23.7.13

MACABALEIA, MACABALÉA




"O Graciliano Ramos não escreve com adjetivos, ele escreve com palavras. Graciliano Ramos não escreve com advérbio, escreve com palavra. Entende?"

Eu assisti a esse vídeo quando estava lendo o "O Verão sem Homens", que reli em seguida, de tanto que gostei, de tão lindamente que fala do feminino, delicadamente, e esses advérbios me doem agora, e vai com dor, que não apago nem deixo de adjetivar o objeto de minha ainda adoração (por tantos motivos), mas,

o livro - a tradução - tem muito mais "inefável", "inexorável", "crepúsculo" do que "peixe", "pedra", "mato", "papagaio". E isso me incomodou a ponto de:

1. eu me sentir uma burra (ignorante, mais propriamente dizendo - ah, os advérbios...)
2. deixar um dicionário ali do lado e parar tudo para consultá-lo

Então que na segunda leitura passei a usar o lápis que sublinha frases que gosto também para deixar ali, do lado da palavra que foi feita mais pra brilhar, o significado, o que ela foi feita para dizer. Rasurando as páginas como em protesto.

Pra me entender melhor, é preciso assistir o vídeo acima. Que, obviamente, vale muito (e até mais) independentemente (rapaz, eu gosto mesmo de um advérbio) do meu post.

[e quisera eu ser escritora pra ter Graciliano Ramos no meu ombro, fiscalizando e, no meu caso, dizendo "mas você não vai mesmo colocar vírgula?"]

Principalmente porque - eu eu saio dos meus colchetes pra dizer isso - para a espiritualidade, quanto maior a sombra, maior a luz. E, se como fala Marcelino Freire, "Graciliano Ramos é uma sombra na vida da gente",

fiat lux.

Não deixe de ver o outro vídeo de Marcelino em homenagem a Graciliano, uma leitura de Vidas Secas, uma lindeza. Lindamente lindo.

Aí você até entende o título deste post.

[eu me traí e, relendo o post, coloquei algumas vírgulas, mesmo achando desnecessário, mesmo correndo o risco de errar - mas não foi justamente por isso, pelo risco?]

10.7.13

DRAMATIS PERSONAE


"Podia ser só por tanto que eu admiro o quanto ele sabe de tudo nessa vida que me interessa saber (mesmo quando eu só fique sabendo da existência da coisa quando ele me conta)",

escrevi, já faz tempo. E deletei do texto por não achar que encaixasse esteticamente nele, sabendo que o sentido estava de qualquer forma lá, diluído noutras palavras, noutras construções. O sentido é sempre esse.

Mesmo que mude o sujeito da minha adoração. E que nesse novo se insira desejo físico (que aqui não há perversão, não aqui).

Mas nada disso é possível. O amor é pessoal e intransferível. Principalmente o próprio.

[trying to turn electra upside down with no success whatsoever]

Ilustra daqui

3.7.13

SIMONE & DAWN



Não é o ponto central do filme, mas as relações femininas, as relações do feminino também tão em A Árvore. Ou eu vejo assim por uma tendência natural e cada vez mais acordada na minha vida.

Há temas dos quais a gente não pode fugir, eles nos são propostos ainda muito cedo. E são também um presente.