8.12.13

A VIDA DE ADELE E O BAQUE DE HEROÍNA



Fiz uma cagada ontem. Logo depois das três horas de "Azul é a Cor Mais Quente", eu fui pra uma festa. Fui, porque queria prestigiar uma amiga (o que foi legal) mas, putz, eu tinha acabado de assistir a uma porrada de filme e tudo o que pensava era

quero ir pra casa digerir o que vi. Mas não fui.

E foi uma perda. Porque, por mais que eu assista de novo, algumas coisas são que nem brown sugar, babe - você só vai sentir aquilo da primeira vez. As outras vão ser tentativas inúteis de repeti-la.

E depois de "Azul…" você sai do cinema meio atordoado.

Ainda tive uma segunda chance - fico repisando o fato porque meu arrependimento é realmente grande (e me massacra) - quando, indo pra festa, precisei parar pra abastecer. Eu, que já estava dirigindo de forma estranha, falei toda confusa com o frentista. Então racionalizei

caramba, eu tô realmente tocada pelo filme. Mas segui no caminho inverso do que eu sentia.

E foi uma pena. Que isso tenha acontecido bem ontem. Porque, ultimamente, tenho tomado a decisão certa.



Durante a semana, li algumas coisas a respeito de "Azul…". Além das matérias de jornal e críticas de amigos, li um post bem legal do Thiago Stivalleti. Entre outras coisas, ele fala sobre a polêmica do filme em Cannes (onde ganhou a Palma de Ouro) e sobre o grupo de lésbicas que criticou as cenas de sexo - elas dizem que aquilo não existe, que mulheres gays não transam daquele jeito. Sobre isso, Thiago escreve:

"(…) fico com a frase do Michel Ciment este ano na Mostra: 'as pessoas continuam acreditando que um artista só pode falar daquilo que conhece. Se fosse assim, Kubrick nunca teria feito 2001 porque não viveu no tempo dos primatas e nunca viajou numa nave espacial'. O importante aqui não é 'corresponder à realidade', mas criar uma obra coerente em seus próprios sentidos".

No post dele não tem, mas, aqui, um link pro vídeo da reação desse grupo (não sei se teve outro) de lésbicas às cenas de sexo do filme (a maior tem sete minutos).

E o Jotabê fez um post sobre o recém-lançado gibi, de Julie Maroh, no qual o filme foi inspirado.

Nenhum comentário: