4.9.12

"O ÚNICO PRÊMIO QUE FREUD RECEBEU EM VIDA FOI O GOETHE DE LITERATURA, EM 1930"





O prefácio da edição atual da Cosac Naify (LINDA!) do livro Luto e Melancolia, do Freud, é escrito pela Maria Rita Kehl, que é psicanalista lacaniana. E ela começa (nessas 4 páginas que coloco aqui) falando de linguagem e literatura. Lindo. Mais lindo ainda é o trecho de Guimarães Rosa que vem a seguir, ali, sob o intertítulo 'O melancólico freudiano'. Olha:

"Todos os dias que depois vieram eram tempo de doer. Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas, e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era até bom - enquanto estava chorando parecia que a alma toda se sacudia, misturando ao vivo todas as lembranças, as mais novas e as muito antigas. Mas, no mais das horas, ele estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Ele não era ele mesmo. Diante dele, as pessoas perdiam o peso de ser. Os lugares, o Mutum - se esvaziavam, numa ligeireza, vagarosos. E Miguilim se achava mesmo diferente de todos. "

'Campo Geral', Manuelzão e Miguilim


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