26.9.10
DO SILÊNCIO, DAS CANTIGAS DE AMOR E DAS CANTIGAS DE AMIGO
"porque ando muda e isso me mata. porque procuro pensar - em qualquer coisa - e, sem demora, me canso. porque tenho soado - no casulo dos cadernos privados - clichê e burra. porque, na maioria das horas, não acredito em mim. porque ando sem tempo ou gastando-o muito mal. porque ando feliz e perdi o samba. (...)."
porque nem justificar - e decentemente - meu silêncio eu consigo, empresto a justificativa da fê. porque ela é, desde que vim pra londres - e muitas vezes - minha alma gêmea das palavras trocadas. porque a gente ainda não se conhece pessoalmente - e isso é o de menos: quantas pessoas conheci ao longo da vida e tenho conhecido aqui, desde o ano passado, que não fazem ressoar uma letra sequer no meu coração. e, isso, sem amargura, a vida é assim. mas é bom perceber que o íntimo pode não ter cara, cheiro, toque.
...
o título do post dela é 'contra o meu silêncio'. e, por ser leitora, eu teria colocado 'a favor'. mas projetando o meu (silêncio), o que o meu me faz sentir, entendo. e sinto 'contra'. e sinto raiva. de também estar muda e de também soar clichê na tentativa. e iditota quando posto uma bobagem ou outra sem sentir, só para entrar, só para estar aqui. mas, isso, sem amargura, a vida é assim.
...
às vezes, também, a gente se engana com as palavras escritas alheias. já li, me encantei e me decepcionei. mais de uma vez. e tive a certeza de que era pastiche. e tive a dúvida da dupla personalidade. e pensei naquela vez em que mostrei um texto aleatório para uma professora de português, na oitava série: "nossa, isabela, você é tão madura escrevendo, tão diferente de como é na classe". para mim, aos 14 anos, foram dois elogios: o texto era bom e eu não era uma nerd. não ia deixar de sentar no fundo e tocar o puteiro. não na oitava série. e mesmo sem a consciência atual de que, inevitavelmente, envelhecemos, eu devia sentir que tudo tinha hora e lugar. até admito que perdi o timing anos depois. antes disso, não me arrependo.
mas isto não é sobre meu eu adolescente. é sobre meu eu adulto criticando pessoas infantis que (aparentemente) escrevem textos maduros. 'que catso tenho eu que criticar os outros?" é o que me vem à cabeça ressoando o que tenho me proposto a ser e viver (eu diria "minha filosofia de vida", se não fosse tão brega). e aí me sinto culpada. e isso, não. porque é natural que pessoas que não tenham muito a ver com você surjam na sua vida. só não é natural que a relação se desenvolva a ponto de haver intimidade. já que, sejamos sinceros, é o amor que suporta a intimidade.
é sempre o amor.
o que me leva a uma outra professora de português, essa do colegial. e suas excelentes aulas de literatura. e de como dizia que as escolas literárias funcionavam como um pêndulo em relação aos valores de que discordavam e que estabeleciam. me leva também às cantigas de amor. às cantigas de amigo.
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3 comentários:
Bom, adorei encontrar esse espaço, completamente por acaso - não acredito em acaso então estou feliz por ter vindo parar aqui de alguma forma. Adorei tudo o que vi e voltarei pra ler mais. Beijo carinhoso meninas!
Gosto quando voce gosta!=)
respondido! Take a look! E nem tao demorado assim!
De um jeito ou de outro, um silencio provocou o outro. Espero que contiem inquietos - apesar de privados - a ponto que ambos nao suportem por tanto continuarem assim, lamentacoes de silencios externos. Porque por dentro... preciso mesmo dizer?
eu gosto mais quando é de verdade. e quando é de amor. mas eles vêm em cascatas, param e voltam em um ritmo aleatório, fazer o quê...
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