28.1.11

"...E NO MUNDO, EM CONCLUSÃO, TODOS SONHAM O QUE SÃO, NO ENTANTO, NINGUÉM ENTENDE"



como pode alguém ter duas encarnações dentro de uma mesma vida? duas histórias que não correm paralelas mas se cruzam e alternam e tem temperaturas tão diferentes quanto opostas?
como pode ser yin e yang e doce e amargo e choro e vela? como pode ser incapaz de falar uma língua e, no instante seguinte, nem lembrar da dificuldade? e fazer velhos amigos do dia pra noite e se sentir em casa quando não tem mais nenhuma e dormir bem onde quer que tenham pessoas do bem? e cruzar com tantas outras do mal e decidir que pensar nisso é perda de tempo e, ainda assim, deixar escapar propositalmente uma referência? como pode se saber tão perdida e se sentir tão achada? e vice e versa e mais uma vez de novo? como pode se ver em espiral e escrever sem criar novos parágrafos?

como posso estar aqui como se não existisse lá se, quando estou lá, sou feliz?
estaria eu então aqui infeliz, o que não é o caso.
definitivamente.

"que é a vida? um frenesi
que é a vida? uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
o maior bem é tristonho
porque toda vida é sonho
e os sonhos, sonhos são."

trecho do monólogo final de "a vida é sonho", de calderón de la barca. que, desde o colegial, acalma o tormento de perguntas que vira e mexe me faço.

imagens

[eu amo ter aqui e lá. mas estou realmente admirada com a minha capacidade de ligar e desligar botões. tomorrow is our permanent adress]

Nenhum comentário: