17.12.12

"A LINGUAGEM SOBE ESCADAS, DO MAIS MOÇO AO MAIS VELHO E SEU CASTELO DE IMPORTÂNCIA"



Gostar sempre parece menos que amar mas, de certa forma (e pra mim) amar tem aquela coisa do amor que já vem nascido, tipo de pai e de mãe, que gostam sem que necessite de porque. Gostar, não. Gostar tem a ver com gosto, afinidade, especialidades especiais. Se você juntar o amar-família com o gostar-gosto você tem o que eu sinto pelo meu irmão. Talvez essa definição chegue perto.

E, olha, a gente vem se estranhando de uns anos pra cá. E teve uma briga tão feia ano passado que virou ruptura longa. E silêncio. E choro (meu). E emails desencontrados e um encontro estranho. Mais emails. Nada que abalasse sequer um grama de quanto eu amo-gosto do meu irmão.

Hoje, como já aconteceu muitas outras vezes, eu precisei dele pra entender o que acontecia comigo. E, como muitas outras vezes, ele foi capaz de traduzir minha confusão, de acolher minha dor sem deixar de expor meu erro. De me acalmar.

Então, 100 quilos mais leve, eu fiquei pensando. Se era o tom de voz. Se era a incrível capacidade de compreensão dele. Se era o silêncio entre um raciocínio e outro. Se eu já nasci gostando ou aprendi por ser a irmã dois anos mais nova. Se é de outras vidas.

A acho que a Rita tem razão quando diz pro Tomás, filho mais velho deles, que seu irmão, o Mateus, vai ser a pessoa que ele mais vai amar na vida.

Amar-gostar, torço eu.


***

Do título: trecho de Irmão, Irmãos - Carlos Drummond de Andrade

14.12.12

CHIQUITAS BACANAS



Yes, nós temos bananas. Mas foi Londres que me apresentou a fruta como doce, sobremesa açucarada, misturada com caramelo e sob a alcunha de banoffee pie. Pra sorte do meu corpo, só descobri o crime dois meses antes de vir embora, o que não me impediu de comer a torta dia e noite, noite e dia, inclusive em forma de sorvete.

De volta, e banoffee pieless, voltei minha atenção pro que eu outrora considerava doce (chocolate) e rebaixei a banana ao posto de fruta rica em potássio. Nada más.

Até um fatídico pós-almoço com a Ju no Mercearia, mês e meio atrás. Fomos para o café do lado e ela pediu um doce de banana. Hmmm. Não era a banoffee pie. Nem sequer uma torta. Mas devolvia à banana o status de sobremesa, de ingrediente perfeito pra misturas que levam açúcar, creme, baba, cobertura, suspiros reais e metafóricos.

Bastou pra minha obsessão. E incorporei a banana ao meu vocabulário diário, atrás de receitas. Não demorou muito pra me falarem de um clássico brasileiro, o manezinho. Nem pra que eu "inventasse" a tradicional larica de banana assada coberta com açúcar, canela e leite condensado, ultradoce. Deliciosa.

O que eu não imaginava era que, praticamente no mesmo espaço de tempo, a Nana estivesse em busca do bolo de banana perfeito, encontrado em sua própria cozinha, sete tentativas (e, imagino, muitas bananas) depois.

Lendo o post dela eu fiquei com água na boca e nos olhos. Porque a escrivinhação da Nana sempre emociona. Mas também porque sincronias, sintonias me dão a sensação de pertencimento.

E isso me faz mais feliz.

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UPDATE: Trocando emails com a Nana depois que publiquei este post ela me mandou uma receita de purê de banana da terra e lembrei que tive uma outra fase banana no começo do ano, justamente com esse prato. E fiquei enlouquecida com as mil variações de receita. Fiz as mais fáceis. E ficaram divinas!

2.12.12

NO AR



Sexta-feira, eu fui correr no parque. Chegando lá, pensei, como já vinha pensando há dias, nos primeiros amores da adolescência. Nos meus; nos que eu via por ali. E cada vez que passava por algum grupo de jovens, procurava um jovem casal. Então desacelerava o passo pra respirar o mesmo ar que eles. Eu queria sentir de novo. Fiz isso enquanto corria e vice-versa. Até que, cansada, comecei a andar. No que vinha vindo um adolescente de skate. E em seu balé de corpo curvo, lindo, chegou bem perto de mim e soltou um beijo. Praticamente me beijou no ar.

Eu ri, claro.

Não pelo beijo em si - até porque, coisa doida, um homem tinha me dado o mesmo beijo aéreo havia pouco mais de um mês, na rua de casa. E eu, achado infame, um absurdo; uma invasão do meu espaço.

Mas um beijo adolescente, dadas as circunstâncias, vinha muito a calhar. Era praticamente o desejo se materializando.

Então dei por encerradas as revisões internas daquele período.


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"PEOPLE IN POWER ARE VERY OFTEN SOME OF THE EMPTIEST PEOPLE IN THE WORLD"




"And so as we look this difficult world with a loss of the environment and global warming and the depredations in the oceans, let's not look to the people in power to change things because the people in power, I'm afraid to say, are very often some of the emptiest people in the world and they are not going to change things for us. We have to find that light within ourselves, we have to find the light within our communities and our wisdom and our own creativity. We can't wait for the people in power to make things better for us cause they are never going to, not unless we make them. Now they say that human nature is competitive, that human nature is aggressive, that human nature is selfish - it's just the opposite: human nature is actually cooperative, human nature is actually generous, human nature is actually community-minded. What we see at this conference with people sharing information, people receiving information, people committed to the better world, that's actually human nature. And what I'm saying to you is, if you find that light within, if you find your own nature, we will be kinder unto ourselves and we will also be kind to nature."

The Power of Addiction and the Addiction of Power - Gabor Maté

28.11.12

"DRELINA ESPIAVA EM SONHO, DA JANELA"



"A noite, de si, recebia mais, formava escuridão feito. Daí, dos demais, deu tudo vagalume. -'Olha quanto mija-fogo se desajuntando no ar, bruxolim deles parece festa!' Inçame. Miguilim se deslumbrava. -'Chica, vai chamar Mãe, ela ver quanta beleza...' Se trançavam, cada um como que se rachava, amadurecido quente, de olho de bago; e as linhas que riscavam, o comprido, naquele uauá verde, luzlino. Dito arranjava um vidro vazio, para guardar deles vivendo. Dito e Tomezinho corriam no pátio, querendo pegar, chamavam: -'Vagalume, lume, lume, seu pai, sua mãe, estão aqui!...' Mãe, minha mãe. O vagalume. Mãe gostava, falava, afagando os cabelos de Miguilim: -'O lumêio deles é um acenado de amor...' Um cavalo se assustava, com medo que o vagalume pusesse fogo na noite. Outro cavalo patalava, incomodado com seu corpo tão imóvel. Um vagalume se apaga, descendo ao fundo do mar. -'Mãe, que é que é o mar, Mãe?' Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagoa enorme, um mundo d'água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. -'Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?' Miguilim parava. Drelina espiava em sonho, da janela. Maria Pretinha e Rosa tinham vindo também."

***

Ontem me foi dito que hoje era dia de aquietar. De ficar em casa. Eu já sabia que era dia de esperar; o dia do meio, entre a descoberta e a liberdade. Oxalá seja assim. E com minha guia amarela fiz grandes planos de espera que envolviam alguns ingredientes de sempre, pra evitar sobressaltos: inhame com gengibre no suco, quinoa com abacate na salada, chocotone com cafezinho pra equilibrar. E Guimarães Rosa.

O que eu não sabia é que, mais uma vez, eu me misturaria ao universo de um livro (e isso está ficando esquisito): uma hora antes de abrir na página 89 e dar sequência à leitura, eu disse - falando sobre e comigo mesma - a frase que descreve Drelina. E se dela diz sonho onde eu disse vida é ainda mais indicativo. E o mesmo.

A única coisa que me vêm à cabeça é que talvez seja hora de tirar a poeira do Aleph.

25.11.12

LAMINGTONS, A VERSÃO AUSTRALIANA DO NOSSO BOLO PELÉ (PORQUE NÃO É O CONTRÁRIO!)



Depois que desisti (pra me arrepender mortalmente pra sempre) de ir pra Paúba ontem de manhã, passei a tarde caçando alguma coisa que me fizesse fugir da auto-flagelação. Sem sucesso. Assisti 007 Contra Goldeneye (tenho vergonha de admitir mas Pierce Brosnan é meu Bond predileto) e browseava na internet quando achei o tumblr da Philippa Rice. Lindo, cheio de ilustras e coisas bacaninhas, ideias gostosas, meio infantil meio fofo, fiquei fixada. E só parei quando apareceu a foto de um bolo de chocolate com coco. Mas não qualquer um. 

Era o bolo de aniversário da minha infância, o que as mães mandavam pra escola cortado em pedaços, um a um embrulhados em papel alumínio. Molhadinho, envolto em coco. Vou fazer esse bolo AGORA, pensei. Assim como pensei que seria fácil achar a receita na internet. 

Mas não. 

Não era um clássico, como eu imaginava. Tentei vários tipos de busca e tudo que eu achava parecia meio truque. Lembrei que no tumblr da Phillipa havia um nome na legenda da foto: lamingtons. Hmmm. Outra busca e fiquei sabendo que era uma sobremesa tradicional na Austrália mas nenhuma receita australiana me convenceu. O bolo dos aniversários da minha infância não tinha nada a ver com aquilo. Fui pra cozinha. E fiz um Nega Maluca. 

Nunca tente fazer um bolo contrariada. Claro que ficou ruim. 

[e claro que eu comi metade e jantei bolo. se o dia já tá todo torto, massa crua e bolo quente. descem que nem manjar]

Mas então que hoje fui almoçar na casa de uma tia que fazia bolos deliciosos quando eu era criança. E nem precisei me esmerar na descrição pra que ela dissesse: o bolo Pelé! Abriu o armário, pegou o caderno e achou a receita entre umas folhas soltas. Escrita à mão, em detalhes, do pão de ló ao papel alumínio.

Talvez ainda chegue o dia em que não exista mais caderno, letra cursiva e lembrança palpável. Nem um doce cafona chamado Strogonoff de Chocolate cuja receita leva a frase "Levar à compoteira". 

Esse dia vai ser triste.


[ao bolo pelé. here i go]

22.11.12

FOI MAL, MICHEL



1.
Anteontem à noite, comecei a ler Diário da Queda, do Michel Laub. Como de costume, depois de alguns capítulos, adormeci.

2.
Acordei às quatro e pouco da manhã, com insônia. Na verdade, acordei depois de sentir um chacoalhão. Dizem que a gente sai do corpo quando dorme - mas por que eu teria voltado de maneira tão abrupta? De qualquer forma, não tive medo. Nem tinha tido um pesadelo, pelo contrário - apesar do sono conturbado, eu sonhava com literatura. Nada relacionado a Diário da Queda. Ainda.

3.
Levantei, fiz xixi e acendi o abajur. Voltei pra leitura de antes. E caí no sono de novo.

4.
Caí no sonho de novo. Sonhei que alguém me dizia, como se eu ainda estivesse lendo, que eu tinha que parar a leitura; que ler de madrugada era condenar o autor, também, à insônia. Que enquanto eu lia eu impedia que o Michel Laub dormisse.

5.
Terminei o livro ontem. Em horário comercial.


[da inviabilidade da experiência onírica humana. não é sonho]


Dá pra ler o primeiro capítulo de Diário da Queda aqui, no blog do autor

MANDJÓCA




Ando obcecada por receitas. Basta eu encontrar alguém para, em menos de cinco minutos, levar o assunto pra cozinha. Em alguns casos, como sou vegetariana, tenho que adaptar o que a pessoa fala. Em outros, tenho que traduzir o vocabulário do cozinheiro-com-prática: um fio de azeite não é só um fio (não por acaso minha comida ficava seca) assim como os segundos do alho dourando no azeite significam, na verdade, minutos (ou fica cru, Isabela).

[parece um problema isolado no uso do azeite mas é bem mais do que isso. é que me faltaram outros exemplos]

Por isso a receita da panqueca de mandioca ganhou tanto meu coração. É praticamente uma anti-receita, de tão simples:

Rale um pedaço de mandioca (sem casca) na parte fina do ralador
Coloque um pouquinho (bem pouquinho) de ghee (ou azeite ou manteiga) numa frigideira pequena
Amasse com o garfo - a mandioca se "auto-gruda", virando uma panquequinha
Vire pra cozinhar do outro lado
Sal a gosto, ou não (eu gosto)

E tá pronta a panqueca delícia de mandioca! Meu café da manhã e meu jantar, há semanas. Purinha, com queijo, com mel ou com o que você quiser.

[é mais gostosa que tapioca. e mais fácil de fazer]

20.11.12

EU NÃO QUERO MAIS SAIR DE 1Q84



Durou cerca de uma semana - não consigo lembrar o dia em que comecei. Sei que não larguei até o fim, torcendo pra que não houvesse essa coisa chamada vida nos intervalos da leitura. E havia, e eu saía de casa pra voltar seca pela continuidade da história, mesmo que fosse madrugada, mesmo que capaz de ler apenas duas ou três páginas antes que o sono me derrubasse.

Mas isso não é tudo.

Sexta-feira, eu vi Aomame. Almoçávamos, as duas, no mesmo restaurante. Não contei para as pessoas que estavam comigo nem, na verdade, achei mesmo que fosse ela. Mas quando bati os olhos naquela moça japonesa, que comia com um amigo na mesa da frente, vi a personagem do meu livro. E fui imediamente transportada pra história, por alguns instantes, a despeito de não estar sozinha. Porque ver é diferente de imaginar. E, como eu disse, eu vi.

À noite, fui numa pizzaria. E tudo corria bem (ou seja, no mundo real) até que eu fosse ao banheiro. Até que eu tentasse sair do banheiro. Que tinha várias portas e me remeteu - física, literária e loucamente - a um labirinto. Por alguns longos segundos achei que não fosse conseguir encontrar a saída.

Então, no dia seguinte, eu cheguei ao fim do livro 1. Pra minha angústia.

Mas um trecho da crítica do The New York Time Book Review na orelha da contra-capa daria sentido aos acontecimentos do dia anterior (que, eu ainda não sabia, continuariam acontecendo):

"Murakami é como um mágico que explica o que está fazendo conforme apresenta o truque, e mesmo assim faz parecer que tem poderes sobrenaturais (...). Qualquer um pode contar uma história que se pareça com um sonho, mas é raro o artista, como ele, que nos faz sentir como se nós mesmos a estivéssemos sonhando."

[e já dizia calderón de la barca...]

***

O livro 2 só vai ser publicado no Brasil ano que vem.

A imagem é de uma crítica do The New York Time Book Review que eu não sei se é a mesma da contra-capa da versão brasileira da Alfaguara. Não li - fala sobre mais de um volume e fiquei com medo de ter spoiler.

***

[a asserção "essa coisa chamada vida nos intervalos da leitura" só é possível se você acreditar no paradoxo como condutor da sobrevivência]

[leitura vida est]

[y todavía sueño]

10.11.12

EU RECUPEREI MEU IPHONE POR CAUSA DO VLADIMIR SAFATLE



O encadeamento de ações que levaram à perda e, posteriormente, à devolução do meu iPhone teve início há pouco menos de um mês. Foi quando deve ter chegado o email-convite do aniversário do Prem Baba. As comemorações aconteceriam no ashram em Nazaré Paulista e hoje haveria um satsang. Era preciso fazer inscrição. Mas não fiz.

Pouco menos de um mês é muito tempo. Ácaros nascem e morrem em pouco menos de um mês. Em pouco menos de um mês, ovos viram lagartas que viram a borboleta monarca. E eu, em relação ao aniversário do Prem Baba, não fiz nada além de pensar. Até que fizeram por mim. Ontem, véspera do satsang, recebi uma sugestão, um convite e uma carona - tudo em pouco mais de meia hora. E aceitei, claro, mesmo que a carona fosse só de ida "Eu também não tenho como voltar mas a gente dá um jeito lá, fica tranquila. Nem que a gente volte a pé". Lembrando que Nazaré Paulista fica a 70km de São Paulo.

Chovia, a lama era muita e o satsang foi lindo. Assim que terminou, olhei para minhas companheiras de carona sem volta - éramos três - na esperança de já haver uma solução. Nada. Então olhei para trás, mirei num casal e perguntei se eles voltariam naquela noite. "A gente pode ir com vocês?" Eles disseram que sim. A pouca firmeza que senti neles diminuiu quando as cerca de 400 pessoas começaram a formar fila para cumprimentar o guru. Será que os acharíamos de novo? Nessas, encontrei conhecidos, comecei a me preocupar com o cumprimento (toco os pés do guru? toco com as mãos? uso a testa? o que é aquilo que ele está dando pras pessoas?) e reparei que, atrás da gente, tinha uma menina impaciente. Perguntei se ela queria passar na nossa frente "Ah, obrigada, é que o taxista está me esperando".

"Você veio de táxi? Sabe se é fácil a gente conseguir um, é que estamos sem carona".

"Por que vocês não voltam comigo?"

Já perto de casa peguei meu iPhone pra anotar o email dela. "No próximo satsang você vai de carona com a gente, é só combinar", eu disse, sem me tocar de que, se o satsang fosse este, ela teria tido apenas como ir. E seríamos quatro procurando carona de volta. Mas foi de coração.

Ela me ditou o email soletrando letra por letra e, antes da arroba, releu, explicando que era a inicial de seu nome seguida de seu sobrenome, Safatle. "Como o colunista da Folha", falei. "O filósofo, Vladimir".

"Ah, sim, é meu primo"

Ela falou o provedor - pensei, "Antigo" e, depois de anotar, fechei o bloco de notas e deixei o iPhone no banco do táxi antes de descer em casa.

Demorou meia hora pra que eu me desse conta de que estava sem celular. E mais uns dez minutos de frenéticas ligações em vão pro meu número - se eu estava num satsang, o celular estava no silencioso, o taxista não ia ouvir. Eu torcia pra que ele não tivesse pego outro passageiro. E já dava tudo por perdido quando lembrei que a menina tinha o telefone do motorista de táxi. E eu sabia de cor o email dela: a primeira letra do nome, o colunista da Folha, o provedor antigo.

Bingo.

O que aconteceu na sequência foi uma sucessão de sortes. Ela viu meu email na hora, eu liguei pro taxista, ele tinha voltado pra casa sem pegar outro passageiro. Amanhã ele me traz o telefone.

Obrigada, Vladimir.

17.10.12

ENCAIXE



Acro Yoga (algo como acrobacia + yoga) não tem muito a ver comigo mas é inegável o quanto esse vídeo é lindo. É o mesmo casal daquele vídeo que viralizou,  em que ela pratica de lingerie enquanto ele dorme na cama, atrás, meio blur.

16.10.12

'DURGA WHEEL'





Hoje, primeiro dia do Navaratri, é dedicado à deusa Durga. E minutos depois de ter lido A História de Durga devi na Flor do Dia do Prem Baba, vi, na página do Gam Yoga no Facebook, a instalação acima. No sentido anti-horário, tem-se a história da disputa entre Durga e Mahisha. No sentido contrário, a roda conta a história de quando Durga e Mahisha se apaixonam. 

15.10.12

AMANHÃ COMEÇA O NAVARATRI



Quando a primavera começa no hemisfério sul e o outono no hemisfério norte os hindus celebram, na Índia, o Navaratri (nava significa nove e ratri, noite) um festival tradicional de adoração a shakti, a energia sagrada feminina representada por três deusas: Durga, Lakshimi e Saraswati. Começa amanhã, primeiro dia da lua nova, e segue por nove auspiciosos dias, na chamada novena das Devis.

Aqui tem uma matéria da BBC

[cada vez mais pertinho da índia]

ELVIS TWISTED LIKE A PRETZEL

14.10.12

AEQUANIMITAS, QUERIDO MIGUILIM





"I imagine when we're doing our practice and we're focusing on breath, focusing on the sensations - breath is a sensation -, in the body, in the asana then we're strengthening that same muscle that lets us build our lives to allow for more practice. 
Where that leads to is a meditation. How that happens there's differents techniques. But when moments of concentration are strong together seriously meditation happens. 
So you're applying your attention to whatever it is - to your relationship or to any sensation - and then you're letting it be as it is: that's equanimity so non reactiveness. 
When we do our practice on the matt it's almost like you put yourself into a trance by doing this nice, calm, even breath. And so sensation comes up, you know, like the feeling of a forward bend or your hands on the floor or your gaze towards your nose or your navel and you just watch, you just try to create dispatch in the mind. And then again that's what you're trying to carry outside into all your experiences as well. So one half of it is being able to watch and the other half is this sort of allow, allowing it to happen, non reactive state of mind, equanimity."

De David Robson, um canadense que ensina muito, mas muito mais do que ashtanga em sua escola. Porque ashtanga é muito, muito mais do que um tipo intenso de yoga. 

[maria rita kehl coloca miguilim na psicanálise, eu coloco na ashtanga. é brincadeira, óbvio, mas a verdade é que seria difícil não associar tanto aprendizado ao que acontece na minha vida - seja literatura, sejam fatos reais, sejam vivências internas]



30.9.12

PORQUE EU NÃO VOU PARAR. NÃO AGORA

Supta Kurmasana


A ashtanga entrou na minha vida sem que eu conscientemente buscasse: na hatha, reencontrei uma amiga da época da escola e enquanto atualizávamos os 20 anos sem nos ver, o professor de ashtanga chegou para conversar com ela (que estava praticando, mas sem muita constância). Ali, surgiu a ideia de experimentar. E pouco tempo depois escrevi o post "Para mim, ashtanga é uma aula de humildade". Foi um intenso mês de prática mas foi só mesmo um mês.

Eu arreguei. Deixei que todos os meus medos me dominassem. E eles tinham a ver com a ashtanga ('não vou decorar a série', 'não vou conseguir fazer as torções') mas eram também metafóricos. Principalmente. Continuei com a hatha, passei também a fazer iyengar e não deixei de experimentar várias outras práticas que apareceram no meu caminho. Mas a ashtanga era quase um chamado.

Um desafio. Que, em agosto, decidi encarar. Mandei uma mensagem de texto para aquela amiga dizendo "vou voltar. você tem ido? vamos?" e ela respondeu assim "nossa Isa! ia te escrever perguntando, faz dois meses que não vou. vamos!" E durante as primeiras três semanas, embora façamos Mysore (cada um no seu tempo), integramos nossas práticas e fizemos tudo juntas. Até que o Alê nos desse uma bronca por isso -  com razão. Então pude internalizar minha prática, perder alguns medos, conhecer muitos outros. E agradecer tanto pela amiga - eu precisava que alguém me desse a mão naquele recomeço - como pelo mestre. Que não me deixa arrefecer, que me põe pra frente. Que não me permite fraquejar. Nem quando eu suplico (e em Supta Kurmasana eu tenho suplicado). Por isso eu tento não ir embora sem dar uma palavrinha com ele.

Pra falar da minha prática. Mas também das minhas angústias, dúvidas, dificuldades. E sempre ouço alguma coisa interessante, que embala meus pensamentos nos 15 minutos que caminho até em casa. Foi ele a primeira pessoa que me falou sobre sadhana. E ainda me falta disciplina mas tenho pensado muito nisso. Como também na ashtanga - por isso este post-reverência.

É que minha médica ayurvédica disse que talvez não fosse a melhor yoga pra mim. Porque eu sou Pitta, é fogo demais. Mas... parar? Então achei o caminho do meio: é só equilibrar com a hatha. Porque eu não vou parar a ashtanga. Não agora. O desafio tá só no começo. E olha que já pensei em pedir pra sair, mais de uma vez, no meio da prática. Mas isso é só o medo dizendo que existe. E minha permanência sou eu mostrando quem domina.

[preparatórias da supta kurmasana, i mean. porque ainda tem chão pra chegar lá]

25.9.12

YOM KIPPUR, O DIA DO PERDÃO



"Independentemente do nível de religiosidade de cada judeu é muito válido parar um dia só para pensar na vida, nas próprias atitudes, nas palavras e comportamentos corriqueiros que podem, de alguma maneira, ferir os outros.

Jejuar é apenas uma forma de você entrar nesse transe de olhar para dentro e sentir, nas vísceras, as sensações, todas elas com intensidade. Boa 'viagem' para quem dedicará hoje e amanhã para 'pedir perdão' e que venham muitos insights que nos tornem pessoas realmente melhores."

Achei tão lindas e pertinentes e sábias as palavras da amiga da Shirly no FB que não resisti a postar. Seria incrível se todo mundo, judeu ou não, cabalista ou não, pudesse reservar um tempo pra essa viagem interna.

No Yom Kippur podemos trabalhar "nossa capacidade de abandonar os ressentimentos que temos em relação a outras pessoas. Talvez este seja um dos maiores dilemas da existência humana. A opção do perdão é difícil mas revela a grande bênção no caminho para uma realização"(frase de um email do grupo de estudos da Cabala do Ian Mecler, do qual faço parte).

[e que me perdoe Roberto Freire mas, putz... sem perdão não há solução:-P]


18.9.12

O QUE EU FIZ HOJE. NO MESMO LUGAR DO FILME




A prática chama Yoga Livre e esses suportes (que lembram as kuruntas do Iyengar, mas só lembram), chamam Adhara e te permitem ficar pendurado e soltar o corpo "sem controle e com perfeição porque somos naturalmente livres". A filosofia que embasa esse estilo chama AYA - Asana Yoga Adhara, "o resgate espontâneo do corpo sobre todas as superfícies que a natureza oferece, sem ângulos e retas".

Aqui, que foi de onde eu tirei todas essas aspas, explica tudo e tem várias fotos, inclusive da prática no meio da floresta.

O mais lindo é que o mestre, o Edson, vai falando coisas incríveis, mas incríveis mesmo, enquanto te guia pelas posturas. Hoje ele falou sobre coração. E tocou o meu.

Logo mais tô de ponta cabeça numa Adhara entre muitas árvores e o nada.

[o que escrevo aqui tem se realizado. ando meio impressionada]

13.9.12

"QUE TODOS OS SERES/ SEJAM FELIZES/ E LIVRES/ PARA SEMPRE"



Eu ainda não contei aqui sobre o retiro de yoga que fiz numa fazenda em São Bento do Sapucaí, no feriado de 7 de setembro. Ok, esse "ainda" é retórico - não sei se vou contar, é quase impossível descrever esse tipo de experiência. Não é má vontade, nem falta dela (queria eu poder organizar em palavras o que eu vi, senti, pensei, amei). Mas ainda não sei se é possível.

Falei disso porque, no retiro, recitamos vários mantras, claro. Um, especialmente, não me sai da cabeça - esse aí do vídeo. Só que numa outra versão, lindíssima, que emociona só de lembrar. Ainda não tenho. Mas, enquanto procurava, encontrei os dois figuras aí de cima. Que valem o post :-P

6.9.12

"YEAH, BUT I WANT TO LIVE FOREVER. ISN'T YOGA SUPPOSED TO TEACH YOU HOW TO DO THAT?"



"Sorry, dude, you're going to die. But you should do your yoga anyway, because you'll feel a lot better when you're done. Practice isn't going to keep you alive forever but it might help you calm your mind and get rid of some of those fears. That alone makes it worth the time."

"When you practice yoga, you're really practicing living and dying, learning how to deal with the reality of impermanence. Also, sometimes, you stand on your head."

Daqui

SE MINHA LIBERDADE, HOJE, TIVESSE UM VÍDEO



Via Agádoisesseóquatro

EN CADENA


Então que depois de lembrar de uma pessoa querida e traduzir a saudade em email, volto ao post que deu origem ao sentimento primeiro. E folheio virtualmente O Livro dos Abraços. Que, ainda no prólogo, repete o que venho aprendendo em outras lições.

tudo passa pelo coração.

E esclarece minha dúvida entre literatura e espiritualidade.

não há. dúvida.


[o sentimento primeiro tem de ser o amor. sempre]

En Cadena 2: lembra de quando, em julho, descobri que a etimologia de 'coragem' é 'agir com o coração'?

'Y CUANDO POR FIN CONSIGUIÓ HABLAR, TEMBLANDO, TARTAMUDEANDO, PIDIÓ A SU PADRE..."



"Diego no conocía la mar. El padre, Santiago Kovadloff, lo llevó a descubrirla.

Viajaron al sur.

Ella, la mar, estaba más allá de los altos médanos, esperando.

Cuando el niño y su padre alcanzaron por fin aquellas cumbres de arena, después de mucho caminar, la mar estalló ante sus ojos. Y fue tanta la inmensidad de la mar, y tanto su fulgor, que el niño quedó mudo de hermosura.

Y cuando por fin consiguió hablar, temblando, tartamudeando, pidió a su padre:

-- ¡Ayúdame a mirar!"


en El Libro de Los Abrazos (leia) - Eduardo Galeano


[estoy todavía muda de hermosura]

[me incomoda postar uma imagem tão literal mas essa me pegou, não consegui trocar]

4.9.12

"O ÚNICO PRÊMIO QUE FREUD RECEBEU EM VIDA FOI O GOETHE DE LITERATURA, EM 1930"





O prefácio da edição atual da Cosac Naify (LINDA!) do livro Luto e Melancolia, do Freud, é escrito pela Maria Rita Kehl, que é psicanalista lacaniana. E ela começa (nessas 4 páginas que coloco aqui) falando de linguagem e literatura. Lindo. Mais lindo ainda é o trecho de Guimarães Rosa que vem a seguir, ali, sob o intertítulo 'O melancólico freudiano'. Olha:

"Todos os dias que depois vieram eram tempo de doer. Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas, e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era até bom - enquanto estava chorando parecia que a alma toda se sacudia, misturando ao vivo todas as lembranças, as mais novas e as muito antigas. Mas, no mais das horas, ele estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Ele não era ele mesmo. Diante dele, as pessoas perdiam o peso de ser. Os lugares, o Mutum - se esvaziavam, numa ligeireza, vagarosos. E Miguilim se achava mesmo diferente de todos. "

'Campo Geral', Manuelzão e Miguilim