29.11.11

DESEMBATUMANDO A VIDA

1984. Eu tinha nove anos
Acabei de assar um bolo que tinha tudo pra embatumar. Tinha todo - todo um passado de bolos de chocolate embatumados, mas só dos que levam leite na receita. Porque o Nega Maluca, que leva água e óleo, sobe, fica fofo, acaba, tudo num minuto. Esse eu faço desde criança e sei de cor. Mas no último sábado, ele me deixou meio frustrada. Enjoada, talvez - e não porque eu tivesse comido metade, ainda quente, de uma vez só.

[só sabe fazer bolo de chocolate quem é compulsivo para comê-lo. é uma questão de paixão]

Enjoada. Não era aquele o bolo que eu queria comer. Então, no domingo, pra minha sucessão de sortes, tinha um bolo enorme de chocolate em cima da mesa. Com cobertura, recheio e até uma - acho - canelinha salpicada. Perfeito. Só podia ser daquele tipo que leva leite na massa. O tipo que, nas minhas mãos, embatuma.

[mas eu sou teimosa]

Hoje, juntei os ingredientes, misturei tudo como mandava a receita (pelo menos da segunda vez), pus no forno, assou, admirei, pus na barriga. Pelando. Porque meu bolo, meu bolo de chocolate do tipo que leva leite na receita, ficou perfeito. Fofíssimo. Bolo de boleira.
Que, de agora em diante, é assim. Eu saio desembatumando tudo o que vem pela frente. Seja coisa, seja gente.

2 comentários:

Anônimo disse...

ui! fiquei com vontade desse bolo. E de uma tarde inteira com ele, o bolo, café e papinho com a amiga!

Iva*

Isabela disse...

Ahhhh, também, lindona! Vamos marcar djá!
Beijos beijos