11.10.13

CLARICE IS BACK. I'M BACK [DE DAVID GROSSMAN NO RODA VIVA - 2]



Este ano, que começou com uma grande mudança (voltei pro meu apartamento) saindo de uma outra grande mudança, que foi voltar de Londres, depois de dois anos e meio lá - e a adaptação a esse retorno durou 2012 inteiro, sem que eu me desse conta, e foi sofrida - antes mesmo do fim, posso dizer, antecipando a retrospectiva - este ano me trouxe de volta à vida.

Me trouxe de volta a vida.

E me trouxe de volta Clarice.

Porque eu não fui deliberadamente buscá-la. Não me lembro agora como - se foi um pensamento meu, se veio de fora (acho que sim) - mas lembrei do livro roubado. E escrevi sobre isso. E comprei o livro novamente. Então, como disse no post anterior, assisti, sábado passado, ao Roda Viva com David Grossman. E no último bloco, quase no fim...

"For me, Clarice Lispector was such a revelation. She came into my life only in the last six years when she first was translated to hebrew. And you know this joy when you discover a new writer - she was not new but for me she was new. You enter a new magnet field, you know, and suddenly all kind of parts of yourself are flying to air and suddenly you read reality totally different. I think she is a genius and I hope she is well recognized all over the world. No one writes like Clarice Lispector. No one has this chords of reality that touches and it is revealed to us readers. And it's always like that when you find a genius writer. Suddenly, the way you read reality is different. Suddenly new layers of reality are revealed."

No domingo, fui almoçar na casa dos meus pais. E me pus a procurar outros livros de Clarice - eu sabia que eles tinham existido na minha vida em outras épocas. Achei seis. E reintegrei a posse.

Mas ainda houve a semana (hoje é sexta) no meio dessa história. E a carta aberta de Benjamin Moser, biógrafo de Clarice, para Caetano.

Mas, serei honesta, não li uma linha dela estes dias. Nada que viesse de livros, na verdade. Li internet, li  o incrível discurso de Luiz Ruffato na abertura da feira de Frankfurt, li tudo (ou quase) do que foi publicado sobre a censura das biografias não-autorizadas, li blogs amigos, contos amigos, li o horroroso editorial do Estadão contra a política de transporte público em São Paulo, li a resposta aberta no blog Cidades para Pessoas, li o Xico Sá de hoje, que nem sempre gosto, mas que achei bem legal, porque o tema me é caro (sou totalmente contra essa pasteurização pubiana, o horror, o horror).

Mas não li uma página de um livro sequer.

E este era um post para falar de Clarice.

Não deixa de ser.


[na fala de Grossman, eu grifei uma frase que tem, também, a ver com Clarice. mas vai além. acho que essa frase define, pura e simplesmente, o êxtase do leitor, o gooooozo]

[e gozo aqui é apenas em sentido livro-sexual. nada psicanalítico, que fique claro!]


A foto que ilustra o post é desta matéria do Estadão

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