvez, pudesse criar uma resposta padrão mais fácil do que dizer que minha vida estava pointless, que eu estava com dúvidas em relação ao jornalismo, que não era casada nem tinha filhos, que sempre quis morar fora de novo...).

minha vida estava pointless. eu estava com dúvidas em relação ao jornalismo. eu não sou casada nem tenho filhos. sempre quis morar fora de novo. principalmente - e isso você não vai dizer pras pessoas na mesa de um pub - eu queria sair da dinâmica da minha família - que eu amo, que me ama, mas que, pelos padrões de comportamento serem muito antigos e enraizados, estava me atrapalhando (sair de casa nem sempre basta). é, bota psicanálise nisso. bota também terapia comportamental, psicoterapia analítica, breve, até bioenergética. põe a terapia com o calligaris, que esse não se pode esquecer.

mas, hoje, dizer tudo aquilo (e pensar tudo isso), não fez tanto sentido. e a razão maior, que podemos chamar de uma inner razão, foi mais sentida do que pensada. mas só estou entendendo (veja o gerúndio, ainda estou em fase de) agora. só está fazendo sentido nesta última semana. por isso, não posso compartilhar ainda. ou não quero, sei lá.

qual o motivo deste post, então?

fazer com que eu não me esqueça. porque quando eu ainda estou gerundiando, perco fácil o rumo da prosa. viro à direita sem tocar as duas mãos (sou levemente disléxica, acho que já contei) quando, na verdade, tinha que ter ido para o outro lado. e recomeço a puerra da busca por fora, passo por todas as partes do meu corpo até, de olho fechado, respirar profundamente e... entrar.

[e isso eu faço no metrô todos os dias. não tem lugar melhor para meditar quando se é uma pessoa ligada no 220. santo lento tube londrino. dá tempo de repetir tudo 3 vezes, como é preciso. viu por que eu vim pra londres?]

essas imagens estonteantes são da poltronova, empresa italiana de móveis que também faz ativismo social.

CASAL 20 (OU 'HEART TO HEART')


o nouveau (nem no site tem) prendedor de cabelo da luis vuitton é igualzinho àquelas maria chiquinhas que eu usava quando era criança, com bolas coloridas nas pontas.

mas, com este, você faz um rabo de cavalo e sua cabeça passa a valer 150 pounds.

'WELCOME TO THE HOME OF FEELGOOD DOWNLOADS'


ninguém que eu conheça paga para baixar música. talvez com o apelo 'caridade'... no fair share music, according to them, "you download, we donate".

[e o logo são duas corujinhas]

DE VAL KILMER A JOHNNY DEPP



eu tenho um problema pessoal com 'the doors' porque me lembra meu primeiro namorado (com quem estava junto na época do filme do oliver stone, e ficou louco pra sempre, por causa de chá de cogumelo) mas adoro documentários e esse é narrado pelo johnny depp, so... when you're strange. num cinema perto de você, se mora nos eua ou em athenas, na grécia.

[foram os lugares que achei no 'find a theater' do site oficial. e nada na time out london]

27.6.10

KUAN YIN, MINHA GUIA


"kuan yin é considerada a forma feminina do avalokitesvara - bodhissattva da miseriscórdia do budismo indiano, cuja adoração foi introduzida na china, no terceiro século. avalokistesvara fez o voto de ir a qualquer lugar do mundo para atender a uma pessoa que precise de ajuda."

kuan yin é minha guia. medito e recito seus mantras com um mala (terço budista) entre o magenta e o violeta, suas cores. existem mantras para situações específicas, mas os que estão sempre na minha cabeça são 'namo y ju kuan yin' e 'namo kuan shih yin pusa'.

foi procurando por algo relacionado à kuan yin em londres, ano passado, que cheguei à anamarta e ao taoísmo. mas só este ano comecei a frequentar o jade circle e, agora, várias outras vertentes e caminhos se abriram. todos, claro, levando ao mesmo lugar: espiritualidade sem dogmas ou igrejas.

26.6.10

NÃO SEI SE ESMAGO OS PINTINHOS OU AS CRIANÇAS :-P


deste blog, que não possibilita pegar o link só do post (ou eu sou uma anta, fato a se considerar)

JERUSALEM STENCIL: "SOLDIERS AREN'T COOKIES"


mekron

LEIA DE "IMAGINE" À "TO". GÊNIO, NÉ?



agora tire o "imagine" e transforme tudo em present simple. hoho

[tô cada vez mais de bem com londres, juro. e por falar em tate m., essa semana vou ver 'exposed']

david horvitz

'THE STYLE'


wikimedia

COMO A CINDERELA: SEM SAPATO. E POBRE




então eu desci para comprar a tinta e, lá embaixo, não sei se já falei, é um dos lugares mais legais de londres, o broadway market, que fica em frente ao london fields. tanto o parque quanto a rua (de mesmo nome do mercado que rola de sábado) tem as lojas, os pubs, os cafés e as pessoas mais interessantes e estilosas da londres que eu gosto. morar aqui foi um presente depois das duas cabeçadas anteriores (o primeiro lugar, hoxton, também east london e perto daqui, é demais e ontem estive lá, porque o jade circle é em old street. o problema era morar num council state 20%, com uma pessoa louca 80%).

na saída da lojinha da tinta, vejo uma mulher com a sandália que tanto quero. já parei o carro em sp e só para perguntar onde uma menina tinha comprado uma calça mas, aqui, sei lá, nunca me senti à vontade pra isso. na época das sapatilhas nude, sofri. mas hoje... como a sandália era muito parecida com uma que experimentei na top shop e, por incrível que pareça, não encaixou no meu pé (olha que tentei, só que o 35 ficava pequeno e o 36, grande), me veio uma sensação de agora ou nunca.

- hi, sorry. i just want to ask where did you buy your sandals. sorry (sim, desculpa duas vezes. e com tanta vergonha que eu tava, nem disse que eram lindas, etc. quis ser bem rápida)
- oh, they are kurt geiger's
- sorry? (shit, não é possível)
- kurt geiger's
- owww, thanks (quase um 'thanks, anyway')

saí dando risada. da minha pobreza, óbvio. só lembrava de uma sapatilha linda do kurt geiger que vi na top shop uma vez e custava quase duzentos pounds. mas então, procuro a foto para fazer este post e... pra mocinha e promoção! o que não significa muito já que unfortunatelly i'm on a budget. mas acredito em milagres, siempre. so, de cima para baixo, mi querida jay, de kurt geiger, agora por £59 (era £140) e ollie, da top shop, por £40. ontem, até encontrei na h&m uma sandália bem parecida, pela metade do preço (ou menos). só que com o dobro do salto. no me gusta at all.

wooden clogs são comuns. mas achar em forma de sandália e com salto baixo (não parece na foto que é baixo, mas é) é bem difícil. ainda mais quando não encaixa na puerra do seu pé cheio de artrose (mentira, mas, pô, não colabora...)

[just to remind everyone: i do believe in miracles]

SHARING



hoje, na minha caixa de entrada, estava o email acima. claro que a beatriz pode reproduzir o post e poderia mesmo que não pedisse - esse é um dos princípios dos blogs, afinal. mas mandar uma email assim vai além da delicadeza (e passar por ela já é grandioso). porque é estabelecer uma relação um pouquinho mais íntima nesse mundo virtual, o que tem acontecido cada vez mais e me deixa muito feliz. porque a lena também estava vindo pra londres, me escreveu e hoje é uma amiga querida e importante aqui. e tem a amanda, que mora em paris. e tem a , que mora em berlim, com quem troco emails enormes (e doidos) e quero muito (ir lá) encontrar. e tem também a julia, que virá pra cá em agosto, ficar em casa, se quiser (mas ela sumiu!).

agora, o mais maluco, é que eu ainda estava na cama, me espreguiçando e pensando no que iria fazer hoje, e um dos pensamentos era terminar a reforma do quarto. preciso, mas tem também o sol lá fora e um monte de outras coisas. mas além de precisar, eu quero, pensei. mas tem também o sol lá fora... - sempre a me tentar. e, de certa forma, a me afastar um pouco de alguns prazeres menos luminosos. por isso escrevi um dia "a vida é cheia de sol e fúria".
e quer saber por que o "mais maluco" ali da primeira linha? porque  no textinho em que a beatriz se apresenta no blog dela, ela diz: "minha vida é ensopada de coincidências e, por isso, me assusto comigo".

[não sei se pinto hoje, mas a loja fecha cedo e tô indo lá comprar as tintas djá]

25.6.10

CHEGADA


voltei. voltei de onde nunca deveria ter saído - e olha que nunca tinha vindo pra cá. ou tinha, mas como naquelas  excursões da cvc "conheça a europa em uma semana".  e como não estou falando de país nenhum, cabe muito bem a metáfora, mas ninguém vai entender. não precisa.
é que eu nunca entendo. se entendesse, teria vindo pela primeira vez e ficado. eu sei do que estou falando. tenho passe livre, posso ir e vir quando quiser, mas todas as vezes eu me perco. e olha que sou insistente, tanto na ida quanto na vinda. mas o problema é o caminho. é uma linha reta labiríntica. e fico fazendo curva e andando em círculos. é que, nesse quesito, sou capaz dos maiores absurdos, até de me jogar no precipício sem rede de proteção. e se alguém já viu precipício com rede de proteção, por favor, me avisa.
agora, eu voltei, e quero a linearidade. um dia, achei que seria chato viver assim. mas é só porque eu não sabia. e a ignorância me fez crítica da razão.
nunca enjoei de chocolate por comer todo dia. porque eu gosto, porque não engordo, porque me deixa feliz, satisfeita. e aqui, onde estou agora, e pretendo ficar, tem essa simplicidade que sempre achei mediana. é que nunca pararam de fabricar chocolate para eu entender como seria.
se o prosaico agora é um desejo em vias de satisfação talvez seja por toda loucura já vivida. mas sabe que não tenho tanta certeza disso? ou até tenha uma resposta: o meio termo, a sabedoria infinita do equilíbrio.
na verdade, mais simples do que isso. aqui, onde estou agora, há também precipícios.
mas você pula de bungee jump.

[eu posso não conseguir ficar de vez. mas volto em menos tempo, cada vez menos]

NATALIA VODIANOVA E OS ANOS 50, UM CASO DE AMOR


acima: na vogue us, natalia vodianova, vestindo prada, marc jacobs, vera wang e dries van noten, traiu e deixou ewan mcgregor (shame on you, lady).


e ela está também na campanha 50's de outono da louis vuitton, junto com duas outras modelos incríveis e de duas outras décadas. karen elson e christy turlington (chique, deusa). fotografadas por steven meisel.