10.11.12

EU RECUPEREI MEU IPHONE POR CAUSA DO VLADIMIR SAFATLE



O encadeamento de ações que levaram à perda e, posteriormente, à devolução do meu iPhone teve início há pouco menos de um mês. Foi quando deve ter chegado o email-convite do aniversário do Prem Baba. As comemorações aconteceriam no ashram em Nazaré Paulista e hoje haveria um satsang. Era preciso fazer inscrição. Mas não fiz.

Pouco menos de um mês é muito tempo. Ácaros nascem e morrem em pouco menos de um mês. Em pouco menos de um mês, ovos viram lagartas que viram a borboleta monarca. E eu, em relação ao aniversário do Prem Baba, não fiz nada além de pensar. Até que fizeram por mim. Ontem, véspera do satsang, recebi uma sugestão, um convite e uma carona - tudo em pouco mais de meia hora. E aceitei, claro, mesmo que a carona fosse só de ida "Eu também não tenho como voltar mas a gente dá um jeito lá, fica tranquila. Nem que a gente volte a pé". Lembrando que Nazaré Paulista fica a 70km de São Paulo.

Chovia, a lama era muita e o satsang foi lindo. Assim que terminou, olhei para minhas companheiras de carona sem volta - éramos três - na esperança de já haver uma solução. Nada. Então olhei para trás, mirei num casal e perguntei se eles voltariam naquela noite. "A gente pode ir com vocês?" Eles disseram que sim. A pouca firmeza que senti neles diminuiu quando as cerca de 400 pessoas começaram a formar fila para cumprimentar o guru. Será que os acharíamos de novo? Nessas, encontrei conhecidos, comecei a me preocupar com o cumprimento (toco os pés do guru? toco com as mãos? uso a testa? o que é aquilo que ele está dando pras pessoas?) e reparei que, atrás da gente, tinha uma menina impaciente. Perguntei se ela queria passar na nossa frente "Ah, obrigada, é que o taxista está me esperando".

"Você veio de táxi? Sabe se é fácil a gente conseguir um, é que estamos sem carona".

"Por que vocês não voltam comigo?"

Já perto de casa peguei meu iPhone pra anotar o email dela. "No próximo satsang você vai de carona com a gente, é só combinar", eu disse, sem me tocar de que, se o satsang fosse este, ela teria tido apenas como ir. E seríamos quatro procurando carona de volta. Mas foi de coração.

Ela me ditou o email soletrando letra por letra e, antes da arroba, releu, explicando que era a inicial de seu nome seguida de seu sobrenome, Safatle. "Como o colunista da Folha", falei. "O filósofo, Vladimir".

"Ah, sim, é meu primo"

Ela falou o provedor - pensei, "Antigo" e, depois de anotar, fechei o bloco de notas e deixei o iPhone no banco do táxi antes de descer em casa.

Demorou meia hora pra que eu me desse conta de que estava sem celular. E mais uns dez minutos de frenéticas ligações em vão pro meu número - se eu estava num satsang, o celular estava no silencioso, o taxista não ia ouvir. Eu torcia pra que ele não tivesse pego outro passageiro. E já dava tudo por perdido quando lembrei que a menina tinha o telefone do motorista de táxi. E eu sabia de cor o email dela: a primeira letra do nome, o colunista da Folha, o provedor antigo.

Bingo.

O que aconteceu na sequência foi uma sucessão de sortes. Ela viu meu email na hora, eu liguei pro taxista, ele tinha voltado pra casa sem pegar outro passageiro. Amanhã ele me traz o telefone.

Obrigada, Vladimir.

3 comentários:

Nathalia Lavigne disse...

Hahaha, muito boa essa história! E né, também acho que menos de um mês é muito tempo, adorei as comparações :)

Nina disse...

Que extraordinário, hein? Conheço uma outra blogueira que foi num show e viu seu celular sendo atirado lá longe quando estava prestes a tirar uma foto do seu ídolo. No fim da noite, ela encontrou o celular, numa espécie de lacuna minúscula entre o palco e o público.
Vocês tem muita sorte. E eu nem tenho i-phone. ¬¬
Abraços.

Isabela Mena disse...

Brigada, Nath! <3

E, Nina, é vero, mega sorte, nossa!

Bjos!