23.9.13

DA (IN)COMPLETUDE

Lia, Nu, eu, Maria, Lau e Camilo na Benedito Calixto


Foi uma semana de muita troca e eu sabia que, em algum momento, ia surgir o desejo de escrever a respeito. Sábado, quando voltávamos pra casa, pouco antes de nos despedirmos, contei a elas sobre a frase um tanto rude e totalmente gratuita que uma amiga em comum, que elas nunca mais viram, me falou ano passado, num reencontro.

- A frase não foi gratuita, Laura disse. Isso é coisa de quem está ressentido com a própria vida, muito infeliz. E ao te ver e achar que você estava bem, descontou o ressentimento em você.

Eu e Nuria concordamos com isso e todas, depois, também com o fato do quanto esse comportamento, infelizmente, é recorrente. Então Laura lembrou do texto de um pensador português, que ela usou em seu doutorado em antropologia, que fala sobre a incompletude. De que quando uma sociedade/cultura se dá conta de que não é completa e de que a completude nunca será atingida - simplesmente porque não é possível - , ela aceita o outro, o estrangeiro, o diferente.

E como agora ela docemente confunde um pouco as línguas (trazendo o castelhano pro português), disse

- E acho que dá pra trasladar isso pras relações humanas. Quando uma pessoa não aceita sua incompletude surge o ressentimento e ela acaba atacando o outro, o que acredita que o outro tenha que ela não tem.

Sim.

E acho que a palavra chave, nessa questão, é aceitação mesmo. Quando uma pessoa não aceita suas tristezas e dificuldades seu olhar fica voltado (e apontado) para o outro como garantia de que se mantenha externo. Porque é dentro da gente que estão nossas verdades, nossas dores.

E

Por isso fazer terapia (não necessariamente psicanalítica) é tão importante, por isso sempre acreditei tanto, como quem toma partido de uma ideia que precisa ser defendida; difundida.
(É claro que as pessoas têm resistência. Quem é que quer entrar em contato com a própria dor e ainda ter de pagar por isso?)

E

Por mais que a espiritualidade (não me refiro a religiões dogmáticas) e algumas filosofias orientais, como o próprio yoga que pratico tanto, tenham como fundamento esse olhar interno pra resolução dos conflitos, acho que ainda falta. Porque é preciso elaborar esse conteúdo. E dificilmente uma pessoa consegue fazer isso sozinha.


Terapia, meditação, yoga, literatura, sol, solidão (ler é um ato solitário). Amigos que falam sua língua. E a incompletude vai ficando, paradoxalmente (já que é aí que reside a solução do mistério), muito mais completa.

Eu só agradeço.

Um comentário:

Paula disse...

:)