15.9.13

NÓS



(escrito sábado de manhã)

Ontem à noite, angústia no limite por não conseguir escrever, fiz uma busca aleatória aqui no blog, atrás de nada específico mas, ao mesmo tempo, de alguma palavra minha escrita em Londres. Também fiquei tempos sem escrever em Londres, penso agora. Mas foi isso que procurei.

Ontem de manhã, angústia no limite por, mais uma vez, ser minha própria carrasca na vida, tive a sorte de um horário vagar no shiatsu. Enquanto eu chorava, em casa, recebi uma mensagem da massagista, Rita, pelo celular: a pessoa das 18h não virá, eita santo forte!

Rita é mais uma daquelas pessoas que vivia infeliz e com dinheiro no mundo corporativo e abandonou tudo pra fazer o que mandava sua essência. Com dor e dúvida, durante muitos anos financeiramente quebrada, seguiu em frente. O que despertou esse desejo nela e a manteve no caminho foi o aikido - hoje, ela é faixa marrom. Há quantos anos você treina, Rita? Deixa eu pensar... hmmm, desde 2006, há sete anos. Fomos e voltamos em assuntos relacionados a dores e bloqueios de energia no meu corpo quando me dei conta de que não havia nada que eu fizesse por tanto tempo. Começar e parar é uma constante na minha vida. Assim como os paradoxos. Você precisa perseverar, Isabela. Agora há pouco, quando disse que está pensando em voltar pra ashtanga porque não tem sentido evolução na hatha - será que se você continuar na hatha, com perseverança, justamente não vai entender que é isso, que o ponto é ficar, que é aí que se dá a mudança?

Click

E assim se desfez o primeiro de tantos nós que ela apertava no meu corpo. Claro que querer mudar era apenas sintoma. Era parar e, mais tarde, ter de voltar do começo, andando pra trás. Quase ou nada evoluir. Não crescer, minha especialidade.

Enquanto caminhava de volta pra casa, dolorida dos pés à cabeça, um outro nó começava a afrouxar. Não aceito mais a ideia de não escrever, eu pensava, com uma determinação (podemos chamar de perseverança?) que me fez passar por cima do asco que venho sentindo do computador e fazer a tal busca aleatória no blog. A página que se mostrou pra mim era cheia de posts. Um deles, Clareiras, escrito em Londres, em 12 de janeiro de 2011, era uma poesia (ruim) entrecortada por citações à Tamzin,  terapeuta corporal inglesa que trocou a vida corporativa pra fazer o que mandava sua essência. Com dor e dúvida.

"Pra minha sorte tem a Tamzin.
Onde quer que eu vá eu tenho um guru."

Não sei se foi antes ou depois de achar isso que me dei conta de que, sim, há algo que faço continuamente, já há alguns anos. Este blog. E a data de início, coincidência ou não, é 2006, sete anos atrás, como a da Rita e seu aikido.

Onde quer que eu vá eu tenho um guru.

E mais um nó no meu corpo se desfez.

2 comentários:

juju-balangandã disse...

Que lindo, Isa. Que cada vez mais nós sejam desfeitos!! beijos

Dani disse...

Que lindo! Continue sempre, porque tá uma delícia o blog! <3