6.10.13

HEART ROOTS

sycamore (platanus occidentalis)

Do meu irmão Renê, há dois dias:

"No carro, indo pra casa, pergunto para o Theo sobre a escola, o que aprendeu. Ele, com preguiça de falar, diz que não lembra. Pergunto dos amigos. Quem são seus melhores amigos no momento? De quem gosta mais. Ele cita alguns nomes. Sinto falta de um, Pietra, que até pouco tempo atrás era sua namorada. Ele diz que ela não, que ela é ex-namorada, não é amiga. Dou risada. De repente, ele continua: pai, sabe quem é meu namorado? Penso, lá vem coisa. Será que é uma gracinha ou devo temer o Feliciano interferindo na vida do meu filho? Quem, Theo, finalmente pergunto.

[e aqui vale a pena pular uma linha, dar o respiro necessário ao pensamento]

Eu!, ele diz, orgulhoso da própria resposta. Eu sou meu próprio namorado. Sabe por que? Porque eu gosto muuuuito de mim. Então eu sou meu próprio namorado. E seguimos nosso caminho, eu rindo da estranha sabedoria do meu filho, seu misto de desapego e independência, enquanto ele continua empolgado: eu chamo meu namorado pra ir brincar, e ele vai. Pra ir no shopping, e ele vai. Pra pegar o helicóptero e invadir o esconderijo do coringa, e ele vai..."

...

São seis anos e meio de "estranha sabedoria", como diz meu irmão, ou de sabedoria infinita, como eu gostaria de chamar, como eu desejo que seja; sabedoria raiz de árvore, profunda, e tem uma que cabe tão bem o que quero expressar, mas só em inglês, infelizmente, e vá lá, heart roots, chamadas assim porque são várias raízes do tipo permanentes, que dão suporte ao peso da árvore.

Red Oaks (Q. rubra) and Sycamore (Platanus occidentalis) have thick heart roots.

So as Theo, I hope.

As for his other heart - which you can call the main one but if you got the whole idea it doesn't really matter - I can assure you is not only thick but big and soft and sweet.


[é de pequenino que se torce o pepino, diz a sabedoria popular. e eu, de grande, tô entendendo apenas agora -  e esse entendimento foi sincrônico com o theo - que só mesmo nossa alma pra nos preencher completamente. univitelina, siamesa, quase narcísica. e quando você faz as pazes com ela (theo ainda não teve tempo de brigar; talvez nunca brigue), é verdade, você pode chamá-la pra qualquer programa e ela vai. até pra pegar o helicóptero e invadir o esconderijo do coringa. ela vai, amarradona]

Um comentário:

Irina Neves disse...

E tem como não se apaixonar? Ainda bem que o aprendizado não é só de trocar fraldas, tentar educar, saber dizer não, mudar de idéia, aprender de novo... É todo dia aprender com ele, de várias maneiras. O que mais impressiona não são as tiradas mirabolantes, são as mais simples, as mais óbvias, como esta... É muito orgulho deste pequeno. Que continue crescendo e se amando cada dia mais!