30.9.12

PORQUE EU NÃO VOU PARAR. NÃO AGORA

Supta Kurmasana


A ashtanga entrou na minha vida sem que eu conscientemente buscasse: na hatha, reencontrei uma amiga da época da escola e enquanto atualizávamos os 20 anos sem nos ver, o professor de ashtanga chegou para conversar com ela (que estava praticando, mas sem muita constância). Ali, surgiu a ideia de experimentar. E pouco tempo depois escrevi o post "Para mim, ashtanga é uma aula de humildade". Foi um intenso mês de prática mas foi só mesmo um mês.

Eu arreguei. Deixei que todos os meus medos me dominassem. E eles tinham a ver com a ashtanga ('não vou decorar a série', 'não vou conseguir fazer as torções') mas eram também metafóricos. Principalmente. Continuei com a hatha, passei também a fazer iyengar e não deixei de experimentar várias outras práticas que apareceram no meu caminho. Mas a ashtanga era quase um chamado.

Um desafio. Que, em agosto, decidi encarar. Mandei uma mensagem de texto para aquela amiga dizendo "vou voltar. você tem ido? vamos?" e ela respondeu assim "nossa Isa! ia te escrever perguntando, faz dois meses que não vou. vamos!" E durante as primeiras três semanas, embora façamos Mysore (cada um no seu tempo), integramos nossas práticas e fizemos tudo juntas. Até que o Alê nos desse uma bronca por isso -  com razão. Então pude internalizar minha prática, perder alguns medos, conhecer muitos outros. E agradecer tanto pela amiga - eu precisava que alguém me desse a mão naquele recomeço - como pelo mestre. Que não me deixa arrefecer, que me põe pra frente. Que não me permite fraquejar. Nem quando eu suplico (e em Supta Kurmasana eu tenho suplicado). Por isso eu tento não ir embora sem dar uma palavrinha com ele.

Pra falar da minha prática. Mas também das minhas angústias, dúvidas, dificuldades. E sempre ouço alguma coisa interessante, que embala meus pensamentos nos 15 minutos que caminho até em casa. Foi ele a primeira pessoa que me falou sobre sadhana. E ainda me falta disciplina mas tenho pensado muito nisso. Como também na ashtanga - por isso este post-reverência.

É que minha médica ayurvédica disse que talvez não fosse a melhor yoga pra mim. Porque eu sou Pitta, é fogo demais. Mas... parar? Então achei o caminho do meio: é só equilibrar com a hatha. Porque eu não vou parar a ashtanga. Não agora. O desafio tá só no começo. E olha que já pensei em pedir pra sair, mais de uma vez, no meio da prática. Mas isso é só o medo dizendo que existe. E minha permanência sou eu mostrando quem domina.

[preparatórias da supta kurmasana, i mean. porque ainda tem chão pra chegar lá]

2 comentários:

C. disse...

Lindo isso que você escreveu: "Mas isso é só o medo dizendo que existe. E minha permanência sou eu mostrando quem domina."
Às vezes sinto medo e angústia durante as minhas práticas também, mas nada é mais gratificante do que ser enfrentar o medo e seguir firme.
Namastê!

Isabela Mena disse...

Linda, é isso mesmo! Namastê! <3