18.10.11

"AFTER SPENDING 16 YEARS AT ONE OF THE WORLD'S MOST-ESTEEMED MEDIA PROPERTIES, WHY DID YOU DECIDE TO EXIT 'TIME INC.' FOR A SOCIAL-NEWS STARTUP?"



Mais cedo, durante o banho (e sabe lá deus por que), lembrei de uma vez que fiz plantão na Geral do JT/Estadão e fui cobrir uma área urbana em SP arrasada por uma enchente. Daqui a pouco, faz dez anos. A situação das enchentes, não sou eu quem precisa dizer, se não é a mesma, tá pior. Mas o que eu lembrei foi da reação das pessoas ao saber que eu era repórter. - Você é da TV? E a cara de decepção quando eu dizia que não. Porque, afinal, elas queriam, E COM TODA RAZÃO, que a televisão mostrasse a merda literal que poder público deixava entrar, sair e arruinar a casa e a vida delas.

Hoje, quando falo para alguns entrevistados que, não, não é veículo impresso, é online (caso eu esteja frilando pra Época SP, como tem acontecido), a maioria acha legal, mas já senti uma pontinha de decepção uma ou duas vezes. Aí, a coisa é outra. Vou ser leve: do apego a fazer parte de algo palpável à não (ainda) compreensão do que vem por aí. Quer queiramos (e eu adoro revista de papel), quer não.

Então, que, duas horas depois, pernas de índio e computador no colo, posição em que fico imutável por horas (eu adoro um computador), chego na seguinte matéria: "Veteran Time Inc. journalist Josh Quittner completed his defection from print media by joining Silicon Valley startup Flipboard - the popular social-magazine app for the iPad - this past July."

Quer queiramos, quer não.

[é, julho passado. e eu só vi agora]
[pois é, meu sobrinho de 4 anos tem iPad próprio. eu. não. quero]
[quer queiramos, quer não. toda escolha implica numa perda. o que não é necessariamente ruim]

E, sim, você vai lembrar do vídeo que todo mundo do seu Facebook também deve ter postado nos últimos dias:  "A Magazine is an iPad that does not Work". 

"THE RAWNESS BY MEANS OF LIGHT AND GRAIN ADD TO THE ALREADY-SEXUALLY-CHARGED PHOTOGRAPHIC MOOD"









Fazia tempo que eu não publicava aqui fotos de soft/porno/fashion, uma das minhas estéticas favoritas como já disse em algum post que não vou (nem ferrando) procurar agora. Mas depois de ver essas aí de cima, do recém-descoberto (hífen?) Fashionography, não pude resistir. Minha favorita é a sexta, de cima pra baixo. A da bunda "imperfeita"por causa da pressão da meia de mega arrastão.

Mas apesar do nome sugestivo, nem tudo no Fashionography é tão legal.

Aqui, o link direto desse ensaio de Camila Thorsoon "photographed by Jeffrey Graetsh in 'Over and Over' for S Magazine".

11.10.11

METAPOSTAGENS COM AMANDA



Depois de cinco anos, Amanda vai deixar Paris. Não vou falar mais nada porque as palavras dela neste post, chamado "Nunca Subestime um Coração Partido", dizem tudo e com perfeição. A mesma que já admiro há tempos, a ponto de ter escrito sobre ela; sobre um texto em que uma Amanda irada (e com razão) solta o verbo. Salvei sem postar porque, lá no fundo, a gente sabe que tudo tem hora e lugar, esse óbvio ululante que vez ou outra turva e falha. Mas aqui e agora faz mais sentido do que nunca. Que desde a semana passada comemoro a volta da minha agressividade, abafada durante anos por acreditar que era contrária a outros preceitos nos quais acredito. É, na verdade, complementar. Assim como Amanda: doce, mas forte.

Escrito por mim em 18.09.11 depois de ler Au Revoir, Porte Dorée, postado por ela no dia anterior:


Quando a Amanda escreve um post como este último, em que conta um acontecimento chato sem florear ou tentar amenizar "para parecer um ser humano melhor" me sinto mais perto dela, que nem conheço pessoalmente, do que de muita gente que me cerca. E penso, que ironia!, a Amanda é de verdade.

Às vezes, falar mal dos outros, até julgar, é necessário. É a velha história do contexto. Dentro, é preciso. Te posiciona, te fortalece. E te enfraquece, porque te expõe.

Dizer que sempre há um ponto de equilíbrio não é humano. Não é zen. Não é verdade. Em algum momento, vai pender pra um lado. E você pode esconder de 99% das pessoas. Mas eu já fui o 1% que estava ali. E, olha, sentimento negativo abafado cheira mal. Como comida azeda.

Então, agradeço à Amanda simplesmente por ser de verdade. Mesmo que (ainda) virtualmente.

7.10.11

"ESSA É QUE É A SITUAÇÃO"


Texto que o Renê, meu irmão, postou agora a pouco no FB:

"Theo aqui em casa. Normalmente deixo pra trabalhar de madrugada, depois que ele dorme, mas resolvi tentar adiantar o máximo possível, contando com a ajuda do PS3 como distração. Isso depois de ficar uma hora tentando trabalhar e ele me interrompendo a cada cinco minutos. Pai, quero água. Pai, quero fazer xixi. Pai, quero suco. Pai, esse jogo precisa de duas pessoas. Theo, tô tentando trabalhar. Você não tá deixando. Com o videogame ele finalmente aquieta.
Minha irmã liga no Skype, com dúvidas. Paro o trabalho para falar com ela, ela escuta a voz do Theo, quer falar com ele. Diz pra ela que eu tô muito ocupado, ele fala, antes que eu tenha a chance de interrompê-lo. Ela escuta, se resigna. Final da ligação, faço uma última tentativa. Theo, diz tchau pra tia Isa. Tchaauuu. Manda beijo. Um beeeeeeijo. Ela desliga. Ele vira pra mim, tom de reprovação: "Pai, assim não dá. Eu não te deixo trabalhar e você não me deixa jogar. Essa é que é a situação.

Só me resta me desculpar."

[o theo tem 4 anos. e o renê sentou a vida inteira assim como o theo tá sentando na foto, com as pernas abertas e uma sola do pé colada na outra!]