31.10.10

DIA DAS VILMAS


eu não sei se a dona vilma sabe ao certo que dia é hoje. pra mim, ela pensa que é cosme e damião. mas eu e meus amigos de oito anos estamos passando nos apartamentos, tocando a campainha como se deve e perguntando: doçuras ou travessuras? ela, de roupão, nos deu balas e chocolates. e ainda perguntou: quer dinheiro? nessa hora, eu quase tirei o lençol de cima do meu corpo e disse: mas assim a senhora acaba com a brincaderia, dona vilma!
só não fiz isso em nome da isa que, aposto eu, tava doida pra pregar uma dessa na bruxa.

26.10.10

SKYNNY


byl backstage wiec teraz pora na stylizacje! pierwszy dzień potwierdził, ze blogerki czytają sobie w myślach i z agataubrałyśmy prawie takie same outfity. zreszta panterki na fw nie brakowało... ja mój płaszcz (który jechał do mnie 1500 km 1 dzien przed fw) zestawiłam z ciepłymi barwami-karmelem i beżem.

o vômito de consoantes acima está no post em que a foto originalmente pertence. e, pra mim, diz assim:

no backstage, assim como nas passarelas, o último grito da moda é usar os braços no lugar das pernas. a cirurgia é simples. no que eram os braços, próteses, já que eles só servem mesmo para carregar as bolsas de 1500 euros.

[tô manca mas sou fashion]

a revolta? eu não consigo achar uma calça jeans que não me deixe parecendo a nova morena do tchan. as pernas são tão finas, tão finas, mas tão finas que, pra me servir (e eu não disse 'pra ficar bom'), eu precisaria vestir 40. nada contra, não fosse meu número real entre 36 e 38. e, sim, a porra da indústria da moda faz com que adolescentes se tornem anoréxicas e adultas passem a considerar uma lipo na parte interna das coxas.

[eu só quero uma calça jeans básica, nada mais]

22.10.10

EU SOU ZEZÉFILA



minha mãe apareceu ontem no restaurante:

- oi mama, que surpresa!
- fui me encontrar com o pessoal do rio e resolvi passar aqui. afinal, vou ficar um tempo sem vir.
- que pessoal do rio?
- do nosso grupinho de cinéfilos da mostra.
- ah, tendi...

depois, com seu suéter de oncinha e lencinho no pescoço, ela senta no balcão "para tomar um lanche, já que não estou mais acostumada a jantar". e pede uma taça de vinho e uma porção mista - meia de pastel de pato com meia de coxinha de camarão. eu guento?

17.10.10

MIRA URINÁRIA

então, depois de já ter tomado umas, fui fazer xixi. como sempre, agachei para não encostar no assento e, com sempre, fiz um litro, um litro e meio. já mezzo bêbada, fiquei pensando na vida, distraída, durante o ato demorado. e aí que errei a mira e fiz xixi na calça jeans. acabei, tentei lavar e secar com papel higiênico. o melhor mesmo seria tirar a calça e secar naquele vento que seca as mãos. mas e a preguiça? olhei no espelho e não dava pra ver. ótimo. se eu não estivesse num pub, num date, na parte que vai pro beijo e afins.

não que o cara tivesse posto a mão na minha bunda. mas a calça era alta e minha cintura estava molhada. eu sabia que ele tinha sentido a umidade quando me abraçou. mas fiquei quieta. até que ele foi comprar mais vinho e eu... mandei mensagem pra thais, óbvio.

em situações como essa, além de rir muito, eu escrevo pra thais. sei lá, eu aqui em londres, ela no brasil, não resolve nada. mas alivia. e fica mais engraçado ainda. o que, de certa forma, resolve, sim, a questão.  





claro que chegou uma hora em que eu comentei que tava com a bunda molhada e ele falou que tinha percebido. e perguntou se eu tinha feito xixi na calça. claro também que eu neguei e ele não acreditou. aí só me restou rir mais, ir fazer mais xixi (na privada, o conteúdo todo) e... ligar pra thais. só não lembro o que a gente falou (mas ela tava com a magrela e senti uma saudade gigante das duas).

[não deu pra seguir as dicas dela porque eu vim pra casa, comportada. e nesta minha segunda noite aqui em kentish town, enquanto escrevo, vejo a lua na janela inclinada do meu quarto no attic. perfect]

14.10.10

BYE, MATE


nunca acreditei no conceito de "aprender a gostar". ou você gosta, ou não. mas nem sempre gostamos à primeira vista e talvez seja esse o sentido intrínseco da frase. que, se tivesse mais palavras e menos conotação pejorativa, diria:

espere
não julgue antecipadamente
preste atenção às diferenças
adoce o olhar
seja mais tolerante
aprenda. não a gostar da pessoa. com a pessoa.

foi assim comigo e com a vanessa. hoje, fizemos nossa última noite de meditação na sala. acendemos nossas velinhas, incensos, óleos essenciais e demos muita risada, como da primeira vez - naquela, de vergonha, porque tínhamos de repetir as palavras de sri sri e, juntas, sem muita intimidade, não tinha como não rirmos. e, apesar dela falar mais do que o homem da cobra (o que me incomodava logo que mudei pra cá), entendi que era só saber lidar com isso. nossa relação foi crescendo desde então. aprendi pra caramba com a vanessa - de comida natureba a moda, passando, obviamente, por todo esse lado espiritual, transcendental e tal. tipo, hoje, depois de jantarmos, peguei um chocolate, dividi no meio, dei pra ela e disse: take the body of christ. do you have the blood?

porque não pode ser muito xiíta. e é aí que a gente dá certo. é espiritualidade de um lado e fazer fofoca do andrew (nosso outro flatmate) do outro. meditar, mas também gritar e dançar na sala que nem duas loucas. comer natural num dia e beber e fumar no seguinte - depois da pizza. e ela ainda mata um pote de nutella (do gigante) em cinco minutos. nunca, na vida, tinha visto alguém fazer isso.

vanessa deixa o apartamento amanhã, pra voltar pra austrália no fim do mês. e eu deixo no fim de semana, pra ir pra kentish town. por vários motivos. mas porque não ia ficar aqui sem ela. é a primeira vez que eu deixo uma casa aqui em londres com um apertinho no coração. pelo lugar e pela pessoa.

mas isso é bom sinal.

[em português claro, ela vai fazer uma falta do caralho]

9.10.10

HIGH VOLTAGE


eu já tive o mesmo chilique este ano e não foi nem a primeira nem a segunda vez. acontece, geralmente, depois que eu tomo um choque de tanto aumentar a voltagem. se eu tivesse, ao menos, a inteligência de um rato de laboratório, teria parado no primeiro choque. mas é emocionante, como tudo que vicia, e entre o risco de morrer de tédio e eletrocutada, fico com o segundo. ficava.

mas, antes, um parêntese. eu chilico internamente. no máximo, escrevo aqui. como já fiz neste post e neste post.

então, depois de uma relação estável e deliciosa, voltei a ser single e foquei nas pendências cotidianas londrinas como trabalhar, ganhar dinheiro, mudar de casa. mas, graças a deus, sempre tem um bonde chamado desejo apitando em mim. e, daqui, pulo diretamente para o próximo parágrafo, evitando qualquer frase que possa ser íntima demais.

nas três últimas semanas fiz de tudo pra transformar o flerte que caminhava para algo normal e saudável em algo infernal e emocionante. sem me dar conta. ontem, depois da vodka com ginger beer, das duas pints e do bellini, lembrei do suspiro que dei durante um diálogo de house com cuddy no terceiro episódio da nova temporada, em que ela falava pra ele:

"who cares about common?
common is boring, is... common
what we have is uncommon
and i've never been happier"

e aí que, ontem, durante a vodka com ginger beer, as duas pints e o bellini eu até que me diverti naquele pub. mas depois, além de lembrar do episódio de house, pensei também que chega disso. sem dramas, mas não quero mais. de novo. agora é pra valer.

e engraçado que não decidi isso por ter saído queimada. deu tudo certo. acho que o uncommon ficou common. e eu, apesar de bêbada, senti tédio com tanta tensão elétrica.

i care about common
common is not boring
what i'll have is gonna be common
and i'll be really really happy

[i just have to keep saying that to myself, as a mantra]

7.10.10

ARREPENDIMENTO ENGORDA


eu costumo escrever para tirar de dentro de mim o sentimento que excede o espaço do corpo. pode ser alegria. ontem, foi amor. hoje, raiva. raiva de mim mesma, e só de mim. raiva por tomar uma atitude e raiva por me arrepender de ter tomado.

fiquei puta comigo porque fiz uma coisa.
então fiquei puta por ficar puta porque não acho justo comigo mesma ficar puta. porque, sim, fiz uma cagada mas aquilo era o melhor que eu podia fazer naquele momento.
preciso pedir desculpas a mim mesma pelas minha limitações. e preciso aceitá-las. ambas, as desculpas e as limitações.

e aí eu fico angustiada. porque a angústia é prima-irmã-gêmea-univitelina de qualquer sentimento negativo. se estou triste, choro e, chorando, sinto alívio. mas se estou triste e angustiada, o choro para na garganta, seco. me seca.
se estou brava, falo e, falando, coloco pra fora. se estou brava e angustiada, travo. fico de cara feia, ruminando, um horror.

para mim, a melhor coisa para aplacar a angústia é comida. pizza, mais precisamente. com diet coke e chocolate de sobremesa. sempre foi assim, sempre ajudou. então passei no supermercado e comprei um de cada. mas o telefone tocou no caminho, outra pessoa me perdoava por mim. por um momento pensei em não comer nada daquilo. só que a anta, não contente em estar contente, fez uma coisa (vulgo primeira linha do segundo parágrafo deste mesmo texto). que foi a segunda coisa, já que a primeira tinha sido semana passada.

a pizza e a coca já foram. mas tenho medo de ficar mais puta ainda comigo mesma se comer o kit kat. então estou escrevendo pra ver se complemento a técnica que aprendi no taoísmo: dar leves batidinhas na região peitoral para estimular a glândula do timo e ter a mesma sensação de comer um chocolate.

ou seja, você está puta consigo mesma por ter feito duas merdas e também por não se perdoar por nenhuma. aí você come uma pizza inteira, faz movimentos de king kong no quarto e escreve um post idiota.

e ainda acha que não vai comer aquele kit kat?

6.10.10

EM MIM


tenho pensado bastante em você. pensado cada vez mais ou notado cada vez mais o quanto penso. não importa. porque você vêm à minha cabeça em diferentes momentos do dia, sem, contudo, me incomodar. sempre sorrio nesses encontros.
e te imagino comigo quando vejo outros que poderiam ser você, com outras mulheres. observo a relação, o olhar, o carinho. quase, quase te sinto. mas sei que isso é impossível. é preciso te tocar pra te sentir, é preciso te ter dentro de mim. é esse amor.
quero passar muitos dias, meses e anos com você - com cuidado para não te sufocar. quero tocar de novo seu cabelo e sentir seu cheiro, como naquelas duas noites em que passamos juntos. foram poucos instantes, mas não esqueço.
faço histórias de como vai ser quando você chegar. das piruetas que minha vida vai dar. do bem (e do mal) que vai fazer ao meu corpo. das lágrimas.
você me espera por mais dois anos? eu farei toda força do mundo para aguentar essa espera e farei dela meu próprio preparo e me farei melhor pra você.
mas, filho, mães são sempre inacabadas. são o que há de mais imperfeito na vida. para compensar a quantidade de amor que carregam.
venha forte.

será que você também sonhou comigo naqueles dois pedacinhos de noite?

4.10.10

THEO CINEASTA


1. "isso, relaxa, pensa em carro. sorria!"
2. "papai, para de babar. pelo menos pra foto"


1. checando a exposição
2. vê se pode essa bochechinha... (mordo)


1. conferindo o resultado
2. vê se pode essa boquinha... (mordo)


1. vendo o enquadramento
2. vê se pode esse biquinho... (mordo)


1. o olhar do cineasta
2. vê se pode essa pose... (mordo)


1. checando o material
2. vê se pode essa mãozinha... (mordo)


1. luz, câmera...
2. vê se podem esses pezinhos... (mordo)


1. o olhar do fotógrafo...
2. prodígio da titia (aperto)


1. ... escolhe os objetos de contemplação...
2. titia não gostava de chapéu. agora gosta (amor)


1. ... e admiração. todas, fotos by theo
2. theo, três anos de carros


1. testemunha ocular, flagrada pelo fotógrafo.
2. "papai bonito, titia linda... e que saudade dela..." (né?)


1. retrato do artista quando jovem
2. flagra da perfeição em forma de menininho


legendas #1: renê belmonte
legendas # 2: isabela mena
versão brasileira: herbert richers

3.10.10

HOMO ELECTUS X HOMO SAPIENS


hoje, pela primeira vez, não subi a abílio a pé (com ou sem meus pais) para votar no maria imaculada. já votei em dia de sol e em dia de chuva. já votei feliz e convicta e já fiz voto útil. já fiz boca de urna e pus bandeira no carro cheio de amigas petistas. já xinguei o maluf em mais de uma eleição. já desafiei a classe inteira indo com a estrelinha do pt na camiseta do dante. já fiz campanha antes de poder votar.  tudo isso, como se vê, de trás pra frente.

da frente pra trás, aqui em londres, longe e perto, só pensei que não senti que hoje era dia de eleição. e não pela distância geográfica. mas pela certeza que os anos me trouxeram de que a esperança de hoje é a decepção de amanhã. e que o poder é mesmo uma merda. se existe pacto com o demo, você faz quando ganha uma eleição.

mas eu não me alieno, que não sou de dispensar briga. agora, me retiro. porque acredito que falta pouco pra tudo isso mudar. no meu entendimento humano, não existe continuar assim.

só mais um pouco de paciência.

[ficar feliz em não votar é triste]

DOS QUE DANÇAM MEXENDO E DOS QUE DANÇAM FALANDO



nesses 35 anos, já fiquei mais perdida na vida do que achada. e dá-lhe me procurar por meios alternativos. aos 17, 18, por exemplo, influenciada por algum dos amigos bicho-grilo do meu irmão (que fazia psicologia na usp, imagina...), fui parar na biodança. lembrei disso semana passada, quando ouvi o wagner moura dizer que a "técnica" fez parte do processo de criação de personagens nos dois tropa de elite. além da dança de soltar o corpo, é tanto abraço, tanto toque, tanto amor que fiquei pensando em como seria útil para minha busca pessoal fazer biodança com o wagner moura...

aí que hoje, tentando, obviamente em vão, trabalhar aqui neste computador (que mais serve para matar o tempo), parei tudo e me pus a dançar no meio do quarto. e me vi fazendo uns passos nada sincronizados com a música, uma coisa meio orgânica, meio hippie, meio mescalina. lembrei da vaishali, a garota-pergunta, querendo saber minha ascendência. que, até hoje, acreditava ser moura - dada a invasão da península ibérica, minha quantidade de pêlos e olheiras, ter tido avó paterna com sobrenome cury e meus dois sobrenomes serem catalães. além da minha bisavó portuguesa, elisa. mas depois daquilo que se apossou do meu corpo hoje, imagino que, sim, vaishali, eu tenho sangue indígena e negro também.

onde aconteceu esse cruzamento, não sei. mas posso tentar descobrir com o jornalista que perguntou pro wagner moura como ele, ator, via determinada coisa (não lembro) já que ele, jornalista, era intelectual e via de outra forma. ele até tentou corrigir, mas a emenda ficou pior.

jornalistas são intelectuais. atores não são. tá?

[e esse tipo, é cruza de que?]