25.11.13

"USANDO AS PALAVRAS DE ERNESTO SABATO, SENTIA NA PELE QUE 'A RAZÃO NÃO SERVE PARA A EXISTÊNCIA'"


Faz mais ou menos um mês, li, no Gluck Project, a história da Daniela Pucci, ex-professora brasileira do MIT que largou a vida acadêmica pra virar dançarina de tango profissional. Incrível. Semana passada, descobri que ela é irmã de uma amiga minha do clube. A proximidade, não sei… fiquei ainda mais tocada. Deu vontade de reler a entrevista. Que, mais ainda, fez tanto sentido...


"Sinto que viver, e especialmente ser consciente de nossa condição, é incrivelmente difícil, é a carga do ser humano: viver sabendo da arbitrariedade do sofrimento, de nossa impotência diante da tragédia, doença, de todos os males que afetam os seres que amamos, viver lembrando de nossa própria mortalidade. A religião, de alguma forma, tenta resolver isso, oferece uma teoria. Mas, na minha mente - que até hoje funciona mais pela lógica - eu consigo, no máximo, ser agnóstica, admitindo que não posso saber se tudo tem um motivo ou é completamente aleatório. Não é uma posição muito confortante ou satisfatória. Como alternativa, alguns de nós buscamos aliviar ou resolver essas questões pela ciência, que também está limitada em suas respostas. E o tango, no final, não pode me dar nenhuma resposta, mas me dá outra coisa: faz com que todas essas questões se tornem 'irrelevantes'. O tango tem esse poder de me ancorar no presente, no prazer físico do movimento, no prazer emocional do encontro com a música e com outra pessoa. Minha crise existencial se dissolve diante disso."


(a aspa do título do post também é dela e está em outra parte da entrevista)


[o toque, o sentido, a música]

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