1.11.11

E VOCÊ AINDA FICA SABENDO QUE HEMORROIDA PERDEU O ACENTO

A tradução é outra, mas vai dizer que o phrasal verb 'pile out' não soa perfeito pra um caso de hemorroida aguda? Soa, eu asseguro. Chamemos de falso cognato.


No último mês (ou pouco mais do que isso) foram muitos os excessos e estresses. Bons estresses, mas, ainda. Depois de três décadas e meia de vida você já conhece seus pontos fracos, sabe onde o corpo vai doer, sabe que parte dele vai gritar fisicamente em busca de arrego emocional. Ou não, ainda.

Há uns cinco anos, tive o primeiro (e, não fosse a frase acima, diria único) problema de hemorroida na vida. Na ocasião, a médica até falou que aquilo não era exatamente hemorroida, mas eu gosto de drama, foi assim que encarei. A consulta, com uma proctologista - especialista na área do meu problema - (você também se pergunta o critério da escolha da especialização dos médicos?), foi no Brasil, e o tratamento, uma pomadinha que eu tinha que passar só por fora, como se fosse assadura de nenê (se você não sabe - nem tem por que saber - ela vem com um aplicador anal). E eu achando mesmo que tinha tido hemorroida... Claro, doía, tinha uma inflamação ali. Mas nada que meio tubo de pomada e calcinhas tipo shorts não pusessem fim à questão.

Então, setembro londrino chegou, e, com ele, um turbilhão de acontecimentos (repito, 99% incríveis), dentre eles a visita da Lu, que coincidiu com a estada, na casa em que eu estava morando (de apenas um banheiro) de uma dupla de chineses que tomava banho de uma hora cada um , pela manhã. Aí, nego, o bicho pegou. Porque na falta de mamão papaya com farelo de aveia, eu tomo laxante. Just do the math. 

É claro que eu tinha uma pomada brasileira. Minha caixa de remédios se equipara à minha gaveta de calcinhas (se você segue este blog, sabe do que estou falando). E o problema nem chegou à Berlim, onde eu e a Lu fizemos praticamente o caminho de Compostela, de tanto andar (é duro andar com quase-hemorroidas, viu...)

Eis que chega a semana derradeira em Londres. Com ela, mãe, irmão, a entrevista mais incrível que já fiz na vida e um romance inglês (de viver, não de ler). Ah, claro, compras, comida, pimenta, noites insones (por motivos bons e ruins). Uns dias antes, até tinha ido ao hospital por causa de uma infecção na garganta. Me deixa reformular: meu ouvido doía muito, assim como meu corpo, mas só fui pro hospital por insistência de uma amiga. Chegando lá, eu soube que estava com pus na garganta, febre e tinha que tomar antibiótico por uma semana. Passou em dois dias, sem grandes estresses ou dramas. Já a hemorroida...

Repare que já não é mais uma quase-hemorroida. Foram 5 tubos, usados COM aplicador, de uma pomada inglesa comprada na Boots, sem prescrição, ou seja, quase inócua. A coisa só ficava pior. E doía tanto, assustava tanto, crescia tanto (sorry, guys) que nem a presença da minha mãe aliviava o fato. 

Cheguei no Brasil no sábado e fui comprar a pomada brasileira, já que, não, eu não ia no pronto socorro - eu não ia ficar à vontade com médicos cuja especialização não era anal por opção.

Antes, vamos às diferenças de nomenclatura. Em inglês, haemorrhoids também pode ser chamada de pile. E mesmo que para um nativo as duas palavras soem da mesma forma, preferi pedir, baixinho, pomada pra pilha (ou qualquer outro sinônimo dentre as várias que essa palavra tem). E a gentilíssima atendente da Boots me  indicou um tubinho chamado sutilmente de ANUSOL. 

Como aqui no Brasil a pomada chama XYLOPROCT, pedi no balcão da Droga SP, pelo nome, em volume normal. A moça vira pra mim e pergunta: é um colírio? Já cansada de tanta ladainha, respondo, no mesmo volume, diante de quem quisesse ouvir "Não, é uma pomada para hemorroida". E fim de papo. Que nem na médica especialista em cus acho que vou precisar ir. 

[porque, pra de fato ter sentido, eu tinha que usar pelo menos uma vez a palavra cu neste texto, né não?]

6 comentários:

Amanda disse...

Sim, o post é sobre hemorroidas, mas eu fiquei mesmo interessada no romance de viver! hummmm! :)

Então, boa parte da minha familia tem esse problema ae. E eu sempre morri de medo de ter tbm. Até agora escapei. Deve ser mt chato, né?

Isabela disse...

Nhóóóim, um fofo, te conto depois (qdo eu voltar ao normal e tô voltando!!!)
Qto à hemorroida, ai, Amandita, é de família mesmo! :-S

lola disse...

sempre dou risada do anuncio do anusol na revista da boots. agora vou parar, por solidariedade. pensei que o creme brasileiro era o drenison. e eu, que fui num medico procto e ele me mostrando fotos de anus num livro pra explicar minha situacao. manera nos condimentos (ew).

Isabela disse...

Mas esse Anusol não tem nem xilocaína pra dar uma anestesiadinha... Não sabia que vc tinha esse problema (ahhhh, ok, tem a ver com condimento mas tem a ver com IBS tb!) E pode rir do Anusol, eu ia até fotografar mas a dor foi tanta que superou a graça :-S

lola disse...

tem q ter coragem pra admitir esse problema publicamente, hein... heheh. mas entao, a minha tb e uma coisa discreta (ai que papinho! bom, vc q comecou). so sei que no dia do diagnostico e medico me deu uma lista do que cortar (shoyu, pimenta, curry) e eu fiz uma farra num restaurante japones no mesmo dia. obvio que a disciplina durou menos de uma semana.

Isabela disse...

Lola, a maternidade definitely te mudou. Porque VOCE dizer que precisa ter coragem pra admitir hemorroida publicamente... Ainda se fosse impotência, vá lá, mas hemorroida? hahahahaha EU TENHO, AGORA POSSO DIZER QUE REALMENTE TENHO!!!! E, melhor, NÓS temos!