3.6.12

O PRINCÍPIO DA GUERRA



Já faz alguns dias que as palavras (do título) acima ressoam na minha cabeça. E foram várias as tentativas de postá-las (esta, ainda em andamento). Desisto porque minhas frases não parecem espelhar apropriadamente o sentido real do meu pensamento. Soam ridículas; mal chego a concluir uma ideia. Meu julgamento anda nas alturas - e não é falta de olhar para isso.

Pensei várias vezes que a incapacidade de escrever o post era, na verdade, falta de vontade de me expor. Talvez. Porque para contextualizar a frase preciso escrever que tive um encontro meio desagradável com uma pessoa que me tratou de forma hostil. E que eu, cansada desse tipo de situação, reagi à altura (sem drama, só fui igualmente hostil). Então, contei isso para o meu mestre. Que me explicou - sem me julgar ou criticar - que em situações como essa devemos agir amorosamente. Que, independentemente do outro, devemos agir de acordo com a nossa natureza, que é amorosa. Mesmo que o outro insista em continuar agindo com hostilidade.

- Você não faz isso para ter a aprovação ou o amor do outro. Você faz isso porque é da sua natureza.

Concordei só parcialmente. Continuava sem fazer sentido dentro de mim. E lembrei da primeira vez que aquele tipo de situação tinha acontecido na minha vida. Eu era criança. Tinha menos de dez anos e fui viajar com uma amiga para o sítio dela. Lá, sua prima, com ciúme de mim, começou a me tratar mal, principalmente quando ninguém via. Eu fiquei passada, quieta. Até que falei pra ela, quando estávamos só nós duas: vamos fazer uma surpresa para a sua prima e ficar de bem?
Mas ela disse não. E me hostilizou ainda mais.
Eu passei um dos piores fins de semana da minha vida.

Contei para meu mestre a história esperando alguma tolerância na minha postura de tratar mal quem me trata mal. Na verdade, eu tinha esperança que houvesse alguma exceção nessa regra da natureza amorosa; que 'fight back' pudesse entrar na regra de outro tipo de amor, o próprio.

Mas ele não seria um mestre se tivesse me dito isso.

Ele então reforçou a ideia da natureza amorosa. E disse a frase que, para mim, trouxe o entendimento integral (na cabeça e no coração). Ele disse que a reação hostil ou agressiva diante de um ataque é nada menos do que o princípio da guerra.

Não existem exceções ou concessões no caminho. Nem ele é fácil.

2 comentários:

S. W disse...

Será que seria (na altura da minha ignorância), o fato de tratar alguém que nos trata mal de forma amorosa a maneira mais sutil de machucar com efetividade? Explico, quem trata mal, sabe que trata mal, sabe que é hostil, e nada pior do que ser tratado bem de volta, deve provocar um sentimento muito merda internamente. Como eu ainda não atingi esse nivél de espiritualidade eu continuo tentando pelo menos respirar fundo, mais fundo encher a mente de ar fresco e não revidar as lapadas diárias.

beijos

Isabela Mena disse...

Simone, querida, você é muito mais evoluída espiritualmente do que imagina - "encher a mente de ar fresco e não revidar as lapadas diárias" é um dos grandes ensinamentos da cabala: deixar de ser reativo para ser proativo. E tem tudo a ver com o que está lá no post, só não escrevi porque já estava muito longo. Mas é muito louco vc ter escrito isso porque ontem fiquei pensando muito nisso depois, em quanto eu reajo instintivamente, na hora, e no quanto quero mudar isso. Obrigada <3, sério!
Beijos!