23.6.11

"HUMAN, ALL TOO HUMAN"



Eu só fiz 5rhythms, até hoje, em dois lugares. No primeiro, em Tufnell Park, e, desde então, na St Peter's Church, em Vauxhall.

Na primeira vez, eu estava com uma amiga da Biodanza, que foi quem me levou ao 5rhythms. Diante de um cara fazendo Kundalini, ela explicou que as manifestações físicas são comuns nesse tipo de dança e contou que já tinha até visto uma pessoa recebendo pai de santo.

Em Vauxhall, já presenciei algumas, digamos, "vivências". Um cara deitado no chão, como se tivesse tendo ataque epilético (e o povo dançando ao redor, nem aí, como se ele fosse invisível). Confesso que esse me despertou um mix de "ai, credo" com preocupação.

Anteontem, voltei ao grupo de Tufnell Park. Que, a partir de agora, vou considerar "especial".  Tomando "especial" como eufemismo que possa substituir uma ou outra classificação menos nobre, despertada por instintos idem em mim (eu sou humana).

Mas, sabe, fiquei com certo medo.

- Não da mulher que começou a rir alto para uma menina, que entrou na dela, riu alto de volta e, por algum (grande) tempo ficaram as duas, parecendo loucas, rindo uma pra outra. Honestamente, eu ri também; COM elas, mesmo longe. Nem quando a mulher começou andar pelo salão, fazendo barulho de passarinho, pregada à cintura da mesma menina.

- Também não fiquei com medo do senhor de sapatos de dança remendados com silver tape que bailava sempre ao meu redor (ai, como isso me irrita).

- Muito menos dos que faziam Kundalini ou chacoalhavam epileticamente no chão.

- Nem do outro senhor que, a dado momento, levantou a cabeça e os braços pra cima, lá no meião, como se estivesse louvando a deus (achei bonito, simbólico).

- Já da moça que dançava como pombagira, comecei achando interessante. Cheguei a pensar "hmmm, queria saber fazer esses movimentos". Até que ela começa a rir, COM CARA DE POMBAGIRA. Aí, nego, saí até de perto, vai que pega em mim.

- Medo mesmo, na verdade, senti do menino esquisito que queria dançar comigo quando a professora sugeriu que fizéssemos pares. Veja bem, ele não sabe que danço em dupla apenas raramente. E fiz com ele como fiz com as outras pessoas que se puseram à minha frente dançando (não se fala na aula): dei um olé bailado, um rodopio para outro lado. Mas não é que o menino ficou enfurecido e, em direção à sala de espera, me deu um cutucão no braço?

Depois, até imaginei que ele tivesse algum problema (acho que um certo grau de autismo). Na hora, me assustei. Voltei a dançar. Mas parei quando vi os olhinhos dele me fitando pelo salão. Fui embora antes do fim. Demasiado humana?

Definitivamente, me identifico mais com o grupo de Vauxhall. Até porque, lá, não acontecem tantas manifestações vivenciais. Até porque, lá, danço o máximo de tempo possível de olhos fechados.
Em Vauxhall, eu não faço dupla. Raramente (e cada vez menos) danço em par com meu superego.

[em vauxhall, eu faço coro no grito. com percurssão ao vivo]

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