26.9.13

O HOMEM DO SACO



Fiquei meia hora pensando se comprava zona azul, se haveria vaga na garagem do shiatsu, se deveria parar no prédio do trabalho, se iria ultrapassar o horário do rodízio, para, então, voltar para a primeira indagação e, assim, sucessivamente. Tudo porque, apesar de almoço, shiatsu e reunião de trabalho serem no mesmo quarteirão e, todos, a 20 minutos a pé de casa, eu não queria andar na rua. Já aconteceu antes. Eu simplesmente não estava a fim da exposição ao outro.

Meia hora passada, espiral de elucubrações não finda, eu volto à vida, coloco um casaco de moletom, uma calça saruel de malha, meia, tênis e saio a pé, claro. Dou dez passos e vejo um senhor que, ao que parece, está pedindo esmola na porta de uma casa. Passo por ele, que me pergunta: "Isso é uma calça ou um saco? É um saco!"

Imediatamente caio na gargalhada. Ele também.

Ainda rimos quando viro a esquina.

E eu que achava que sabia muito dessa coisa de me expor ao outro.

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