5.5.11

O CASAMENTO QUE EU NÃO VI




A não ser que você fosse um convidado ou tivesse intenção de pernoitar nos arredores da Abadia de Westminster, não faria muita diferença assistir o casamento real do Brasil ou de Londres. No dia, já não era mais possível chegar perto da rota preparada para a passagem do casal – guardas e seguranças fizeram bloqueios em todas os acessos ao St. James Park.
De fato, era muita gente nas ruas. Blocos de pessoas andavam em todas as direções – tanto que eu sempre tinha a sensação de que estava seguindo o fluxo errado. Será que alguma passagem foi aberta? Ou alguém conseguiu uma brechinha? Alguém sempre consegue. Um pub de esquina, com uma porta na rua liberada e outra na proibida, foi usado de passagem até que os seguranças se dessem conta. Nessas, o marido da inglesa do meu lado foi, e ela ficou. “Eu nem queria ver o casal, só queria estar na multidão”. (Hã?)
Uma hora depois, a inglesa e o filho (que força emocional não tem uma criança?) conseguiram passar para o lado de lá. O movimento contrário – gente saindo do St. James –  era grande, o que reforçava o argumento dos seguranças “O parque está cheio demais, não é possível ver nada”. Em seguida, a sugestão, a mesma dos letreiros luminosos: “Assista nos telões do Hyde Park”.
Eram muitos os frustrados mas não superavam os que estavam ali para festejar; nos pubs com telões, lotados desde antes da cerimônia religiosa; nas ruas, cheias de pessoas fantasiadas, de peruca e segurando bandeiras com a cara dos noivos e, por que não?, no Hyde Park, onde havia um palco com banda, ao lado do telão.
A essa altura, o que menos parecia contar era o casamento. Não fossem os tuítes da BBC no celular (que postou poucas fotos em tempo real), nem o estilista do vestido da noiva dava para saber pelos transeuntes. E até chegar ao Hyde Park, e então aos anunciados telões, a carruagem real já tinha feito todo trajeto. Era intervalo e só dali a quase uma hora o casal reapareceria na sacada do castelo de Buckingham.
A banda fazia um cover de “I don’t wanna miss a thing”,  do Aerosmith. Soava como paródia. 

2 comentários:

lola disse...

aqui no matao algumas casas colocaram a union jack (ou union jacket, como eu costumava falar hehe) na janela das casas, as lojinhas vendiam cacarecos com a cara do casalzinho e minha sogra fez um bolinho pra comemorar. sei la o que um britanico ao ver o casamento do principe, mas pra mim foi a mesma coisa que ver cerimonia do oscar, so q com vestidos mais caretas.

Isabela disse...

com ou sem matão, cidade ou campo, breguice, ó, breguice...