1.11.11

ELABORANDO

"Is" no sentido de "estar" e não de "ser". Essa falta de especificidade linguística inglesa, viu, vou te contar...


Cada um elabora suas questões da forma que melhor entende, convém, sabe, PODE. Desde que cheguei de Londres - desta vez por um tempo maior do que os costumeiros três meses, daí o drama - tenho feito coisas estranhíssimas como forma de elaboração (antes de me julgar, vale lembrar que tem gente que nem elabora, meaning to take it out on someone).

- Eu praticamente não durmo. A privação do sono voluntário já vem de Londres e a causa é - dãh, óbvio - ansiedade. O foda é que nem o santo Rivotril, padroeiro da minha mãe, tem surtido grandes efeitos.

- Cheguei sábado cedinho e comecei a desfazer as 12 malas (14, mas duas eram da minha mãe). Não eram nem dez da manhã e, enquanto eu tirava roupas da mala na sala, eu separava por cor, levava para a área de serviço e colocava dentro da máquina. Eu estava lavando roupa.

- No meio das roupas encontrava objetos. Se eram de decoração, como um quadro, eu parava, abria um armário só de ferramentas e procurava o martelo e o prego certos para pendurar na parede. Eu separava todos os potinhos vintage, levava para o banheiro e organizava com todos os meus produtos de beleza. Eu arrumava o banheiro, o quarto, as bijus, as gavetas, os casacos, os óculos, os livros, as revistas... Tudo com perfeição. E desfazendo mala.

- Comi tanto no almoço que achei que fosse dormir à tarde. Não existia à tarde, cansaço, cama - a não ser para separar roupas. Pendurei todos os casacos de inverno e fiz uma mala com jumpers, cardigans e meias para serem lavados só depois.

- Madrugada. Tentei computador, TV, nada. Rivotril. Só durou até...

- Seis da manhã. Minha cabeça fritava com tudo o que eu não tinha feito em Londres. Peguei um papel, escrevi, para não esquecer e já joguei fora porque não faz o mínimo sentido. Levantei e comecei a... passar roupa. Ouvindo música. Foi a forma que encontrei de parar de pensar. E pondo mais roupa para lavar, e separando por cores, e arrumando o quarto e fazendo novas listas, estas do Brasil. Noite/madrugada. Idem à anterior. Rivotril. Efeito curto.

- Segunda. Dia útil. Posso ir à lojas que preciso, buscar meus móveis, comprar a linha daquela cor para costurar aquela bolsa... Noite/madrugada. Idem à anterior. Rivotril. Efeito curto.

- Acordo hoje pensando: preciso levantar, não posso acordar às 11 da manhã, tenho muito o que fazer... Não eram nem 7, a Nilda não tinha nem chegado, não tinha café da manhã. Liguei o computador e resolvi escrever o post que antecede (o daí debaixo) este. Escrever. Minha forma natural de elaboração. Esta é a segunda tentativa. As coisas parecem estar voltando ao ritmo. OCD dando trégua (se bem que pedi pra Nilda me deixar ter um aspirador só pra mim).

- O resultado, além de estafa física e mental, é que não liguei para nenhum amigo, NENHUM. Não porque eu seja uma anta e tenha trazido meu iPhone locked desta vez (ainda existe telefone fixo). Não porque eu não queira, longe disso. Mas porque minha cabeça não para, e, por isso, simplesmente não consigo. Preciso relaxar. E, escrever, pra mim, sempre foi melhor que massagem.

[neste caso vale aliar os dois]

4 comentários:

Amanda disse...

Sei muito bem do que vc ta falando! Foi assim que me senti quando voltei da australia e so tinha passado um ano la. Então imagina o meu pânico de pensar nessa segunda volta?

Ligar para os amigos sempre é o primeiro passo. Mas sei que pode ser estranho: ou pq tudo mudou e vc ainda não tem seu novo lugar ou pior, justamente pq nada mudou. Acho essa segunda opção mais assustadora, pois a gente tem a impressão de que viveu tanta coisa diferente, aprendeu tanta coisa, foi a lugares que nunca tinha ido antes e a galera... continua na vida de sempre. Não é reconfortante. Vc não precisa da sua vida de antes de volta. Vc não precisa retomar do ponto onde parou: da pra começar tudo de novo, sabe?

Faz um favor? Vai dar uma voltinha no bairro e depois me diz como ta? Eh pra ja ir me prevenindo.

Isabela disse...

Mas, Amandita, aí é que tá. Fui dar a tal voltinha, precisei ir na farmácia comprar a tal pomada do post abaixo e, já viu, sabonete líquido, esponja, isso, aquilo... me senti roubadíssima e já tinha sentido isso em fevereiro. Sorte a sua que vai pra Minas porque SP é ridículo, você se sente tratada como otária.
Mas vai dar tudo certo, pra nós duas!
Eu já tô relaxando. Preciso descansar esta semana pra pôr meus planos em prática semana que vem!

(agora, a comidinha... na real, comidona! é tão boa aqui da casa dos meus pais que, juro, quilos já gritando! em Minas? se prepara haha)

manuela disse...

nega, quand você vai ter TOCPM?
transtorno obsessivo compulsivo pela manuela? miss you bjs

Ana disse...

Eu sei q td q vc está passando não é nada agradável, mas queria dizer que esse texto é o primeiro que eu leio e realmente gosto em sei lá, uns 15 meses.