24.12.11

FELIZ DE ESTAR AQUI




Foi em dois backgrounds natalinos que expressei, em palavras, o (constante) sentimento do título deste post.

- Logo que cheguei de Londres, indo com a Ju Araújo encontrar a Débora no cinema. O Bristol já todo decorado.

- E semana passada, com a Lu e com a Iva, diante da decoração de natal nas árvores do Ibira.

Não sei quanto tempo fico, mas, Ahhh, que sensação boa a de estar no Brasil!

Merry Xmas!

23.12.11

DO QUE VAI E DO QUE FICA


Esta semana, em três dias, quebraram-se vidros de dois quadros meus. Claro que pensei que era energia ruim que estava indo embora. E pensei, também, na melhor metáfora que este ano poderia ganhar:

"Vão-se os vidros, ficam as gravuras".

Em se considerando arte como essência, apropriado est.

[amor fati. amor <3]

21.12.11

SUBINDO A BRIGADEIRO


'A gente pode ver a cidade'. De dentro do carro. Domingo passado.

"ME MOSTREM, ME TRAGAM FATOS REAIS DE QUE A VIDA NÃO É UMA CAUSA PERDIDA",

gritava um cara, hoje, no fim da avenida Paulista. Repetia o pedido como a um mantra enquanto ziguezagueava no cimento do chão.
Que não há mais, ali, mosaico português.





[são tantos loucos no mundo, ah...]
[há tantos loucos SÃOS no mundo...]

20.12.11

NÃO TENTE FAZER EM CASA

Com as marquinhas de dedos suados e tudo


Contei no post abaixo que, hoje, escapei de um assalto. A verdade verdadeira, bem, não é essa. Eu fugi. Saí correndo. E atravessei a avenida República do Líbano sem olhar se vinha carro. Nessas, eu podia ter morrido atropelada e/ou tomado um tiro. Mas nada disso aconteceu. Eu tive sorte. E a proteção de São Miguel (é, você vai ter que ler o outro post).

Tudo começou com uma ideia absurda. Voltar a pé, para casa, de uma travessa da avenida Indianópolis (lá perto da avenida Jabaquara). Ou seja, andar muitos, mas muitos quilômetros. Sol escaldante, peep toe nos pés, bolsa no ombro. Mas eu vivo de ideias absurdas, esse é meu mote.

A qualquer momento eu poderia pegar um táxi. Mas a vontade de andar aumentava, apesar dos meus dedos apertados pelo sapatinho dourado. A Indianópolis virou República do Líbano e passei pelo primeiro portão do Ibira. "Entro no próximo", pensei. Mas antes dele tinha um ladrão. "Passa a bolsa, passa a bolsa". Eu só me dei conta de que estava sendo assaltada um segundo depois que comecei a correr. Foi o medo do tom agressivo na voz do cara que me fez voar em direção à ilha que divide as duas pistas da avenida. Eu atravessei sem olhar. Os carros estavam ainda parados no farol anterior, mas eu não sabia.

O que aconteceu hoje só serviu para corroborar meus argumentos e sentimentos em relação a este país. Cuja premissa histórica é cagar para o povo. Tomando por povo todos aqueles que não estão (ou têm) poder.
Numa terra em que político dá aula diária de pouca vergonha e ladroagem, fica difícil julgar a ferro e fogo o assaltante. Mesmo com toda a raiva que tenha sentido dele.

Ficou a bolsa. Mas também a tristeza. De não ver esperança no país do... fuDEU.

O LUGAR, O SANTO E A SORTE


Primeiro, falo pra uma pessoa sobre São Miguel do Gostoso, paraíso que fica no Rio Grande do Norte, e que "conheci" há alguns meses, em Berlim.

Duas horas depois, ao me benzer, uma senhora invoca São Miguel.

Uma hora depois, me livro de um assalto. O que credito (também) à benção.

Mas só costuro os fatos outra hora depois, ouvindo de novo o nome do santo. Na novela das sete.

...

Brasil: país de praias, novelas, assaltos. E todos os santos.



Imagem

16.12.11

DE MANHÃ. À NOITE. DA MANHÃ À NOITE

[AM]/PM


O colunista fala no jornal

AM/[PM]


O escritor fala no livro

[é preciso deixar aqui registrado o fato de que a repetição temática não é coincidência. é ainda sintoma]

12.12.11

HEADMASTERS



De quando ser jornalista faz bem pra alma. Porque um entrevistado, além de render o suficiente pra sua matéria, te leva pra uma música, uma dança, várias poesias. Que só tangenciam aquele tema inicial. Porque é mais a conversa do que a entrevista que conta. E o fato desse entrevistado ser um acadêmico, não é um detalhe.
Vai ficar pra outra encarnação o casamento, mas meu flerte com a academia será eterno.


Neste post, coloco só Headmaster Ritual. E, claro, na voz de Tom Yorke, porque eu tenho minhas particularidades fetichistas.

E O IBIRA SE EUROPEIZANDO? AMEI!







Hoje à tarde, Ibirapuera rocking!
Só falta mais e mais gente aderir.
E fazer piquenique.
E levar uns bons drinks!


[e o tiozinho ali na sombra, apreciando a paisagem?]

11.12.11

A VIDA IMITA A SITCOM OU A SITCOM IMITA A VIDA?


Eu lia o jornal, ontem de manhã, mais precisamente a coluna do Álvaro Pereira Júnior. O tema - Twitter - me pareceu pouco interessante mas fui até o fim porque ele sempre tem dicas de livros que não conheço. E perto do fim estava, desta vez, uma palavra desconhecida. Parei, reli a frase e continuei sem entender o significado. Levantei para procurar no dicionário online, repetindo mentalmente a palavra, para não esquecer no meio do caminho

"paroxismo", "paroxismo", "paroxismo", "paroxismo" e a internet estava offline, precisava restartar o modem. Não deu tempo.

- Isa, vamos?

Fomos. Eu e minha mãe, comprar umas lembrancinhas de natal. Conversávamos no carro. Perguntei se ela tinha lido sobre a triste história de um jornalista alemão que, apaixonado pela Bossa Nova, escreveu um livro incrível sobre o João Gilberto mas, um tempo depois, e com só 40 anos, se suicidou. "Não li". "Ué, mãe, você não leu o jornal hoje?". "Não, não deu tempo, só separei". "Putz, eu já recortei". (Eu sempre recorto o que gosto no jornal e como sou sempre a última a ler, não tem problema. E não teve. O problema foi outro. Mas não vem ao caso). Ela começou a me estressar, mas fiquei na minha. Compramos as lembrancinhas. Na volta, ela continuou me estressando, mas cansei, encostei e desliguei o carro. Perguntei pra ela: 'Qual é o seu problema?" e ela "Nossa, vamos embora, que absurdo". E eu impassível, "vamos conversar agora!". E falei, e falei. Ela vira pra mim e solta "Nossa, não entendo pra que tanto paroxismo..."

...

Se você assiste sitcons sabe que essa é uma típica gag. Mas eu não ri. Até soltei um Ô-OU, dentro de mim, mas mais pro tragicômico. Levantei do carro, deixei a chave no banco e fui embora andando. Que, sim, eu estava num "momento de maior intensidade de uma dor ou de um  acesso".

a. só o paroxismo salva
b. só as sitcons salvam
c. só a psicanálise salva
d. só jesus salva
e. não há salvação

[nem a sálvia salva]
(mas isso só é piada pra quem conhece a bicho-grilândia de Londres, sorry :-P)


*se você não entendeu a imagem que ilustra este post, entra aqui

9.12.11

MAIS UMA DO THEO. OPS, MAIS DUAS

Eu lembrava de ter visto, pelo skype, o Theo escrever o nome dele. Mas, ao vivo, foi mais legal. Não porque seja raro um menino de 4 anos saber escrever. Mas porque, diante de meus olhos, Theo foi criação e solução em questão de minutos.


1. Criação:

"Theo, escreve aí seu nome." E, pum, ele escreveu o nome dele flipado. Fiquei pensando "Que coisa é essa? Será que ele só sabe assim?" mas não falei nada, deixei seguir. Depois de um tempo...


Ele flipa!


2. Solução

"Theo, escreve seu nome de novo." E, pronto, ele começou a escrever pro lado da direita até que, depois da letra "e", ia acabar o papel. Ele deu a solução seguida da explicação: o "o" é o pensamento do "e"! 


Ele é demais!


[pra você que é mobral e não entendeu, você é que não tem solução]

8.12.11

IN AND OUT (OF CONTROL)

Há uns cinco anos, ganhei esse poster do Bruce Gilden e mandei enquadrar.
 Mal sabia eu que minha casa ia color blockar na moda. Jogo fuera, depois, é isso?


Lá pros anos de 2004, eu fui numa cartomante chamada Elisete. E Elisete era uma mulher apaixonada por estampa de oncinha. Hoje, pode até não parecer, mas houve um tempo (antes do boom da China e do fast fashion) que era bem difícil achar produtos estampados de oncinha. 2004, por exemplo. Mas como todos conheciam a mania da Elisete, ela ganhava muitos presentes, que as pessoas traziam de fora. E de estampa de oncinha ela tinha até jogo de lençol - abriu a porta do quarto e me mostrou a cama.

De manhã, vi, mais uma vez, um daqueles rankings de moda que dizem que tudo que era incrível até ontem,  agora, é brega. Eles sempre fazem isso. Eu sempre me irrito. Porque não é possível que exista uma verdade tão absurda como essa. Você, então, joga tudo fora. Se você for daquelas pessoas que acreditam que alguém pode dizer o que é ou não bonito, o que é ou não legal. Se você acreditar num mundo pasteurizado, todo mundo igual, color blocking, mind locking.

Se o que era uma idiossincrasia da Elisete fosse, na verdade, uma bobagem fashion, seus lençóis teriam de trocar de estampa. Que a oncinha, ó, está por fora. O bicho da vez é a cobra.  "Aposte nela para 2012".

[porque tudo muda na moda, menos o vocabulário jornalístico]

30.11.11

DO SANTO DE CASA QUE FAZ MILAGRE



A Mentira

Há anos meu pai usa a mesma lapiseira. Simples, nada de mais, ela é da marca Pentel, grafite 0.9mm e é cor de camelo. Simples, nada de mais, mas dele. Minha mãe tem uma lapiseira igual e até eu já tive (joguei fora depois que comi aquela tampinha de trás) porque meu pai costumava nos presentear com objetos iguais aos seus, para que a gente não pegasse os dele. Ainda assim, eu peguei. Não devolvi. Trouxe pro quarto. E tive um surto de amnésia.
O que sei é que, ontem, vi a lapiseira no quarto, pensei: Nossa, o que essa lapiseira está fazendo aqui? e passou.

- Você pegou minha lapiseira?
- Não peguei, mas ela apareceu no meu quarto.
- Ah, ela apareceu no seu quarto.
- Olha, você sabe, eu não minto.

Eu realmente não estava mentindo. Pelo menos, não deliberadamente. Mas me sentia culpada. E passei o pente fino no quarto, em busca da lapiseira cor de camelo.

Nada.

***

O Santo

A versão da minha família para o santo dos objetos perdidos - o São Longuinho - é São Mindinho. Desde pequena faço (fazemos) simpatia pra ele - um santo que nem a igreja nem o Google conhecem e, sabe-se lá por que, batizado com o apelido do dedo mínimo. Mas um santo-não-santo que não falha nunca.

"São Mindinho, São Mindinho, se eu achar dou três pulinhos".

No que fui até a sala, achei o camelo da lapiseira camuflado no mármore do chão e lembrei, não do momento do furto, mas de quando levei o objeto furtado para lá. Eu tinha mentido.

Dei três pulinhos, devolvi a lapiseira e me fiz de rogada.

***

A Conclusão

Se o não-santo perdoa a não-mentira, quem sou eu pra não-concordar?

29.11.11

DESEMBATUMANDO A VIDA

1984. Eu tinha nove anos
Acabei de assar um bolo que tinha tudo pra embatumar. Tinha todo - todo um passado de bolos de chocolate embatumados, mas só dos que levam leite na receita. Porque o Nega Maluca, que leva água e óleo, sobe, fica fofo, acaba, tudo num minuto. Esse eu faço desde criança e sei de cor. Mas no último sábado, ele me deixou meio frustrada. Enjoada, talvez - e não porque eu tivesse comido metade, ainda quente, de uma vez só.

[só sabe fazer bolo de chocolate quem é compulsivo para comê-lo. é uma questão de paixão]

Enjoada. Não era aquele o bolo que eu queria comer. Então, no domingo, pra minha sucessão de sortes, tinha um bolo enorme de chocolate em cima da mesa. Com cobertura, recheio e até uma - acho - canelinha salpicada. Perfeito. Só podia ser daquele tipo que leva leite na massa. O tipo que, nas minhas mãos, embatuma.

[mas eu sou teimosa]

Hoje, juntei os ingredientes, misturei tudo como mandava a receita (pelo menos da segunda vez), pus no forno, assou, admirei, pus na barriga. Pelando. Porque meu bolo, meu bolo de chocolate do tipo que leva leite na receita, ficou perfeito. Fofíssimo. Bolo de boleira.
Que, de agora em diante, é assim. Eu saio desembatumando tudo o que vem pela frente. Seja coisa, seja gente.

21.11.11

'FRONTERA'






"Using reduced but always drastic means, Teresa Margolles (born in Culiacán, Mexico, in 1963) creates extremely poignant works of art. At first glance, her works often seem to be minimalist in their form. Viewers only discover that they are deeply emotional and dramatic when they become aware of the rigorous realism in the choice of material. Margolles uses substances such as blood, body fat or even water used to wash corpses not only symbolically, but also palpably, attacking human being's fears of contact in a subtle way."

mais