17.12.12

"A LINGUAGEM SOBE ESCADAS, DO MAIS MOÇO AO MAIS VELHO E SEU CASTELO DE IMPORTÂNCIA"



Gostar sempre parece menos que amar mas, de certa forma (e pra mim) amar tem aquela coisa do amor que já vem nascido, tipo de pai e de mãe, que gostam sem que necessite de porque. Gostar, não. Gostar tem a ver com gosto, afinidade, especialidades especiais. Se você juntar o amar-família com o gostar-gosto você tem o que eu sinto pelo meu irmão. Talvez essa definição chegue perto.

E, olha, a gente vem se estranhando de uns anos pra cá. E teve uma briga tão feia ano passado que virou ruptura longa. E silêncio. E choro (meu). E emails desencontrados e um encontro estranho. Mais emails. Nada que abalasse sequer um grama de quanto eu amo-gosto do meu irmão.

Hoje, como já aconteceu muitas outras vezes, eu precisei dele pra entender o que acontecia comigo. E, como muitas outras vezes, ele foi capaz de traduzir minha confusão, de acolher minha dor sem deixar de expor meu erro. De me acalmar.

Então, 100 quilos mais leve, eu fiquei pensando. Se era o tom de voz. Se era a incrível capacidade de compreensão dele. Se era o silêncio entre um raciocínio e outro. Se eu já nasci gostando ou aprendi por ser a irmã dois anos mais nova. Se é de outras vidas.

A acho que a Rita tem razão quando diz pro Tomás, filho mais velho deles, que seu irmão, o Mateus, vai ser a pessoa que ele mais vai amar na vida.

Amar-gostar, torço eu.


***

Do título: trecho de Irmão, Irmãos - Carlos Drummond de Andrade

14.12.12

CHIQUITAS BACANAS



Yes, nós temos bananas. Mas foi Londres que me apresentou a fruta como doce, sobremesa açucarada, misturada com caramelo e sob a alcunha de banoffee pie. Pra sorte do meu corpo, só descobri o crime dois meses antes de vir embora, o que não me impediu de comer a torta dia e noite, noite e dia, inclusive em forma de sorvete.

De volta, e banoffee pieless, voltei minha atenção pro que eu outrora considerava doce (chocolate) e rebaixei a banana ao posto de fruta rica em potássio. Nada más.

Até um fatídico pós-almoço com a Ju no Mercearia, mês e meio atrás. Fomos para o café do lado e ela pediu um doce de banana. Hmmm. Não era a banoffee pie. Nem sequer uma torta. Mas devolvia à banana o status de sobremesa, de ingrediente perfeito pra misturas que levam açúcar, creme, baba, cobertura, suspiros reais e metafóricos.

Bastou pra minha obsessão. E incorporei a banana ao meu vocabulário diário, atrás de receitas. Não demorou muito pra me falarem de um clássico brasileiro, o manezinho. Nem pra que eu "inventasse" a tradicional larica de banana assada coberta com açúcar, canela e leite condensado, ultradoce. Deliciosa.

O que eu não imaginava era que, praticamente no mesmo espaço de tempo, a Nana estivesse em busca do bolo de banana perfeito, encontrado em sua própria cozinha, sete tentativas (e, imagino, muitas bananas) depois.

Lendo o post dela eu fiquei com água na boca e nos olhos. Porque a escrivinhação da Nana sempre emociona. Mas também porque sincronias, sintonias me dão a sensação de pertencimento.

E isso me faz mais feliz.

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UPDATE: Trocando emails com a Nana depois que publiquei este post ela me mandou uma receita de purê de banana da terra e lembrei que tive uma outra fase banana no começo do ano, justamente com esse prato. E fiquei enlouquecida com as mil variações de receita. Fiz as mais fáceis. E ficaram divinas!

2.12.12

NO AR



Sexta-feira, eu fui correr no parque. Chegando lá, pensei, como já vinha pensando há dias, nos primeiros amores da adolescência. Nos meus; nos que eu via por ali. E cada vez que passava por algum grupo de jovens, procurava um jovem casal. Então desacelerava o passo pra respirar o mesmo ar que eles. Eu queria sentir de novo. Fiz isso enquanto corria e vice-versa. Até que, cansada, comecei a andar. No que vinha vindo um adolescente de skate. E em seu balé de corpo curvo, lindo, chegou bem perto de mim e soltou um beijo. Praticamente me beijou no ar.

Eu ri, claro.

Não pelo beijo em si - até porque, coisa doida, um homem tinha me dado o mesmo beijo aéreo havia pouco mais de um mês, na rua de casa. E eu, achado infame, um absurdo; uma invasão do meu espaço.

Mas um beijo adolescente, dadas as circunstâncias, vinha muito a calhar. Era praticamente o desejo se materializando.

Então dei por encerradas as revisões internas daquele período.


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"PEOPLE IN POWER ARE VERY OFTEN SOME OF THE EMPTIEST PEOPLE IN THE WORLD"




"And so as we look this difficult world with a loss of the environment and global warming and the depredations in the oceans, let's not look to the people in power to change things because the people in power, I'm afraid to say, are very often some of the emptiest people in the world and they are not going to change things for us. We have to find that light within ourselves, we have to find the light within our communities and our wisdom and our own creativity. We can't wait for the people in power to make things better for us cause they are never going to, not unless we make them. Now they say that human nature is competitive, that human nature is aggressive, that human nature is selfish - it's just the opposite: human nature is actually cooperative, human nature is actually generous, human nature is actually community-minded. What we see at this conference with people sharing information, people receiving information, people committed to the better world, that's actually human nature. And what I'm saying to you is, if you find that light within, if you find your own nature, we will be kinder unto ourselves and we will also be kind to nature."

The Power of Addiction and the Addiction of Power - Gabor Maté