17.12.12

"A LINGUAGEM SOBE ESCADAS, DO MAIS MOÇO AO MAIS VELHO E SEU CASTELO DE IMPORTÂNCIA"



Gostar sempre parece menos que amar mas, de certa forma (e pra mim) amar tem aquela coisa do amor que já vem nascido, tipo de pai e de mãe, que gostam sem que necessite de porque. Gostar, não. Gostar tem a ver com gosto, afinidade, especialidades especiais. Se você juntar o amar-família com o gostar-gosto você tem o que eu sinto pelo meu irmão. Talvez essa definição chegue perto.

E, olha, a gente vem se estranhando de uns anos pra cá. E teve uma briga tão feia ano passado que virou ruptura longa. E silêncio. E choro (meu). E emails desencontrados e um encontro estranho. Mais emails. Nada que abalasse sequer um grama de quanto eu amo-gosto do meu irmão.

Hoje, como já aconteceu muitas outras vezes, eu precisei dele pra entender o que acontecia comigo. E, como muitas outras vezes, ele foi capaz de traduzir minha confusão, de acolher minha dor sem deixar de expor meu erro. De me acalmar.

Então, 100 quilos mais leve, eu fiquei pensando. Se era o tom de voz. Se era a incrível capacidade de compreensão dele. Se era o silêncio entre um raciocínio e outro. Se eu já nasci gostando ou aprendi por ser a irmã dois anos mais nova. Se é de outras vidas.

A acho que a Rita tem razão quando diz pro Tomás, filho mais velho deles, que seu irmão, o Mateus, vai ser a pessoa que ele mais vai amar na vida.

Amar-gostar, torço eu.


***

Do título: trecho de Irmão, Irmãos - Carlos Drummond de Andrade

4 comentários:

Cami disse...

Queria escrever como você, texto muito bom! Inspirador :)

Isabela Mena disse...

Ahhh, obrigada <3

Evelyne Joyce disse...

Que liiindo!
Muito inspirador mesmo.
Tenho muita pena de não ter convivido com a minha irmã, e por isso acho irmãos nos meus amigos. ^^
Muito linda sua relação com seu irmão, muito linda mesmo, tanto quanto seu texto. ;)

Isabela Mena disse...

Brigada, Evelyne, que elogios gostosos de ouvir! <3
Beijo!