16.10.13

TEMPO REI



Cheguei de viagem na madrugada de domingo para segunda e ele estava parado. Não pode ser a pilha, nova. Tampouco a máquina, trocada em janeiro. Tirei o relógio da parede da cozinha, acertei os ponteiros fazendo-o funcionar e deixei, cismada, em cima da bancada.

Pela manhã, busquei algumas vezes a hora no espaço vazio. O hábito. Mas a pressa logo me pôs na marcha do dia, automática. Vejo isso depois.

No fim da tarde, ele continuava parado, em novo horário. Mas não posso ver isso agora ou me atraso para a yoga, meu tempo sagrado.

A noite, que não traz consigo a calma preparatória pro descanso, mas deveria; à noite, veio a notícia que soou nova, mas não era:

- Vovô foi hospitalizado.

A máquina parada como prenúncio. Vovô era dono do relógio que hoje batia não-horas.

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